Brasília - A ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres, Eleonora Menicucci, defendeu nesta semana as investigações que acontecem em várias instâncias no País para elucidar casos de tortura e morte ocorridas durante o período da ditadura militar. Para a ministra, todas as instituições brasileiras precisam contribuir. "Se você fala do período (da ditadura militar), todas as instituições brasileiras têm que trazer para si a responsabilidade moral e ética de contribuir", afirmou.
A ministra foi homenageada pela Comissão de Anistia do Ministério da Justiça que realizou ontem, em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, uma sessão especial para julgar os casos de dez mulheres que foram presas e sofreram processos em tribunais militares na época. A comissão divulgaria no final do dia o resultado dos julgamentos. Durante a sessão, a ministra relatou o período em que lutou contra o governo militar e ressaltou a importância das mulheres na luta pela democracia.
Em 2011, a ministra enviou uma carta ao Conselho Estadual de Direitos Humanos de Minas Gerais revelando que havia sido torturada durante a ditadura, assim como a presidente Dilma Rousseff. Menicucci contou que sofreu choques elétricos, socos, chutes e que os militares chegaram a ameaçar a sua filha de apenas um ano na época, em um quartel de Juiz de Fora, em 1971.
Durante a sessão, a ativista Sonia Hypolito também foi homenageada. Ela afirmou que iniciativas como a da comissão da anistia são fundamentais para mostrar à juventude que o regime militar foi um período de "terror", com "torturas" e "truculência". Na semana que vem, completam-se 50 anos da instalação do regime militar no País, que durou de 1964 a 1985. A Comissão de Anistia foi criada em 2001 para analisar pedidos de indenização formulados por pessoas que foram impedidas de exercer atividades econômicas por motivação exclusivamente política desde 18 de setembro de 1946 até cinco de outubro de 1988.

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