Ingo fracassa na defesa da privatização
O pronunciamento do presidente da Companhia Paranaense de Energia (Copel) e secretário da Fazenda, Ingo Hubert, não conseguiu convencer deputados aliados ao governador Jaime Lerner (PFL) da necessidade de vender a estatal. Ingo foi ontem à Assembléia Legislativa para explicar os motivos e a forma como o Executivo vai conduzir a desestatização da Copel. Ele repetiu os argumentos já divulgados pelo Palácio Iguaçu: que a empresa vai perder competitividade se não for vendida por causa da abertura do mercado em 2003. Com o fim do monopólio, a Copel não terá como se manter em meio a empresas fortes e com livre acesso a financiamentos. A sabatina aconteceu um dia após os deputados aprovarem requerimento pedindo a sua demissão.
Apesar do secretário-chefe da Casa Civil, Alceni Guerra, e do líder do governo, Durval Amaral (PFL) admitirem a existência de problemas de caixa, Ingo disse que a empresa não está sendo vendida para cobrir rombos de caixa como pintam com cores sombrias os detratores do governo e sim para cobrir o déficit previdenciário, que é de R$ 90 milhões por mês. O objetivo é capitalizar a Paraná Previdência, o fundo de previdência dos servidores estaduais que já recebeu injeção dos royalties de Itaipu. São 80 mil funcionários inativos, que consomem R$ 90 milhões por mês. A venda da Copel é a saída para resolver esse déficit, admitiu, depois de afirmar que o Paraná enfrenta dificuldades, sim. Apesar de fontes ligadas ao Palácio Iguaçu afirmarem que o governo terá problemas para honrar a folha de pagamento dos servidores dentro dos próximos meses, Ingo disse simplesmente que o governo tem dinheiro para esse fim, como sempre teve.
Sérgio Spada (PSDB), Marcos Isfer (PPS), Moysés Leônidas (PSB), Tony Garcia (PPB) e Algaci Túlio (PTB) todos da base de sustentação disseram que continuam contra a privatização e não vão recuar. Já o deputado Ricardo Chab (PTB) que se posiciona contra afirmou que só muda de opinião se o governo provar que a venda da empresa é a salvação do Estado. Garcia continua apostando na criação da CPI da Copel, e acredita que a comissão poderá ser instalada na próxima semana. Os argumentos de Hubert não provocaram nenhuma reação, resumiu Túlio. A oposição saiu ainda mais convencida de que vai conseguir revogar a Lei 12.355/98, que autoriza o Estado a vender a empresa. Ele veio aqui e saiu chamuscado. Não convenceu ninguém, atacou o líder da oposição, Waldir Pugliesi (PMDB).
O objetivo da aprovação do requerimento pedindo a demissão de Ingo da presidência da Copel era criar um clima desfavorável. Ele tem que ficar constrangido de vir aqui, alfinetou Nereu Moura, líder do PMDB. Não reconhecemos mais nele a figura de presidente da estatal, arrematou Túlio. Ingo não se mostrou abalado e disse apenas que foi à Assembléia com boa vontade.
Entretanto, o líder do governo, Durval Amaral (PFL), acredita que o governo tem votos suficientes para impedir a revogação. Segundo ele, são necessários 28 deputados, mas a base chegará a 32. A Lei 12.355 prevê que os recursos decorrentes da venda da estatal sejam usados primordialmente da seguinte forma: 70% na área previdenciária e 30% em educação, saúde, segurança, geração de empregos e outros investimentos.





