INFORME FOLHA
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quinta-feira, 06 de abril de 2017
Equipe da Folha com agências<br>[email protected] 
Bandeira distante do povo
Pesquisa recém-divulgada pela Fundação Perseu Abramo, ligada ao PT, revela que muito do discurso do partido não encontra respaldo entre eleitores pobres que já votaram na sigla. O resultado mostra que os eleitores não veem a existência de uma luta de classes em que patrões exploram trabalhadores. Percebem ricos e pobres no mesmo barco contra um inimigo comum: o Estado taxador e burocrático que não entrega serviços de qualidade. Haveria uma "ideologia do mérito" e a identificação com histórias de superação e sucesso, levando a uma admiração tanto por Lula quanto pelo prefeito de São Paulo, João Doria.
Ideais restritos
Preocupado em ascender socialmente de forma individual, tal eleitor restringiria seus ideais de comunidade a dimensões de família, vizinhos e igrejas (principalmente neopentecostais). Os eleitores entrevistados indicaram ainda o que a Perseu Abramo chamou de "sobrevalorização" do mercado sobre o Estado, um "liberalismo das classes populares". "[O eleitor] tem a igualdade de oportunidades como ponto de partida e a defesa do mérito como linha de chegada. Trata o mercado como instituição mais crível que o Estado, a esfera privada mais relevante que a pública e cultiva mais o individualismo do que a solidariedade. Tem como valores prioritários o sucesso, a concorrência, o utilitarismo e mercantilização da vida", diz o estudo.
Descompasso no discurso
Como se não bastassem tais indicativos da desconexão entre discurso petista e eleitorado, a fundação verificou ainda que conceitos usados pelo partido, como esquerda, direita, conservadorismo e progressismo são indefinidos ou inexistentes para o público. "O campo democrático-popular precisa produzir narrativas contra-hegemônicas mais consistentes e menos maniqueístas ou pejorativas sobre as noções de indivíduo, família, religião e segurança", conclui o estudo. O centro de estudos entrevistou 63 moradores da periferia de São Paulo que votaram no PT de 2000 a 2012, mas não sufragaram Dilma Rousseff em 2014 nem Fernando Haddad em 2016.
Nova classe trabalhadora
O presidente da Perseu Abramo, Marcio Pochmann, diz que o resultado lança luz sobre a nova classe trabalhadora brasileira, proveniente sobretudo do setor de serviços, e não da indústria, esta historicamente ligada ao PT. "É um segmento relativamente novo para o partido, que ascendeu e passou a ter expressão eleitoral. Cabe, portanto, conhecê-lo melhor, entender sua lógica de funcionamento", disse.
Representação contra Bolsonaro
Parlamentares da oposição protocolaram uma representação contra o deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) sob a acusação de ter praticado crime de racismo durante uma palestra realizada no Clube Hebraica, na zona sul do Rio, na última segunda-feira (3). Na ocasião, o parlamentar fez afirmações preconceituosas e jocosas sobre negros, indígenas, mulheres, gays, refugiados e integrantes de ONGs.
Nem pra procriador serve mais
Na peça, os petistas afirmam que, durante a palestra, Bolsonaro disse que tinha ido a um quilombo e que o "afrodescendente mais leve lá pesava sete arrobas". "Não fazem nada. Eu acho que nem para procriador ele serve mais." O deputado teria dito ainda que o governo gastava mais de R$ 1 bilhão por ano com os quilombos, e que, se ele fosse eleito presidente da República, não iria "ter nenhum centímetro demarcado para reserva indígena ou para quilombola".
Já é réu no Supremo
Se entender que houve crime, a Procuradoria-Geral da República poderá entrar com um pedido de abertura de inquérito contra o deputado no Supremo Tribunal Federal (STF). Bolsonaro já é réu no Supremo sob a acusação de incitação pública ao crime de estupro, por ter declarado que "não estupraria a deputada federal Maria do Rosário (PT-RS) porque ela não mereceria".
Grupo gay apoia Bolsonaro
"Aqui, bicha louca não tem voz". Assim se apresenta o grupo Gays de Direita. Com 2.138 seguidores em sua página no Facebook, ele é formado em São Paulo por militantes homossexuais que apoiam a candidatura do deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) à Presidência da República. "Todos nós apoiamos o Bolsonaro pela situação em que o País se encontra. Só ele, em meio a toda essa bagunça, mantém o patriotismo e a consciência de que o País está acima de tudo", afirmou o arquiteto Clóvis Junior, de 30 anos. O grupo foi fundado há cerca de um ano e já recebeu uma mensagem de apoio do deputado. "Estamos de acordo em 90% das publicações. Se depender de mim, gay vai ter arma para se defender", afirma Bolsonaro na publicação.


