Patrícia Zanin
De Londrina
As denúncias de desvio de dinheiro público na Autarquia Municipal do Ambiente (AMA) e na Companhia Municipal de Urbanização (Comurb) para campanhas políticas, investigadas pelo Ministério Público (MP) de Londrina, envolvem pelo menos três deputados. Os federais José Janene (PPB) e Alex Canziani (PSDB), além do estadual Antônio Carlos Belinati (PSB), filho do prefeito Antonio Belinati (PFL) estão sendo alvo de inquéritos civis públicos abertos pela promotoria em fevereiro.
Os promotores Cláudio Esteves, Solange Vicentin e Bruno Galatti já comprovaram que parte dos R$ 16 milhões desviados dos cofres públicos foram usados em campanhas eleitorais. Carta precatória para ouvir Antônio Carlos já foi encaminhada pela promotoria a Curitiba, onde ele cumpre mandato.
No caso de Janene, a promotoria pediu que ele compareça ao MP. Antes de chamar Canziani, os promotores pretendem reunir mais documentos, principalmente sobre a Companhia de Desenvolvimento de Londrina (Codel), da qual foi presidente. Como são parlamentares, os três têm a prerrogativa de marcar dia e hora para prestar depoimento.
Os inquéritos de Antônio Carlos (001/00) e de Janene (002/00) estão em fase mais adiantada de investigação. O do primeiro tem um volume e o do outro, três. O inquérito de Canziani (003/00) consta de um volume.
A investigação sobre Antônio Carlos reúne a prestação de contas de sua campanha – R$ 197,5 mil. Deste total, R$ 120 mil recebidos de pessoas jurídicas, R$ 65 mil de pessoas físicas e R$ 12,5 mil de recursos próprios. Inclui também cópias de escrituras de imóveis da família e depoimentos que confirmam a venda, ao pai de Antônio Carlos e prefeito Antonio Belinati (PFL), de um apartamento no edifício Arkádia, em Londrina. O inquérito é o mesmo que apura a evolução patrimonial da família. Vários imóveis estão em nome de Antônio Carlos.
Consta ainda do inquérito um pedido de explicações à vice-governadora Emília Belinati (PTB), mãe do deputado, sobre um suposto cheque de R$ 11 mil que teria sido depositado na conta dela pelo ex-diretor-administrativo-financeiro da Comurb, Eduardo Alonso. Emília contesta (leia texto abaixo).
Já o inquérito sobre Janene reúne, no primeiro volume, informações sobre o patrimônio da família. Do segundo constam depoimentos sobre denúncias de uso de dinheiro da Comurb e da AMA, além de centenas de notas fiscais da campanha de 98 em Ibiporã (14 km a leste de Londrina). As notas estão reunidas no terceiro volume e somam 70 páginas.
O material foi entregue à promotoria em fevereiro pelo ex-presidente da AMA, Mauro Maggi, que coordenou a campanha de Janene, Antônio Carlos e do governo do Estado, em Ibiporã. As notas somam R$ 89,4 mil. No depoimento ao MP, Maggi afirmou que emitia cheques próprios para pagar as despesas das campanhas e depois ‘‘resgatou os cheques com processos licitatórios fraudados’’.
A prestação de contas da campanha do deputado também está anexada ao inquérito. De acordo com cópia da prestação, Janene gastou R$ 169,7 mil na campanha, dos quais R$ 96,1 mil de recursos próprios, R$ 7 mil de pessoas físicas e R$ 66 mil de pessoas jurídicas.
No inquérito sobre Canziani está o depoimento do seu irmão e que também foi coordenador de sua campanha, Ivan Canziani Silveira. Ele declarou que, para pagar parte das despesas de eventos feitos em dobradinha com o deputado Antônio Carlos e com o governador Jaime Lerner (PFL), foi informado pelo comitê central de campanha do governo, em Curitiba, que deveria ‘‘resolver a questão com Eduardo Alonso, em Londrina’’. Ele declarou ter recebido um cheque de R$ 80 mil de Alonso, ‘‘emitido por uma pessoa física’’, cujo nome não se recorda.
As investigações reúnem ainda a prestação de contas de Canziani, que afirmou ao TRE ter gasto R$ 397 mil na campanha, dos quais R$ 101,5 mil de recursos póprios, R$ 101,5 mil de pessoas físicas e R$ 230,4 mil de pessoas jurídicas.Os deputados federais Alex Canziani e José Janene e o estadual Antônio Carlos Belinati estão sendo investigados pelo MP
César AugustoPAPELADADocumentos reunidos pelo MP mostram gastos com campanha favorecendo os então candidatos. Recibo discrimina pagamentos em favor de Antônio Carlos e Janene; inquéritos apuram denúnciasCésar AugustoArquivo FolhaCláudio Esteves, dos promotores do MP que estão investigando os deputadosArquivo FolhaAntônio Carlos deve ser ouvido nos próximos dias pelo MP

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