Inocêncio é o novo líder? Aliados ficam com ciúmes
A escolha do sucessor do deputado Luís Eduardo Magalhães (PFL-BA) na liderança do governo acabou provocando ontem um mal-estar entre os partidos da base de apoio do presidente Fernando Henrique Cardoso. No início da tarde, o deputado Inocêncio de Oliveira (PE), líder do PFL na Câmara, anunciou que tinha aceitado um convite feito pelo presidente para assumir o cargo. A notícia provocou confusão, ciúmes e vários líderes de partidos aliados do governo disseram que não tinham qualquer confirmação sobre essa nomeação. No início da noite, o próprio Oliveira anunciou que não havia recebido ainda um convite para ocupar a liderança.
Apesar da confusão, Oliveira pode ser anunciado hoje como líder. De acordo com o relato dele, Fernando Henrique chamar-oa de lado depois da reunião no Palácio do Planalto e lhe disse: Está tudo certo, vou te chamar nas próximas horas para conversarmos. Oliveira disse ter entendido, naquele momento, que estava sendo convidado para o cargo de líder do governo. Ele afirmou que deu essa interpretação às palavras de Fernando Henrique porque, depois da missa em memória de Luís Eduardo, o vice-presidente da República, Marco Maciel, dissera-lhe que estava tudo certo e ele, Oliveira, seria o novo líder do governo.
Fernando Henrique não confirmou o nome de Oliveira como novo líder do governo. Não posso confirmar porque não falei com ele, declarou Fernando Henrique, após se reunir com os líderes dos partidos que compõem a base aliada. É preciso ver qual a melhor maneira dele me ajudar, prosseguiu Fernando Henrique.
O presidente admitiu que ainda está avaliando como resolver o problema do vácuo na liderança do governo provocada pela morte súbita de Luís Eduardo. A simples sinalização de que Oliveira seria o escolhido pelo Planalto provocou ciúmes nos outros líderes partidários integrantes da base do governo. Ao deixar ontem o Planalto, o líder do PMDB na Câmara, Geddel Vieira Lima (BA), defendia uma ação conjunta de todos os líderes na mobilização pela aprovação da reforma da Previdência.
Neste momento, o importante é estarmos unidos para aprovar a reforma, sem entrar nestas questões menores de discutir se acumula ou não acumula o cargo, se alguém vai ou não para a liderança, afirmou. O peemedebista também ressaltou a neutralidade de Luís Eduardo como líder do governo. Ele sabia defender os interesses do PFL, mas estava ciente da sua participação num governo de alianças, e preservava o espaço de todos os partidos, argumentou. Foi isso que fez de Luís Eduardo um líder natural e não uma simples nomeação, alfinetou. (A.E.)





