Desconfiança
A temporada de convenções partidárias entrou na última semana e até a próxima sexta-feira serão intensas as conversas em busca de consenso para as alianças. É na montagem das chapas proporcionais que estão as maiores dificuldades, em razão dos cálculos para o quociente eleitoral. Os partidos que contam com pré-candidatos mais "famosos" ou que já exercem o mandato, são vistos com desconfiança.

Sintomas
Essa desconfiança ficou evidente com o resultado das convenções deste fim de semana, onde siglas menores conseguiram avançar e definir as coligações para concorrer ao Legislativo. Enquanto PSD, partido que está no poder, e PSDB, que tem candidatos à reeleição, saíram dos encontros sem fechar as alianças, o PTC já acertou chapa com PCdoB, PTN e PSDC.

Exceção
Entretanto, a formalização da aliança majoritária e proporcional entre PP e PTB, com as bênçãos do ministro da Saúde, Ricardo Barros (PP), e do deputado federal, Alex Canziani (PTB), criou uma chapa onde, pelo menos, três candidatos vão tentar a reeleição.

Milhões aos partidos
O Fundo Partidário pagou R$ 65,9 milhões aos 35 partidos políticos com registro definitivo no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em julho deste ano. O PT recebeu R$ 7,9 milhões; PMDB obteve R$ 6,5 milhões e o PSDB recebeu R$ 6,7 milhões. Já os valores captados com o pagamento de multas eleitorais no mês de junho, o PT, o PMDB e o PSDB também foram os partidos que mais receberam.

Dinheiro público
O Fundo Especial de Assistência Financeira aos Partidos Políticos, o Fundo Partidário, é composto por multas e penalidades em dinheiro aplicadas de acordo com o Código Eleitoral e outras leis vinculadas à legislação eleitoral; doações de pessoa física ou jurídica; e dotações orçamentárias da União. Ou seja, dinheiro público abastecendo políticos, através dos partidos.

Letícia Sabatella
Deputados da oposição e também da base aliada ao governador Beto Richa (PSDB) condenaram os ataques sofridos pela atriz paranaense Letícia Sabatella durante uma manifestação contra a presidente afastada Dilma Rousseff (PT) em Curitiba, no domingo. "Ficou demonstrado que um setor minoritário da sociedade atingiu um padrão de comportamento que destoa de toda e qualquer regra civilizatória. O que se viu não tem relação com embates políticos. O que se viu foi uma manifestação do estágio de evolução humana de um grupo", disse Tadeu Veneri (PT).

Polêmica
Em discurso na tribuna, o petista chegou a exibir o vídeo em que um homem usa palavras machistas e de baixo calão, como "vagabunda", para hostilizar Sabatella, que passava pela Praça Santos Andrade, quando foi abordada pelos manifestantes. O presidente da Assembleia Legislativa (AL), Ademar Traiano (PSDB), então reagiu, pedindo que Veneri autorizasse a retirada dos termos das notas taquigráficas do plenário. "Eu entendo o seu protesto, mas para preservar a Casa…No momento em que diz isso na tribuna parece que está se equiparando à pessoa lá fora", argumentou.

Defesa
Para o líder do governo na Casa, Luiz Cláudio Romanelli (PSB), "a sociedade está vivendo a
‘Era da Intolerância’. "O fato é que a agressão contra Letícia, infelizmente, acaba sendo confundida com a postura de todo um movimento e sabemos que não é assim. Há outros casos de ofensas contra pensamentos diferentes, mas devemos respeitar quem é contra ou a favor da presidente Dilma. Temos que buscar construir um outro tipo de relação na sociedade brasileira", afirmou.

Cunha entrega chaves
O deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) entregou nessa segunda-feira (1º) as chaves da residência oficial da presidência da Câmara. Ele perdeu o direito a usar o imóvel ao renunciar ao comando da Casa, no dia 7 de julho. As chaves foram entregues por Cunha à administradora da residência oficial, Bernadette Soares. Como os outros deputados, porém, o parlamentar afastado ainda tem direito a um apartamento funcional. Na semana passada, o peemedebista chegou a promover um churrasco de despedida para os funcionários da residência. Disse, porém, que ele próprio arcou com as despesas do evento. Agora, o novo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), poderá ocupar a residência oficial.

Número de partidos
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, afirmou nessa segunda (1) que o Brasil precisa de uma reforma política que diminua o número de partidos, além de baratear o custo das campanhas e dar maior legitimidade ao sistema representativo. A declaração foi dada durante evento promovido pela Fundação Estudar, criada pelo megainvestidor Jorge Paulo Lemann.
"No sistema brasileiro o eleitor não sabe quem elegeu para o Congresso e o parlamentar não sabe por quem foi eleito. Falta ‘accountability’, nenhum país resiste a essa incongruência", comentou. "O Brasil vive uma multiplicação de partidos, que são apropriados privadamente, não têm autenticidade programática e vivem de acesso ao fundo partidário e venda do tempo de TV", acrescentou.

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