O líder do PFL na Câmara, Inocêncio Oliveira, disse ontem que a filiação do governador Jaime Lerner e do seu grupo pode acentuar uma mudança do perfil neoliberal construído pelo partido. ‘‘A entrada do governador fortalece a ala que, assim como eu, acha que o PFL não é uma sigla neoliberal, mas social liberal ou liberal social’’, assinala.
Segundo o deputado, seria uma grande contradição achar que num país como o Brasil, ‘‘de grande desigualdades entre as pessoas, estados, municípios e regiões, pudesse defender um Estado mínimo’’. ‘‘O que defendemos, junto com Lerner, é um Estado necessário’’, discursou.
Oliveira garante ainda que Lerner não fez qualquer exigência para assinar a ficha de filiação. ‘‘Ele (Lerner) queria apenas um partido que lhe desse a liberdade de defender seus princípios, idéias e programas’’, afirma.
Para o vice-presidente Marco Maciel, integrante da ala mais conservadora do PFL, ‘‘um verdadeiro democrata tem idéias e não ideologia’’. ‘‘Nós temos um programa muito bom, moderno, que está em perfeita compatibilidade com o que o governador Jaime Lerner vem defendendo. Por isso, eu diria que o seu ingresso no partido foi algo coerente com os nossos programas’’.
Empolgado com a disponibilidade das lideranças nacionais em lhe ‘abrir’ espaços dentro do PFL, o governador disse que ‘‘o novo partido compreende um largo espectro da sociedade’’. ‘‘Eu não disputo espaço político. O espaço é a obra. Nada constrói melhor este espaço que a obra. Em vários momentos no próprio PDT me ofereceram mais espaço eu não aceitei. O espaço é construído por aquilo que a gente faz. Nós somos o que fazemos’’.
O governador negou que esteja usando o PFL como ‘trampolim’ para uma eventual disputa à presidência da República em 2.002.
Segundo ele, sua filiação no PFL também não teve como objetivo garantir ao Paraná um tratamento diferenciado do governo federal.(L.D)

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