Ingo Hubert sai pela tangente durante sabatina
O presidente da Copel, Ingo Hubert, não quis se comprometer ontem na sabatina preparada pela bancada governista para esclarecer a mensagem do governo que entrega a Companhia para a iniciativa privada. Nas duas horas em que ficou sob a mira dos deputados de oposição, Hubert se desviou de perguntas envolvendo números. Ele repassou toda a responsabilidade das respostas ao governo do Estado. Se vender as ações da Copel é um bom negócio ou não, não cabe ao presidente da companhia responder e sim a quem está realmente vendendo os papéis (o governo), declarou em plenário.
Hubert ficou fora também das discussões em torno empréstimo de R$ 1,2 bilhão requerido pelo governador Jaime Lerner (PFL) junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), para dar lastro ao Fundo de Previdência e ter fôlego em caixa para pagar o 13º. Vocês têm que perguntar isso para o secretário da Fazenda (Giovani Gionédis). O que cabe a mim é trazer à tona os conhecimentos do que está acontecendo, emendeu. Hubert disse que a Copel contabiliza hoje patrimônio de R$ 4,6 bilhões e que uma avaliação real dependeria do mercado.
A oposição ficou insatisfeita, mas foi a principal responsável pelas evasivas do presidente da Copel. Além de abrangentes, os deputados do PMDB, PT e PDT foram tímidos nos questionamentos. As discussões fugiram do texto da mensagem enviada pelo governo, já aprovada pela Assembléia desde quarta-feira, e se concentraram maiores, por exemplo, como ficará a eletrificação rural depois da privatização. Só nos cinco minutos finais é que a oposição perguntou a Hubert por quanto se pretende vender as ações da Copel e quanto a Companhia vale no mercado. Hubert não respondeu.
Numa das poucas vezes em que Ingo Hubert forneceu números, ele repassou dados conflitantes com os oficiais em relação ao número real de ações que o governo ainda detém na Companhia. Giovani Gionédis informou há 20 dias que o Paraná possui 68% em ações ordinárias (com direito a voto) e 25% em preferenciais (sem direito a voto). Ontem, Ingo Hubert, disse que o governo tem 63% do capital votante e 19% do capital preferencial. Como foram vendidos e para onde foi o dinheiro, caberia a vossa excelência perguntar ao governo, disse para Ângelo Vanhoni (PT).
O presidente da Copel defendeu a entrega Companhia para a iniciativa privada. Corremos o risco de deterioração no futuro. Precisamos nos inserir nesse mercado para termos as mesmas condições de competição com os outros, observou. Ele confirmou que meses atrás discordava da tese e que mudou de idéia. Naquela época o quadro era outro, não havia ainda a resolução do Conselho Monetário Nacional, considerou Hubert. Imaginávamos que a Copel pudesse concorrer em posição de igualdade, mas isso não será possível se não nos adequarmos, emendou.





