Institutos enfrentam barreiras na Justiça
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sexta-feira, 24 de setembro de 2004
Cristiane Oya<br> Reportagem Local 
Na reta final das campanhas para as eleições municipais, várias pesquisas de intenção de voto foram barradas pela Justiça Eleitoral. O Instituto Experience, de Curitiba, foi alvo de representações e liminares que impediram a publicação das sondagens em Londrina, Curitiba, Maringá e Apucarana. O Ibope Opinião também teve problemas com as pesquisas nos três maiores municípios do Paraná, além de Campo Mourão e Ponta Grossa. A Databrain, que realizou pesquisas para a Revista Isto É, na capital do Estado, também não pôde veicular o resultado no Paraná.
Segundo a diretora executiva do Ibope Opinião, Márcia Cavalari, a maioria das pesquisas do instituto foram liberadas por uma resolução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A Resolução 21.922, desobrigaria os institutos a divulgarem no registro das pesquisas, os locais e os horários em que os pesquisadores aplicariam os questionários. ''Acho que foi um erro de entendimento dos juízes porque tudo que fizeram foi derrubado pelo TSE. Acho que eles quiseram ter um rigor e foram além do que deveriam ir. Foram medidas desnecessárias, já que o acesso aos dados é garantido. Se detectada falha, erro, a lei obriga o instituto a publicar a correção, então não há prejuízo algum'', disse. Segundo Márcia, em Londrina, o Ibope aguarda a decisão da Justiça Eleitoral, que concedeu uma liminar proibindo a veiculação da pesquisa atendendo uma representação do PV.
''Os juízes estavam entendendo que os institutos tinham que apresentar no registro o critério de ponderação, como sexo, idade que isso era obrigatório. Como estamos trabalhando com o sistema de cotas que já faz a ponderação na medida certa, os juízes não estavam aceitando'', justificou o diretor da Experience, Bruno Lopes. ''Acho que é tamanha a preocupação dos partidos, dos candidatos, com o peso da informação, que estão buscando encontrar falhas nas pesquisas para que não sejam divulgadas e isso leva tempo na Justiça para se reverter. Isso acontece no Brasil inteiro, mas na frequência que isso aconteceu, só no Paraná'', complementou. ''Isso prejudica todas as empresas de pesquisa. Entramos em contato com a Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (ABEP) que fez contato com o TSE, que esclareceu tudo e todas as pesquisas estão sendo liberadas.''
Para o cientista político Mário Sérgio Lepre, os impedimentos gerados em todo Estado pela Justiça Eleitoral para a divulgação das pesquisas, prejudicam o processo. ''A pesquisa ajuda o processo porque é uma informação a mais e a informação é sempre importante dentro de uma sociedade democrática. Não ter pesquisa, na realidade, é deixar as coisas no escuro para o eleitor e as pesquisas sendo de credibilidade são fundamentais para a democracia'', defendeu. ''Qualquer coisa é motivo para impugnar, há um excesso de legislação e qualquer ponto é suficiente para um candidato questionar e não poder ser divulgada a pesquisa. Acho isso ruim porque eu acredito que em uma sociedade democrática, os veículos não querem ter a imagem deteriorada, não vão colocar o nome no lixo e isso que dá credibilidade a essas pesquisas que são as que são comentadas pelos formadores de opinião. O Brasil precisa pensar que quanto mais liberdade existe de divulgação, muito melhor para a sociedade. Essa cultura de achar que o cidadão é coitadinho, que vai ser esmagado pelos formadores de opinião, pela elite, que a Justiça tem que protegê-lo, eu não vejo por esse lado. Acho que quanto mais liberdade, mais interesses estarão em discussão e é melhor para mundo.''


