Pouco mais de dois anos após o início do escândalo AMA/Comurb, a Polícia Civil está perto de finalizar os 12 inquéritos que apuram o desvio de recursos da Prefeitura de Londrina. A pedido do Ministério Público (MP), a polícia passou a investigar o esquema de corrupção em Londrina, inicialmente com o delegado do 4º Distrito Policial, Joaquim Antonio de Melo. Os processos chegaram a ser levados a Curitiba por ordem do ex-delegado-geral da Polícia Civil, João Ricardo Noronha.
Há 15 meses, o responsável pelas investigações é o delegado José Arnaldo Peron Martins, do 2º Distrito Policial (2º DP), mesmo local onde o ex-prefeito Antonio Belinati (sem partido) está preso desde a tarde de quinta-feira, acusado de desviar R$ 270 mil da extinta Comurb. Na prisão, Belinati tem a companhia de Cassimiro Zavierucha, o Carlos Júnior, considerado seu caixa de campanha. Zavierucha foi detido em Eldorado (MS) e recambiado para o 2º DP na noite de sexta-feira.
‘‘Só estamos aguardando os exames periciais (grafotécnicos e autenticidade de documentos) que estão sendo feitos pelo Instituto de Criminalística’’, afirmou o delegado José Arnaldo Peron. Segundo ele, estão indiciados aproximadamente 30 pessoas. Além de Belinati e Zavierucha, figuram da lista ex-diretores da Comurb, entre eles Kakune Kyosen (preso no 3º Distrito Policial), Eduardo Alonso de Oliveira, Lúcia Brandão, Eduardo Duarte Ferreira, ex-procurador-geral do município, ex-secretários e advogados, além de empresários que se envolveram com a fabricação de licitações fraudulentas.
Peron afirma que os 12 inquéritos, em fase de conclusão, têm elementos que comprovam o desvio de recursos públicos. Segundo o delegado, os laudos periciais são para reforçar a participação dos envolvidos nas fraudes, demonstradas em documentos depoimentos. Durante as investigações, Belinati e Zavierucha não deram informações à polícia, recorrendo ao direito constitucional de permanecer calados.
O delegado disse ainda que a vice-governadora Emília Belinati (PTB) não foi indiciada. ‘‘Ela não teve participação no processo de desvio’’, afirmou. Apesar da repercussão política do escândalo, Peron afirma que nunca foi pressionado em seu trabalho de investigação. ‘‘Os fatos se tornaram público e o envolvimento foi de fácil comprovação. Os próprios envolvidos passaram a falar sobre o que ocorreu’’, avaliou.
A Folha apurou que ontem à tarde Belinati recebeu as visitas de seu irmão, José Belinati, e de sua filha, Cintya Salles Belinati. Cintya, porém, negou que tenha ido ao encontro de seu pai. ‘‘Hoje (ontem) não é dia dia de visita, a notícia que a gente tem é que está tudo certo com ele’’, afirmou. José Belinati não foi encontrado pela reportagem.
O advogado de Cassimiro Zavierucha, Mauro Viotto, também esteve no 2º DP e ao deixar a unidade disse que Belinati e Zavierucha estão bem. ‘‘Dentro do possível estão serenos e tranquilos, aguardando o posicionamento da Justiça’’, comentou. Viotto acredita que na tarde de hoje o vice-presidente do Tribunal de Justiça (TJ) Altair Patitucci, conceda liminar ao pedido de habeas corpus (HC) para Belinati e Zavierucha.
O HC para o ex-presidente da Comurb, Kakunen Kyosen foi distribuído para o presidente do TJ, Vicente Troiano Netto, que julgou-se impedido para analisar os recursos para Belinati e Zavierucha. Até o início da noite de ontem o ex-secretário de Governo, Gino Azzolini Neto, que também sua prisão decretada pela justiça, continuava foragido. Seu advogado, Omar Badday, deve apresentar hoje um pedido de HC ao TJ.
‘‘É possível, mas não posso afirmar com segurança’’, afirmou. No início da noite Baddauy disse que Azzolini não havia se apresentado à polícia. ‘‘O fato dele se apresentar ou não não interfere no direito de defesa, ele apenas não estava na cidade e tem o direito de resistir a uma prisão, que se refuta ilegal’’, comentou.

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