Ingo Hubert já teve prisão decretada no caso Olvepar
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terça-feira, 06 de abril de 2004
Luciana Pombo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Esta não foi a primeira vez que Ingo Hubert teve a prisão preventiva decretada pela Justiça. Na primeira vez, a prisão não chegou a ser consumada. Ele conseguiu um habeas corpus na Justiça três dias depois que a prisão foi decretada. Hubert e outras sete pessoas (entre elas, Molinari e Bordin) foram denunciados pelo MP por improbidade administrativa e formação de quadrilha pela compra irregular de créditos tributários indevidos da massa falida da empresa Óleos Vegetais do Paraná (Olvepar). A ação foi protocolada no dia 27 de fevereiro de 2002.
Os créditos foram comprados a ''toque de caixa'' no final do governo Lerner com o aval do então presidente Ingo Hubert, que acumulava na ocasião o cargo de secretário de Estado da Fazenda e era responsável pela transição aparentemente amistosa dos governos Lerner e Roberto Requião (PMDB). O pagamento foi feito em três vezes, todas no mês de dezembro. Os cheques foram assinados no valor de R$ 13,2 milhões cada, perfazendo um valor total de R$ 39,4 milhões.
A auditoria interna da Copel, num relatório com 400 páginas, confirmou que os procedimentos padrões não foram realizados. A transação não tinha liberação oficial em papel timbrado da Receita Estadual, o pagamento foi feito para pessoas físicas e empresas jurídicas (e não para a própria Olvepar, como deveria ter sido), os cheques não foram cruzados. Outro procedimento irregular foi o fato de um dos funcionários responsáveis por setores estratégicos da Copel ter ido até o banco acompanhando os supostos representantes legais da Olvepar, entre eles o doleiro Alberto Youssef (também citado na denúncia da Adifea).
O caso Olvepar também chamou a atenção para outras empresas, que teriam recebido dinheiro mesmo sem ter participação acionária na massa falida. Entre elas, a carioca Mix Trade Comércio Internacional que recebeu R$ 2,5 milhões. A Mix Trade é de propriedade de Rogério Figueiredo Vieira, preso ontem no Rio de Janeiro. O ex-secretário Cid Campêlo Filho e Desirée Fregonese (TC) não foram denunciados pelo MP na ação envolvendo a Olvepar.


