O inquérito policial que vai apurar a prática de crime eleitoral pelo prefeito de Araucária, Rizio Wachowicz (PFL), deverá estar concluído dentro de um mês. Anteontem, 50 cestas básicas que seriam distribuídas em Costeira, foram apreendidas pela PM. Ontem à tarde a secretária de Assistência Social do município, Carmem Wachowicz (mulher de Rizio) enviou uma petição ao juiz eleitoral pedindo que liberasse o material.
Na quinta-feira, durante a operação foram detidos os funcionários da Prefeitura de Araucária, Hilda Ana Androczeczen (assistente social) e José de Souza Camargo (motorista). Eles foram liberados no começo da noite de anteontem, depois de prestar depoimento. Ontem, por um erro da Folha, foi publicado na capa da edição estadual que Carmem Wachowiz tinha sido presa.
Ainda ontem, a secretária iria apresentar suas explicações para a Polícia Civil. ‘‘Vamos aguardar a apresentação da defesa e, se não ficar comprovado nennhum crime, as cestas vão ser devolvidas’’, garantiu o escrivão Gilberto Ramos, que fez o auto de apreensão das cestas.
Ontem foi cancelada a entrega de outras cestas no Bairro Tupi. Carmem informou que espera a liberação das cestas apreendidas e, consequentemente, da continuidade do programa assistencial ‘Ação Social é Mais Cidadania’. De acordo com a secretária, o programa é ‘‘rotineiro’’ e que existiria ‘‘há uns 30 anos’’.
A denúncia de que a distribuição faz parte da campanha pela reeleição do prefeito partiu dos simpatizantes da candidatura do deputado Albanor Gomes (PSDB). Eles alegam que o programa começou a funcionar somente a partir de quinta-feira, quando a propaganda eleitoral foi liberada. Na versão dos oposicionistas, Rizio está descumprindo o artigo 41 da Lei Eleitoral 9.504/97.
O advogado Genésio Natividade protocolou ontem uma representação no MP, na PF e no TRE, pedindo que a polícia apreendesse mais cestas que estariam guardas. Segundo Natividade, a polícia estaria fazendo ‘‘corpo mole’’ para investigar as denúncias.
Elias Mattar Assad, advogado de Rizio, contra-atacou. Em fax enviado à Folha, Assad considerou as denúncias uma ‘‘gafe da oposição’’. O advogado argumenta que os programas assistencias de prefeituras (citando como exemplos a distribuição de merenda escolar e de material didático para carentes) ‘‘não podem ser confundidos com uso indevido da máquina na atual realidade da legislação eleitoral sob pena de paralisação total’’ (da administração municipal). Assad informou que está constultando o TRE sobre a legalidade da continuação dos programas oficiais da atual gestão ‘‘para pacificar quaisquer controvérsias’’. (R.B.N.)

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