Inocêncio diz que deixa a política
Agência Estado
Arquivo Folha‘‘Já paguei’’
Inocêncio: ‘‘Sou vítima de preconceito por parte da imprensa’’O líder do PFL na Câmara, Inocêncio Oliveira (PE), disse ontem que não vai tentar a reeleição e abandonará a vida pública. ‘‘Sou vítima de preconceito por parte de setores da imprensa, por ser nordestino de Serra Talhada, moreno e atarracado’’, reclamou. O deputado anunciou sua decisão ao participar da reunião da executiva nacional do PFL, no Recife, para o lançamento do programa Política Social para o Brasil.
‘‘A única coisa que descobriram contra mim foi a perfuração de dois poços em minhas terras pelo Denocs’’, disse. ‘‘Já paguei os dois poços e nenhum jornal publicou.’’ Ele garantiu que nunca tomou dinheiro emprestado da Sudene ou de bancos federais e reclamou que toda vez que é citado na imprensa é denegrido.
Inocêncio acrescentou que hoje ou amanhã vai informar ao presidente Fernando Henrique Cardoso e ao vice Marco Maciel que abandonará a política. Segundo ele, sua família sabe da decisão há 15 dias. ‘‘A minha decisão é inabalável, mas não irreversível’’, ressalvou. ‘‘Um político não pode usar essa palavra.’ Ele é deputado há 24 anos - seis mandatos consecutivos na Câmara.
O presidente nacional do PFL, Jorge Bornhausen, que também participou da reunião da executiva nacional, disse não concordar com a decisão e garantiu, em nome dos 3 milhões de inscritos no partido, que o líder será reeleito pela sétima vez na Câmara. ‘‘Inocêncio é o nosso candidato para ocupar a presidência na Câmara no próximo mandato’’, disse Bornhausen.
Programa O lançamento do programa de política social do PFL tem o objetivo de mudar a imagem de partido agrário, vinculado ao poder e sem preocupação com o social. ‘‘Precisamos melhorar a imagem do nosso partido para ganhar as eleições em qualquer cidade em que temos candidato’’, disse o deputado José Jorge (PE).
Bornhausen explicou que, se Fernando Henrique for reeleito, o governo deverá dar prioridade às questões sociais e o programa será de grande ajuda para preencher o vazio existente. ‘‘O PFL sempre esteve à frente das reformas econômicas e precisamos fazer uma ampla reforma no sistema de atendimento social’’, disse. ‘‘O documento apresenta mais de cem propostas sociais’’, contou Inocêncio. ‘‘Mas não é definitivo, pois o partido espera aprimorá-lo até as eleições.’’

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