Rio de Janeiro - Quinze anos depois das fraudes que causaram um rombo de US$ 600 milhões ao INSS, dos quais o Estado recuperou menos de 15%, 18 dos 45 réus condenados pelo desfalque continuam administrando 150 imóveis que compraram com o dinheiro roubado e que, embora hipotecados pela Justiça o que impede a sua venda continuam rendendo dinheiro e conforto para os acusados.
O ex-advogado Ilson Escóssia da Veiga e Jorgina de Freitas, a mais famosa fraudadora do INSS, são os únicos condenados ainda presos. Nos 35 dias a cada ano em que é autorizado a passar o dia com a família, Escóssia troca o calor do Presídio Plácido Sá Carvalho, em Bangu, o bairro mais quente da cidade,pela Avenida Delfim Moreira, na orla do Leblon.
Sua mulher, Cláudia Caetano Bouças, também fraudadora do INSS, condenada a seis anos de prisão, cumpriu pena e hoje reside com o filho de 14 anos no mesmo imóvel em que o casal morava quando o escândalo veio à tona, em 1991.
Um apartamento como o da família Escóssia está avaliado pela Justiça em R$ 1,7 milhão; fica na região que tem o IPTU mais caro da cidade. Mas altos valores não são problema para o fraudador, apesar do bloqueio de suas contas bancárias. Ele não recolhe o IPTU desde 1992 e seu débito com a prefeitura já é de R$ 143 mil. É bem provável que a conta acabe herdada pelo INSS quando, afinal, a autarquia conseguir na Justiça o sequestro do imóvel.
A Justiça estadual sequestrou 250 imóveis dos 45 condenados pelas fraudes contra a Previdência. Esses bens são administrados pelo INSS, que arrecadou R$ 2,8 milhões em 78 leilões. Outras 150 casas, apartamentos, terrenos, lojas e vagas de garagem pertencentes a 18 dos acusados foram apenas hipotecados para que não pudessem ser vendidos, até que a Justiça Federal finalize os processos.
Enquanto as ações se arrastam, graças a infindáveis recursos e apelações, os acusados continuam com o usufruto dos bens, se beneficiam das rendas que eles geram, embora nem sempre paguem os encargos que recaem sobre os imóveis.
Ilson Escóssia teve 40 imóveis sequestrados e outros 44 hipotecados. Ele tem ainda dois apartamentos em Ipanema. Todos continuam até hoje sob seu usufruto, rendendo aluguéis que chegam a de R$ 2 mil mensais, cada um.
Após ter cumprido seis anos de prisão e ter sido ré em processo disciplinar instaurado pela OAB-RJ, a mulher de Escóssia, Cláudia Bouças, retomou a atividade que a levou à cadeia: advogar contra o INSS. Algo parecido aconteceu com Armando Avelino Bezerra, ex-procurador do INSS condenado a 12 anos de cadeia, dos quais cumpriu só 4. Até ser novamente preso, acusado de lavar o dinheiro desviado, Bezerra estava em situação regular na OAB-RJ. Agora, novo procedimento será aberto na ordem. Nos bastidores , comenta-se que ele será expulso.Cláudia diz não ver impedimentos éticos em advogar contra o INSS. ''Também faço causas cíveis e familiares. Já cumpri a pena, estou reabilitada.''

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