INFORME FOLHA
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sexta-feira, 01 de julho de 2016
Equipe da Folha com agências<br>[email protected] 
Sermão
Em meio aos discursos dos deputados estaduais e federais aliados de Beto Richa (PSDB) enaltecendo os investimentos que serão feitos na construção do Hospital da Zona Oeste, durante a cerimônia de assinatura da doação do terreno da PUC-PR para o governo estadual, ontem pela manhã, no campus de Londrina, o arcebispo emérito dom Albano Cavallin deixou o seu recado. Último a falar antes de Richa, defendeu um tratamento mais humanizado nos hospitais, especialmente da rede pública. "Em se tratando de hospital, o que vale não são os convênios, é a pessoa humana. Todos os serviços devem ser feitos com humanização. O hospital não precisa só de dinheiro, precisa de amor no atendimento", afirmou dom Albano. E pediu à PUC que "não caia na tentação da medicina apenas moderna, tecnológica".
Rouco
Richa chegou ao hall de entrada da PUC por volta das 9h30, dobrando na mão a gravata, que havia acabado de tirar. Instantes antes de conceder a coletiva à imprensa, avisou aos jornalistas que estava um pouco rouco. A agenda do governador em Londrina teve início na quinta-feira à noite, por causa da festa dos 70 anos da Sociedade Rural do Paraná.
Sem censura
Depois de percorrerem 9.000 quilômetros e participarem de 25 audiências na Justiça, jornalistas da "Gazeta do Povo", de Curitiba, conseguiram suspender o andamento das ações por danos morais movidas por dezenas de juízes e promotores do Estado contra eles. A decisão de paralisar os processos, considerados pelo jornal uma "ação orquestrada" e criticados por entidades de imprensa, foi dada pela ministra Rosa Weber, do STF (Supremo Tribunal Federal), na última quinta-feira. "É uma vitória. Nossos cinco profissionais finalmente voltam a ter uma rotina normal de trabalho, de vida", afirmou o diretor de redação da Gazeta do Povo, Leonardo Mendes Júnior.
Supersalários
Os magistrados e promotores afirmam terem sido ofendidos por uma reportagem sobre os "supersalários" da categoria, publicada em fevereiro. Na avaliação dos autores, a matéria foi "tendenciosa" e "irresponsável", já que sugeriu que a categoria cometia irregularidades. O jornal usou dados públicos para mostrar que, na soma, a remuneração de juízes e promotores ultrapassava o teto constitucional. A categoria argumenta, porém, que férias, 13° e outros benefícios não se somam ao teto. Eles entraram com 48 ações individuais de dano moral em 19 cidades do Paraná.
Abuso de autoridade
E por falar em abuso de autoridade, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Gilmar Mendes, defendeu ontem a aprovação do projeto de lei que trata desse tema, desengavetado pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). De acordo com o ministro, a proposta "nada tem a ver com a Lava Jato" e faz parte de um conjunto de propostas feitas pelo Judiciário. "O Brasil tem um catálogo de abuso de autoridade que vai de A a Z. Isso vai do guarda da esquina até, às vezes, o presidente da República", disse. O ministro lembrou que a legislação que trata deste tema é de 1965 e é "quase ingênua" para os tempos de hoje. O ministro defendeu a proposta ao dizer que as autoridades do País devem estar submetidas a regras, e se violar tais regras, devem ser punidas.
Ausente
Representado na solenidade da PUC Londrina, ontem, pelo secretário de Saúde, Gilberto Martin, o prefeito Alexandre Kireeff (PSD) disse via redes sociais que foi orientado pela assessoria jurídica a não participar por causa das restrições do período eleitoral, "mesmo não sendo candidato à reeleição". Na verdade, conforme o calendário oficial, a partir de hoje, 90 dias antes da votação, é vedado aos pré-candidatos "comparecer a inaugurações de obras públicas". Portanto, mesmo declarando-se fora da disputa, Kireeff vai cumprindo as regras eleitorais.
Contramão
O Ministério Público (MP) do Paraná apresentou à Justiça de Guarapuava (Centro-Sul) denúncia contra 22 pessoas investigadas pela Operação Riquixá, sobre uma suposta organização criminosa no segmento de concessão de transporte coletivo urbano. Dentre os acusados estão o ex-prefeito de Guarapuava, Luiz Fernando Ribas Carli, ex-assessores da gestão 2009-2012, além de empresários do ramo de transporte e o advogado Sacha Reck, cuja família é ligada à Logitrans, de Curitiba. Parte dos investigados já teve decretado o bloqueio de seus bens em quantia correspondente ao lucro previsto no contrato, que corresponde a R$ 9 milhões. Seis pessoas foram presas na deflagração da Riquixá, esta semana.
Improbidade
O MP também fez um aditamento à ação civil pública apresentada em 2013, acrescentando seis novos réus e provas. Na ação inicial, formularam-se pedidos de imposição de pagamento de multa, ressarcimento ao erário, suspensão dos direitos políticos, perda do cargo e proibição de contratar com o Poder Público. O MP também requereu a condenação por pagamento de danos morais de até R$ 1,5 milhão, individualmente.
O valor total da ação ultrapassa R$ 195 milhões.


