INFORME FOLHA
Repúdio
O Conselho Municipal de Transparência e Controle Social de Londrina aprovou nota de repúdio à conduta do vereador Jamil Janene (PP) e do secretário municipal de Planejamento, Daniel Pelisson, durante audiência pública para prestação de contas do segundo quadrimestre deste ano, realizada em 28 de setembro. Para o conselho, houve "tentativa de constrangimento" à advogada Roberta Queiroz, do Conselho Municipal do Meio Ambiente. Àquela ocasião, o secretário do prefeito Alexandre Kireeff (PSD), ao ser questionado sobre pagamento de precatórios pela advogada, insinuou que a pergunta atendia a interesses da "oposição": "Você está lendo bem a propaganda da oposição, que eu estou vendo, né",disparou Pelisson. Mas, logo tratou de prestar os esclarecimentos.
Não quer entender
Como a advogada permanecia em dúvida e retornou a pergunta, Jamil Janene, presidente da Comissão de Finanças da Câmara, que conduzia a audiência, interrompeu e atacou: "É que você não quis entender, moça, me desculpe. Ele (Pelisson) acabou de falar que nós, quando votamos os precatórios (
) Ele (Pelisson) falou que está está sendo negociado no Tribunal de Contas e no Tribunal de Justiça". Roberta, educadamente, explicou que se tratava de audiência pública e que os cidadãos têm direito de fazer perguntas, de obter as respostas e de ser tratados com respeito. "Só que a gente precisa que as pessoas, quando a gente dá a resposta, entenda também. Só que tem as pessoas que querem entender e as que não querem entender. Aí, é diferente", retrucou Janene.
Espero o quarto mandato
Diante de nova tentativa do posicionamento da advogada, o pepista novamente tomou a palavra: "Tenho meu posicionamento político. Sou firme e quem me deu o mandato pra mim foi o povo. Agora, eles vão decidir domingo, se quer eu de volta ou não. Já me deram três mandatos. E espero que me dê o quarto. E se não der, eu respeito porque nós vivemos num país democrático brasileiro (sic)". A audiência ocorreu numa quarta-feira e as eleições seriam no domingo. Janene não obteve o quarto mandato.
Despreparo
Na nota de repúdio, publicada na edição de quinta-feira do Jornal Oficial do Município, o Conselho de Transparência, presidido por Vera Suguihiro, escreve que "o questionamento sobre pretensas ou eventuais vinculações políticas de cidadãos presentes à audiência que realizam perguntas sobre os dados expostos é mais do que uma afronta à cidadania, é uma afronta ao próprio espírito da lei" e que "independentemente de suas convicções políticas e partidárias, todo cidadão tem direito a comparecer às audiências e realizar seus questionamentos sem ser exposto a insinuações de caráter meramente político reveladoras do despreparo de alguns gestores públicos em relação aos mandamentos da transparência e do controle social". Para finalizar, o conselho requereu do prefeito e da Câmara "medidas capazes de impedir que tais tentativas de constrangimento voltem a acontecer" em situações como essa justamente porque se o objetivo é dar transparência às contas públicas as pessoas devem ser estimuladas a participar delas e, não, constrangidas.
Repúdio a Reinaldo Azevedo
A ocupação (para uns) ou invasão (para outros) de escolas públicas no Paraná ultrapassou as fronteiras do Estado. Conhecido por textos polêmicos, o jornalista Reinaldo Azevedo afirmou em seu blog na Revista Veja, no último dia 24, que o "Conselho Tutelar de Londrina virou comitê comunista, rasgou o ECA, ao incentivar invasão e impedir oacesso de pais a escolas invadidas". Em resposta, a Associação Paranaense do Ministério Público (APMP) emitiu nota de repúdio contra o jornalista, que afirmou que os Ministérios Públicos (estadual e federal) teriam ficado inertes frente às ocupações, incorrendo, segundo o Azevedo, na prática do delito de prevaricação. "A APMP repudia veementemente ataques levianos e infundados que visam a macular a imagem dos membros do Ministério Público e da própria Instituição, que atua em assuntos de relevante interesse social", afirma a nota.
Diálogo e mediação
Diferentemente do que escreveu Reinaldo Azevedo, frisa a APMP, o Ministério Público do Paraná, "fazendo uso do diálogo, da mediação e do respeito mútuo como ferramentas de negociação entre as partes envolvidas, tem-se pautado no sentido de compatibilizar os postulados constitucionais da livre manifestação de pensamento, com o exercício regular do direito daqueles que não participam das manifestações, buscando o estabelecimento de alternativas e soluções pacíficas para o caso". Por fim, a Associação reitera que os "agentes ministeriais da comarca de Londrina agiram em consonância com a orientação expedida pelo Centro de Apoio Operacional das Promotorias da Criança e do Adolescente e da Educação, do Ministério Público do Paraná, inexistindo qualquer desídia ou omissão, como assacado pelo jornalista".





