Inocêncio garante mais prazos
A ampliação dos prazos de enquadramento dos estados à Lei Camata - que limita a 60% das receitas os gastos com o pagamento de pessoal - pode ser aprovada pelo Congresso. É o que garante o líder do PFL na Câmara dos Deputados, Inocêncio Oliveira (PE). Ao contrário do que defende o presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), Inocêncio disse ontem ser possível aprovar a regulamentação da lei ainda este ano se o governo estabelecer um período de transição para os governadores se enquadrarem às novas regras. Pode-se aprovar este ano, prevendo um prazo de seis meses a um ano para que a lei entre em vigor, afirmou o deputado pefelista.
O relaxamento dos prazos de enquadramento à Lei Camata é um pedido dos governadores que não conseguiram cortar seus gastos com pessoal e vem sendo estudado pelo governo como instrumento de negociação do pacote de ajuste fiscal, mas é rechaçado pelos políticos. O líder do PFL, entretanto, argumentou que, além da necessidade de ajuste das contas públicas, deve haver também uma preocupação com o enorme desemprego que estaria embutido no enquadramento à Lei.
Ninguém gosta de demitir, principalmente em um momento como esse, disse o deputado. Inocêncio reiterou ser indispensável que o governo federal converse com os governadores eleitos antes de enviar o pacote de ajuste para o Congresso. É preciso conhecer a realidade dos estados. Para ele, desse entendimento depende a viabilidade e credibilidade do esforço do governo em sanear o déficit público.
A discussão em torno da Lei Camata e das dívidas dos estados - a maioria já foi renegociada pela União - criou resistências no Congresso. O líder do PMDB na Câmara, Geddel Vieira Lima (BA), foi taxativo: Eu sou contra, afirmou. O grande problema do déficit público vem dos estados que não resolveram o problema, acrescentou, apontando o rombo do funcionalismo e da previdência. Tem que enquadrar, senão desmoraliza o ajuste fiscal. Segundo o deputado baiano, a renegociação das dívidas estaduais só seria aceitável se não criasse novos problemas para as finanças públicas.
O governo federal tem de resolver o problema do funcionalismo e da previdência, insistiu. Geddel qualificou como factóides os primeiros cortes anunciados pelo Executivo - que promete reduzir os gastos com passagens aéreas, café e ar condicionado, por exemplo - e previu dificuldades para a tramitação do ajuste no Congresso. Este ajuste já nasce inviabilizado, afirmou, referindo-se ao bloco de parlamentares governistas derrotados nas urnas e à mudança no quadro político que será imposta pelo segundo turno das eleições.
O líder do PTB, Paulo Heslander (MG), vai reunir a bancada do partido no próximo dia 29 para discutir a aprovação das reformas e do pacote que será enviado pelo governo. Para ele, facilidades para os governadores dependerão exclusivamente da pressão do Executivo sobre o Congresso.Arquivo FolhaCuidadosInocêncio: líder do PFL argumenta que, além da necessidade de ajuste das contas públicas, deve haver também uma preocupação com o desemprego que estaria embutido no enquadramento à leiDoca de Oliveira
Agência Estado





