Inocêncio aposta no prestígio para conseguir a presidência
O candidato do PFL à presidência da Câmara, Inocêncio Oliveira, guarda em sua gaveta, no gabinete da liderança do partido, pesquisa realizada por um instituto brasiliense que lhe conferia 39% das intenções de votos dos deputados. No levantamento feito em abril, o pré-candidato tucano Aécio Neves tinha 23% e o pepebista Severino Cavalcanti, 12%.
O ranking dos candidatos hoje é incerto, mas Inocêncio aposta no seu prestígio, alavancado ao longo de sete mandatos na Câmara, com passagens pela primeira-secretaria, vice-presidência e presidência da Casa e pela Presidência da República como interino de Itamar Franco.
O pefelista apela para Eclesiastes a fim de justificar que lutará com obstinação pelo cargo. E desta vez, diferentemente de 1997 e 1999 quando voltou a pleitear o posto, não desistirá facilmente: Há tempo para plantar e tempo para colher. Mas Inocêncio não pára de semear.
Quando está em Brasília, chega a receber em sua sala na liderança do PFL até 100 deputados durante o dia, comparece em até quatro ou cinco eventos em uma só noite. Sobrevive à maratona com um bom hábito: o de só beber água.
Vaidoso, religioso em sua dieta alimentar e com ternos sempre impecáveis, Inocêncio Oliveira é um homem bem-sucedido na vida. Uma de suas primeiras vitórias foi ser o número um da turma de formandos da Faculdade de Medicina de Pernambuco. Tenta agora manter a preferência na Câmara, prometendo abrir espaço para maior participação popular e com uma plataforma que já virou refrão dos candidatos na campanha: o Parlamento independente.
Não é à toa que o deputado Severino Cavalcanti (PPB-PE), um pernambucano de 69 anos de idade e 34 de mandato parlamentar, já entrou na campanha para presidência da Câmara com a pecha de azarão. Foi nessa condição que ele chegou à segunda vice-presidência há três anos, contra a vontade do Palácio do Planalto e à revelia do então ministro Sérgio Motta, que trabalhou em vão para derrotá-lo. Sua meta é repetir a ousadia e eleger-se presidente, agora com outro carimbo: o de candidato do baixo clero.
Tenho muito orgulho de representar a grande massa, em que se incluem figuras ilustres como o deputado José Roberto Batochio (PDT-SP) e todos os oprimidos que precisam de alguém que tenha palavra e coragem para enfrentar o Executivo e o colégio de líderes, diz Severino em campanha. Com o estilo austero de quem vive exclusivamente do contracheque de deputado (R$ 4,5 mil líquidos), ele encarna o político profissional que não tem outra fonte de renda. A conta do jantar em sua homenagem, que reuniu 117 deputados de vários partidos e regiões há seis meses, em São Paulo, foi Batochio quem pagou.
Determinado a ganhar a disputa, ele investe em um corpo-a-corpo que inclui visitas aos deputados em seus próprios Estados. É quando Severino faz questão de conversar com as esposas para atestar a vida dura de trabalho e conta bancária que os parlamentares levam em Brasília. Mas suas credenciais nem sempre vão ao sabor do corporativismo. Além de representar a bancada católica, sempre em defesa da família e contra o aborto, o corregedor da Câmara não hesita em propor a cassação de quem falta com o decoro. Foi assim, entre outros, com o correligionário Sérgio Naya (RJ). Não transijo com a falta de moral nem a com a falta de ética. (A.E.)





