Curitiba - O Ministério Público (MP) confirmou ontem a abertura de um inquérito civil para investigar a denúncia de pagamentos irregulares de diárias a vereadores de Pontal do Paraná (litoral do Estado). O esquema foi denunciado por um dos parlamentares beneficiados, Márcio Gonçalves (ex-PSOL). ''Os vereadores recebiam diárias para comparecer a cursos fora da cidade, mas nem chegavam a viajar'', relata.
Segundo o vereador, o esquema teria desviado mais de R$ 400 mil do orçamento do Legislativo. ''As diárias pagas variavam de R$ 2 mil a R4 4 mil'', conta. Gonçalves diz que sete dos nove vereadores da Casa estavam envolvidos.
Caso a denúncia seja comprovada, o MP deve propor uma ação civil pública por ato de improbidade administrativa.
A Promotoria de Justiça de Matinhos, comarca da qual Pontal faz parte, recebeu documentos com informações sobre o caso.
Segundo o vereador, ele teria recebido R$ 46 mil em diárias. ''Mas eu fui em alguns dos cursos'', se defende. Já no caso dos outros vereadores, Gonçalves diz que os certificados eram falsificados. ''Os primeiros cursos realmente aconteceram. Mas depois eles passaram a usar um scanner para copiar os diplomas originais e gerar falsificações'', explica.
Entre os cursos supostamente frequentados pelos parlamentares estariam aulas de ''causas polêmicas'' e de ''combate à corrupção'', informa Gonçalves.
Depois de denunciar o esquema e admitir que recebeu diárias da Câmara, Márcio Gonçalves foi expulso do PSOL pelo diretório municipal do partido. ''O Luiz Felipe (presidente estadual da legenda) pediu para me expulsarem'', reclamou.
''O presidente do partido não tem o poder de expulsar ninguém'', rebateu Felipe Bergmann. Segundo ele, o diretório municipal decidiu pela expulsão porque o partido não admite que seus filiados pratiquem ''atos de corrupção''.

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