A Polícia Civil de Londrina e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) prevêem para hoje a conclusão do inquérito que apura crime de concussão - uso do cargo público para obtenção de vantagem ilícita - contra o vereador Henrique Barros (PMDB). Ontem, pela primeira vez, a Promotoria admitiu que estão sendo investigados projetos de lei que tratam de doação de área pública, de mudança de zoneamento e de uso e ocupação do solo. Na última segunda-feira, por exemplo, um funcionário da Câmara de Vereadores encaminhou à Promotoria de Defesa do Patrimônio Público cópia de três matérias aprovadas no mês passado, pouco antes do recesso. Entretanto, os promotores ainda não confirmam se projetos dessa natureza balisam as três situações que vêm sendo investigadas há mais de um mês. A FOLHA apurou que pelo menos dois desses projetos são de autoria do Executivo.
O inquérito que tem previsão de ser relatado hoje pelo delegado Hernandes César Alves foi instaurado na última quinta-feira, por conta da prisão do vereador do PMDB. Na ocasião, Barros fora preso em flagrante com R$ 9,9 mil em dinheiro localizados no interior de seu veículo. A promotoria e a polícia investigam se a soma está relacionada a eventual pagamento ilícito por aceleração ou facilitação de aprovação de projetos de lei que possam beneficiar, por exemplo, empresários da cidade. O vereador chegou a ficar quatro dias preso no Centro de Detenção e Ressocialização (CDR), mas foi posto em liberdade provisória anteontem à tarde pela juíza da 3 Vara Criminal, Oneide Negrão de Freitas.
O Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) recebeu ontem da juíza a comunicação de impedimento à frente do caso - dias antes, o Ministério Público (MP) arguira suposta suspeição da magistrada. A partir de hoje, qualquer análise sobre a situação de Barros passa a ser conduzida pelo juiz substituto da 3 Criminal, Marcos José Vieira. Uma das primeiras medidas submetidas a ele pode ser o pedido de revogação da liberdade provisória do vereador, sob análise técnica do MP - uma vez que, segundo os promotores, tão logo foi solto, Barros teria se recusado a colaborar com as investigações.
Depoimento
Também ontem, na parte da manhã, foi a vez de o vereador Osvaldo Bergamin (PMDB), da Comissão de Desenvolvimento Urbano da Câmara, prestar depoimento ao delegado e ao promotor Jorge Fernando Barreto da Costa, do Gaeco. Na véspera, o depoente foi o vereador Renato Araújo (PP), da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Bergamin chegou ao MP e falou aos repórteres que só falaria à imprensa depois de depor; uma hora e meia depois, contudo, nem ele nem a advogada que o acompanhou, Márcia Lopes da Costa, quiseram se manifestar. ''Foi só esclarecimento'', ela resumiu.
Para o promotor, no depoimento o peemedebista apenas ''confirmou informações preliminares'', mas teria negado qualquer ato de concussão. ''Ele disse apenas que não presenciou nenhuma dessas reuniões de que Barros alegou (em uma confissão parcial) que teria participado.'' Indagado sobre que reuniões seriam, Costa se referiu a ''reuniões dentro da Câmara entre os vereadores - não só da Comissão, mas da Câmara''. No final da tarde, questionado novamente sobre o assunto, o promotor esclareceu: ''O que Bergamin disse é nunca ter participado de ou presenciado reuniões em que envelopes com dinheiro seriam entregues de um vereador para outro''.
Apesar de o Gaeco esperar para hoje a conclusão do inquérito sobre o flagrante de Barros, a previsão da equipe é que as investigações continuem - em um desdobramento com outros nomes, por exemplo. Novos depoimentos devem ser tomados até semana que vem.

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