Brasília - Três secretários de Estado do governo de São Paulo, de Geraldo Alckmin (PSDB), passaram a ser investigados formalmente ontem com a chegada do inquérito do cartel de trens ao Supremo Tribunal Federal. A ministra Rosa Weber será a relatora do caso, que está em Brasília pelo fato de os auxiliares do primeiro escalão do governador paulista serem deputados federais licenciados com prerrogativa de foro especial.
São investigados o chefe da Casa Civil do governo, Edson Aparecido (PSDB), o secretário de Energia, José Aníbal, e o secretário de Desenvolvimento, Rodrigo Garcia (DEM). O deputado federal Arnaldo Jardim (PPS), aliado dos tucanos paulistas, também é alvo do inquérito que agora está no Supremo.
A investigação sobre o cartel foi iniciada em 2008, após as suspeitas sobre pagamento de propina pela empresa francesa Alstom serem levantadas no exterior. Desde então, seis pessoas foram indiciadas, entre elas o ex-presidente da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) Oliver Hossepian, o ex-diretor da estatal João Roberto Zaniboni e o consultor Arthur Teixeira, apontado como lobista e intermediador de "comissões" das multinacionais que atuam no setor metroferroviário.
A suspeita é que o cartel tenha atuado para obter contratos superfaturados de trens e metrô entre os anos de 1998 e 2008, durante as gestões dos governadores tucanos Mário Covas, José Serra e Geraldo Alckmin.
O caso tramita em segredo de Justiça. Nos detalhes do andamento da investigação há a informação de que ela apurará suspeitas de crimes como lavagem de dinheiro e ocultação de bens, direitos ou valores.
No dia 21 de novembro, o Estado revelou que o inquérito da Polícia Federal que agora está no Supremo continha um relatório de autoria do ex-diretor da Siemens Everton Rheinheimer em que eram citadas propinas para políticos e caixa 2 para o PSDB e o DEM. Nesse relatório, Rheinheimer dizia ter ouvido do consultor Arthur Teixeira que o chefe da Casa Civil de Alckmin e o deputado Arnaldo Jardim eram destinatários de propina das multinacionais.
O ex-diretor da empresa alemã também falava da proximidade de Arthur Teixeira com outros políticos, como José Aníbal e o senador Aloysio Nunes Ferreira - este não está entre os alvos da investigação em curso.
O relatório foi produzido no dia 17 de abril. Nele, Rheinheimer pede proteção do "partido", numa referência indireta ao PT, e até um emprego no conselho da Vale, algo que não venho a se concretizar. Em posse do deputado estadual licenciado Simão Pedro (PT), hoje secretário de Serviços do município de São Paulo, o texto foi entregue ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que o remeteu para a Polícia Federal.
Em maio, a Siemens fechou um acordo de leniência com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), órgão federal que combate a formação de cartéis no País. A multinacional admitiu a existência dos acordos para a obtenção de contratos em São Paulo e no Distrito Federal, mas não falou de propina.

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