Início da carreira foi como vereador
Emerson Cervi
De Curitiba
Reza a lenda que Aníbal Khury deve os 32 anos como deputado estadual a uma frase de seu pai. Em 1950, Aníbal não conseguiu se eleger para a Assembléia Legislativa. Naquele ano ele fez cerca de mil votos e ficou na nona suplência da bancada da UDN (União Democrata Nacional). Depois da derrota, seu pai, Salomão Khury, disse: Você está triste porque perdeu a eleição, agora vê se aprende a ganhar. Quatro anos depois, Aníbal foi eleito deputado estadual mais votado pela UDN e terceiro do Estado. Na eleição do ano passado, última que disputou, Khury foi o mais votado do Paraná, com 108.527 votos.
Aníbal não só aprendeu a vencer eleições, mas a se manter no centro do poder durante nove mandatos, quando assumiu o Palácio Iguaçu, interinamente, por seis vezes. Há quem diga que, no Paraná, Aníbal Khury, por várias vezes, foi sinônimo de poder. Durante as mais de três décadas na Assembléia, Aníbal Khury passou 16 anos como 1º secretário (segundo cargo em importância na Mesa Executiva) e outros 12 anos como presidente.
Nascido do outro lado da linha do trem, na cidade catarinense de Porto União, geminada com União da Vitória, no Paraná, Aníbal Khury começou carreira política em 1948, como vereador de União da Vitória pela UDN. Em 1954, 1958, 1962 e 1966 elegeu-se e reelegeu-se como deputado estadual. Ele contava que naquele período os deputados eram melhor preparados para legislar. Porém, a Assembléia era mais elitista. As representações recentes retratam melhor o Estado do Paraná, na opinião dele.
Em 1969, Khury era secretário geral da Arena (Aliança Renovadora Nacional) no Paraná, partido da Revolução de 64. Mesmo assim teve seu mandato cassado pelos militares. Passou 13 anos sem poder disputar eleições políticas. Mesmo cassado, Khury continuou fazendo política. Ele contava que 15 dias antes das eleições legislativas de 1970 foi chamado a Brasília pelo ministro da Justiça, Alfredo Buzaid. Khury pensou que o governo federal poderia lhe devolver os direitos políticos. Mas na verdade era uma ordem para que ele não participasse da campanha como cabo eleitoral de seu cunhado, Ítalo Conti, candidato a deputado federal pela Arena. Para garantir que Aníbal não participaria mesmo da campanha, o ministro registrou o ex-parlamentar paranaense no Copacabana Palace, no Rio de Janeiro, onde ele ficou até depois das eleições.
Além da UDN e da Arena, Aníbal passou pelo PTN no governo Jânio Quadros PP, PMDB, PTB e estava alojado no PFL, partido do senador Antônio Carlos Magalhães, desde 1997, onde terminou sua carreira política. A relação com ACM não é inapropriada: Aníbal sempre foi comparado com o baiano, sendo considerado o ACM do Paraná pela vasta amplitude do seu poder.
Mas, mesmo poderoso e temido, Aníbal Khury excepcionalmente não teve sempre atendidas suas vontades. Apesar de ter peso no círculo dos amigos que exercem influência sobre o governador Jaime Lerner, enfrentou em menos de meio ano duas situações desconfortáveis, no ano passado, para contrabalançar a sua trajetória de político bem-sucedido: não conseguiu emplacar o ex-governador Paulo Pimentel (PFL) como candidato a vice-governador na chapa de Lerner nem fazer valer na integralidade o seu projeto de lei que pretendia anistiar a cobrança de multas de trânsito, desde que entrou em vigência o Código Nacional de Trânsito. As multas continuaram valendo, mas Khury conseguiu, ao menos, a pequena vitória do perdão dos pontos somados na carteira dos maus motoristas.
Além da experiência em disputas partidárias e eleitorais, Aníbal Khury também teve uma atuação parlamentar marcante. Ele apresentou e conseguiu que fossem aprovadas mais de 100 leis estaduais. A mais importante é a lei de vacinação infantil em massa, de 1959. Houve ainda a lei de prorrogação do ICMS (Imposto sobre circulação de Mercadorias e Serviços), que é a base do processo de industrialização do Estado promovido pelo governo Lerner. É de Aníbal Khury a lei dos consórcios intermunicipais. Em toda carreira, ele ainda propôs o desmembramento e criação de 60 novos municípios no Paraná. (Colaborou Patrícia Zanin)





