Inquéritos de Mercadante e Aloysio já têm relator
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terça-feira, 08 de setembro de 2015
Márcio Falcão e Valdo Cruz <br>Folhapress 
Brasília - O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Celso de Mello foi definido como relator dos pedidos da Procuradoria Geral da República(PGR) para abertura de inquérito contra o ministro Aloizio Mercadante (Casa Civil) e o senador Aloysio Nunes (PSDB-SP). Caberá ao ministro autorizar o início das investigações contra os dois políticos. Os pedidos de inquéritos contra Mercadante e Aloysio se baseiam na delação premiada do dono da UTC Ricardo Pessoa, apontado como chefe do cartel de empreiteiras do esquema de corrupção da Petrobras e um dos principais delatores, mas os dois casos não têm relação direta com os desvios na estatal. O empresário teria repassado recursos que não foram declarados à Justiça Eleitoral para as campanhas eleitorais dos dois.
A investigação preliminar da PGR apontou que os casos não tinham indícios de ligação com o esquema de corrupção da Petrobras, que são o foco da Operação Lava Jato. Por isso, o órgão sugeriu a redistribuição ao ministro Teori Zavascki, já que ele é o ministro do STF que está cuidando dos casos da Operação Lava Jato.
Ao encaminhar o pedido de abertura de investigação de Mercadante para o presidente do STF, Ricardo Lewandowski, Teori afirmou que "das análises dos atos, é possível constatar que os autos descritos nesse procedimento não têm ralação de pertinência imediata das demais investigações sob minha relatoria, notadamente relacionadas no âmbito da Petrobras".
O ministro segue a posição do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, sustentando que "o caso em tela não possui correlação direta com as investigações relacionadas no âmbito da Petrobras". A solicitação para investigar Mercadante e Aloysio chegou ao STF no fim da semana passada, junto com pedidos de abertura de inquérito do ministro Edinho Silva (Comunicação Social). Teori autorizou a investigação de Edinho porque há relação com a Lava Jato. Sobre Mercadante, o delator citou ter dado recursos ilícitos à sua campanha ao governo paulista em 2010. Teriam sido R$ 750 mil, sendo R$ 250 mil "por fora". Empresas de Pessoa constam como doadoras oficiais de R$ 500 mil.
Pessoa disse ainda ter repassado recursos ilícitos à campanha de 2010 do senador tucano Aloysio Nunes (SP).
No caso de Edinho Silva, ele será alvo da Lava Jato porque é ex-tesoureiro da campanha de reeleição da presidente Dilma Rousseff. Em seus depoimentos, ainda sigilosos, Pessoa disse ter repassado recursos para a campanha de Dilma após ser coagido por Edinho. Também apontou envolvimento de vários outros políticos com corrupção. Mercadante, Aloysio e Edinho negam as acusações. Além deles, há uma lista de deputados e senadores sendo investigados no Supremo pela Operação Lava Jato. Deles, cinco já foram alvo de denúncias (ações penais) movidas pela PGR.


