INFORME FOLHA
O busto da discórdia
O busto do ex-reitor da UFPR (Universidade Federal do Paraná) Flávio Suplicy de Lacerda, que foi derrubado, pichado e arrastado nas ruas de Curitiba por manifestantes em 2014, e estava guardado desde então, vai voltar ao local de origem, no pátio da Reitoria. Só que agora haverá um placa embaixo da estátua explicando os acontecimentos ligados a ela. A primeira vez que a estátua foi arrancada foi em 1968, em protesto de estudantes durante a ditadura militar. Em 2014, o percurso foi repetido em "descomemoração" ao aniversário do golpe de 1964. Lacerda foi ministro da Educação e assinou os acordos entre Brasil e EUA vistos como uma forma de retirar conteúdos críticos do currículo escolar.
Meio termo
Dentro da UFPR, se criou uma celeuma nesses três anos. Havia gente contra a reposição do busto pelo que Lacerda representou para o regime militar. Outros consideram que a homenagem é válida por ele ter sido reitor. A decisão da universidade, tomada ontem, foi um meio termo entre essas duas visões. Será criado o chamado "Museu do Percurso", em quatro pontos da UFPR que foram ligados à ditadura. O primeiro é no Edifício José Munhoz de Mello, antiga sede da Polícia Federal, marcado por duros atos de repressão. O segundo, o busto de Lacerda na Reitoria. O terceiro, também na Reitoria, será uma placa lembrando o cerco dos estudantes em 1968. E, por fim, o quarto será um busto no prédio histórico em homenagem ao professor José Rodrigues Vieira Netto, que teve o mandato de deputado cassado e chegou a ser preso pelo regime militar.
Sigilo da fonte
O ministro Edson Fachin, do STF (Supremo Tribunal Federal), pediu que a PGR (Procuradoria-Geral da República) apure se houve crime na divulgação de conversa entre o jornalista Reinaldo Azevedo e a empresária Andrea Neves, interceptada na Operação Patmos e tornada pública mesmo sem trazer fatos conexos à investigação. O pedido partiu do próprio jornalista ao encaminhar ao STF uma reclamação formal diante do que considerou violação do direito constitucional ao sigilo da fonte. "Os fatos narrados merecem rigorosa apuração, especialmente à luz do inafastável e integral respeito ao sigilo da fonte e demais garantias constitucionais próprias do Estado de Direito e da liberdade", afirmou o ministro Fachin no despacho desta quinta-feira (25).
Homenagem retirada
O Ministério da Defesa resolveu excluir do "Quadro da Medalha da Vitória" os ex-deputados José Genoíno Neto (PT), a partir de 26 de abril de 2011, e Valdemar Costa Neto (PR), a partir de 9 de maio de 2005. A decisão é assinada pelo ministro Raul Jungmann e foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) desta quinta-feira (25). A portaria não explica os motivos que levaram à cassação da homenagem.
Esposa absolvida
A mulher do ex-deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ), a jornalista Cláudia Cruz, foi absolvida nesta quinta (25) pelo juiz Sérgio Moro, responsável pela Operação Lava Jato em Curitiba. Ela era acusada de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Em sua defesa, Cláudia afirmou que a responsabilidade sobre os recursos que usava era do marido, e não dela. E que não sabia da origem do dinheiro. Cunha está preso desde outubro de 2016. Há informações de que ele estaria negociando um acordo de delação premiada.
Odebrecht Ética
A Odebrecht lançou nesta quinta (25) uma nova versão do seu disque-denúncia, um serviço no qual é possível relatar suspeitas de irregularidades praticadas no grupo. Chamado "Linha de Ética", o novo canal terá duas grandes mudanças em relação ao serviço que existe desde 2014: o atendimento será feito por uma empresa especializada e os denunciantes poderão acompanhar a evolução da investigação. Até agora o serviço era operado pela própria Odebrecht, o que poderia provocar receio de que as irregularidades relatadas não fossem apuradas. O serviço faz parte dos compromissos da Odebrecht para criar uma companhia ética. A Odebrecht confessou em acordos que movimentou R$ 10,6 bilhões em pagamentos ilícitos entre 2006 e 2014.





