INFORME FOLHA: Repercussão na bancada do Paraná
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terça-feira, 11 de junho de 2019
Luis Fernando Wiltemburg - Grupo Folha 
Repercussão na bancada do Paraná
A FOLHA procurou alguns deputados federais do Paraná nesta segunda-feira (10) para entender a repercussão dentro do Congresso Nacional das conversas reveladas pelos aplicativos de mensagens Telegram e supostamente obtidas por um hacker. Principal apoiador de Jair Bolsonaro em Londrina e região, Filipe Barros (PSL) questionou em seu Twitter a obtenção das conversas privadas de Moro, Dallagnol e outros procuradores da Lava Jato. “Uma coincidência gigantesca os celulares de Moro e do Desembargador Relator da Lava Jato serem invadidos por hackers e, logo em seguida, o site de esquerda 'The Intercept' divulgar supostas mensagens de membros da força-tarefa. Eu não costumo acreditar em coincidências”, escreveu o deputado.
Reação de esquerda
O deputado Ênio Verri (PT), com base política em Maringá, disse que as conversas comprovam que existia "um judiciário politizado, que defendia um projeto político contrário ao do PT." Para a deputada federal e presidente nacional do Partido dos Trabalhadores, Gleisi Hoffmann, as conversas divulgadas pelo site corroboram a versão de “um projeto de politização do Judiciário para atingir o PT e a candidatura de Lula”. “O que vimos das conversas entre os procuradores [da República] e da posição do Moro, que devia ser isento, é muito grave, porque dá uma carga diferente ao processo”, afirmou.
Abuso de autoridade
Líder do centrão na Câmara Federal, Ricardo Barros (PP) vê nas conversas divulgadas pelo Intercept excessos por parte dos envolvidos nas mensagens, o que justifica a aprovação de projeto de lei que inibe abuso de autoridade. Na rede de microblogs, Barros publicou que o vazamento é “a operação lava-jato (sic) provando seu próprio veneno”. Em outra postagem, o ex-ministro da Saúde voltou a defender a lei. “Esperamos a defesa intransigente dos direitos individuais que a constituição nos garante. Ninguém está acima de ninguém. Os fins não justificam os meios”, tuitou.
No Senado
Para o senador Alvaro Dias (Pode) as mensagens não comprometem qualquer prova usada para condenar envolvidos na Lava jato. Para ele, o que houve foi um "verdadeiro crime de invasão de privacidade" e os invasores devem ser responsabilizados por agirem ao longo do tempo com o objetivo de enfraquecer a Lava Jato. Até o início da noite de segunda-feira (10) os senadores Flavio Arns (Rede) e Oriovisto Guimarães (Pode) não haviam se pronunciado sobre o conteúdo.
Orlando Bonilha em semiaberto
Ainda depende da análise do Gaeco (Grupo de Atuação especial de Combate ao Crime Organizado) o pedido feito pela defesa do ex-vereador Orlando Bonilha de cumprir a pena em regime em semiaberto. A ideia é tentar benefícios de um acordo de delação premiada, mesmo sem entregar novos fatos. Isso porque a defesa sustenta que ele colaborou com a investigação denunciando esquema de propina na Câmara Municipal de Londrina à época, antes de ser cassado pelos pares. Bonilha cumpre pena na PEL (Penintenciária Estadual de Londrina) de 20 anos de reclusão desde o dia 9 de maio por decisão do juiz da VEP (Vara de Execuções Penais), Katsujo Nakadomari. O magistrado despachou documento no último dia 5 de junho admitindo que aguarda análise dos promotores do Gaeco sobre o pedido.


