Inquérito Policial Militar (IPM) conclui que o candidato a governador e senador do Paraná Roberto Requião (PMDB) utilizou recursos humanos e materiais do governo estadual para manter cavalos de sua propriedade, segundo reportagem publicada pela Folha de S.Paulo. O jornal alega ter tido acesso ao documento, que é sigiloso.
A investigação foi concluída e encaminhada para a Vara de Justiça Militar Estadual e está conclusa ao juiz Davi Pinto de Almeida. Ele não foi encontrado no fim da tarde de ontem pela FOLHA. A assessoria de imprensa da Polícia Militar também não deu detalhes devido ao caráter sigiloso da investigação.
De acordo com a reportagem, a medicação e alimentação dos animais eram feitas com recursos do governo e o manejo, por oficiais da corporação. Requião chegou até a constituir um destacamento para a residência oficial, a Granja Canguiri, para cuidar dos animais, que foi desfeito dois anos após o fim do mandato.
Apesar de haver informações de que mais de 80 cavalos foram custeados pelo erário, o IPM não conseguiu identificar o número exato. Um oficial teria dito em depoimento que o ex-governador mantinha, ainda, "porcos, cachorros, pavões, veados e antas".
Os militares ouvidos no IPM afirmam que acreditavam que os animais seriam doados à PM e documentos chegam a indicar a doação de nove animais de Requião e de outros 21 pertencentes à empresa de Francisco Simeão, a Enterprise Empreendimentos Imobiliária S/A. Simeão é o primeiro suplente do senador em Brasília.
O inquérito também indica que parte dos animais eram cedidos à PM e outros, de uso exclusivo do então governador. Porém, quando deixou o governo para concorrer ao Senado, Requião determinou que seus animais fossem reunidos e, dias depois, deixaram de fazer parte da lista de animais estabulados no haras da PM.
A FOLHA tentou contato com o assessor jurídico de Requião, Luiz Fernando Delazari, mas o telefone celular estava desligado e ele não retornou o recado deixado na caixa postal.

mockup