Integração exige mais discussão técnica
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quarta-feira, 09 de janeiro de 2013
Edson Ferreira <br> Reportagem Local 
Apesar da expectativa do prefeito de Londrina, Alexandre Kireeff (PSD), de receber recursos estaduais para subsidiar o transporte coletivo integrado entre as cidades da região, profissionais ligados ao setor, ouvidos pela FOLHA, são mais cautelosos com a matéria. Todos avaliam a integração como necessária, mas reconhecem que a concretização do serviço passa por discussões técnicas e não apenas pela agenda política.
O subsídio - que atualmente é pago pelo governo do Estado para o transporte em Curitiba, onde a integração existe desde o final da década de 80 - esteve na pauta de uma reunião ontem entre o prefeito e o coordenador da Região Metropolitana de Londrina (Comel), Victor Hugo Bozeli Dantas. Os dois lados demonstraram satisfação com o encontro. ''Foi produtivo'', disse Dantas, porém, sem dar detalhes técnicos do projeto. Ele pretende ir à capital na semana que vem para tratar do tema com o governo. De acordo com o Núcleo de Comunicação do município, o assunto voltará a ser discutido pela administração com a cooperação dos demais municípios que compõem a Comel.
Enquanto a discussão sobre o tema está recomeçando, três empresas seguem realizando o transporte intermunicipal na região de Londrina; Til Transporte e Turismo, Viação Garcia/Ouro Branco, além da Londrisul. Segundo o gerente da Til, Eduardo Dias, uma das primeiras barreiras é a tarifa. ''Quem vai definir o preço da passagem e com base em quê?'', questionou. Ele informou que as tarifas praticadas são diferentes devido aos diversos itinerários que as empresas têm que fazer entre os municípios. ''Hoje na área de Londrina é a CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização) que define a tarifa com base numa planilha e na nossa área é o governo por meio do DER (Departamento de Estradas de Rodagem)'', explicou. Dessa forma, disse ele, a arrecadação de impostos é feita pelo Estado.
Na avaliação de Dias, Kireeff ''está certo em cobrar o subsídio do Estado, pois é possível fazer, mas não é de uma hora para outra que vai acontecer a integração''. O gerente da Viação Garcia/Ouro Branco, Cesar Macedo, concorda. ''Acho que deve ser um projeto para longo prazo.'' De acordo com Macedo, seria preciso investir em infraestrutura. ''O terminal de Londrina não está atendendo nem a demanda local atualmente.'' Os gerentes informaram que já foram realizadas reuniões com prefeitos da região sobre a integração do transporte, mas os avanços foram pequenos.
Para o diretor da Transportes Coletivos Grande Londrina, Gildalmo de Mendonça, as empresas envolvidas devem receber mais detalhes da movimentação de passageiros na região metropolitana e qual será a proposta para o gerenciamento do serviço. ''É preciso fazer uma pesquisa para sabermos quantas pessoas vem para Londrina, para aonde vão aqui na cidade, que linhas vão usar. Eu confesso que tenho muitas interrogações sobre esse assunto.''
Instabilidade
O prefeito reeleito de Cambé, João Pavinato (PSDB), disse que a elaboração de uma proposta para integrar o transporte na Região Metropolitana de Londrina teve início no governo anterior, mas não teve sequência. ''A instabilidade política de Londrina prejudicou bastante e, se Londrina não puxar essa discussão, será muito difícil.''
Em Ibiporã, o prefeito José Maria Ferreira (PMDB) mostrou interesse no debate, mas direcionou o comando da discussão para Londrina. ''Sem a estruturação em Londrina, não conseguiremos alcançar essa integração.'' Para ele, antes do governo do Estado repassar o subsídio, os municípios da região precisam se organizar. ''Não adianta receber o dinheiro sem saber como colocá-lo a serviço da população.''


