Pessuti
Expulso três vezes do PMDB paranaense e reintegrado à legenda por força de liminar, em 22 de março, o diretor administrativo do Banco de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), Orlando Pessuti (PMDB), esteve ontem na Assembleia Legislativa (AL) do Paraná, em Curitiba, para fazer uma apresentação institucional da entidade. Em entrevista no comitê de imprensa, ele contou que não tem intenção em se desfiliar e que comprará a briga com o grupo ligado ao senador Roberto Requião (PMDB), seu adversário político. Também garantiu que defenderá o lançamento de outra candidatura à Prefeitura de Curitiba que não a do deputado estadual Requião Filho (PMDB).

Disputa
"O diretório estadual, de forma irregular, arbitrária e truculenta, me desfiliou do partido e, por três vezes, a Justiça me refiliou. Estamos aguardando decisão do Poder Judiciário e da executiva nacional para que possamos reassumir o comando da estrutura partidária no Estado", afirmou. O peemedebista reiterou que já está na sigla há 50 anos e que não tem intenção de sair, como fizeram seus ex-correligionários Luiz Cláudio Romanelli, Alexandre Curi, Jonas Guimarães, Artagão Jr. e Stephanes Jr. "Entendi que deveria permanecer, lutando para retomar o comando do partido", completou.

'Fantasma político'
Requião Filho rebateu as declarações do ex-governador com ironia. "Não tenho interesse em vida após a morte. Esse cidadão (Pessuti) já morreu politicamente e insiste em espernear por aí, em qualquer espaço que lhe dão. Infelizmente a Assembleia abriu espaço hoje (ontem) para um fantasma político, mas faz parte do jogo e vamos aguardar. Não tenho conhecimento da atual situação dele. Acho que já foi expulso umas três vezes do partido e insiste. Parece frieira esse rapaz", disse. "Eu fico muito chateado de perder os dois votos que o Pessuti tem em Curitiba, dele e do filho", completou.

'Madame mais honesta'
Em sua delação premiada, o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado afirmou que a Petrobras é "a madame mais honesta dos cabarés do Brasil". Ele afirmou que essa metáfora significava que a estatal era um "organismo bastante regulamentado e disciplinado". Machado afirmou aos investigadores que havia um modelo tradicional de cobrança de propina, mas que ultimamente esse limite começou a ser extrapolado. O ex-presidente da Transpetro disse que, nos contratos, existiam o "custo político", ou seja, um percentual de qualquer relação contratual entre empresa privada e poder público a ser destinado a propinas. Conforme ele, o percentual é de 3% no nível federal, de 5% a 10% no nível estadual e de 10% a 30% no nível municipal. "Que recentemente, em todos os níveis de governos, as pessoas saíram desse padrão e foram além, envolvendo a estrutura das empresas estatais e dos órgãos públicos, o que antes não acontecia; que o depoente não deixou a Transpetro sair do 'modelo tradicional'".

Estatais
O plenário da Câmara dos Deputados aprovou na madrugada de anteontem projeto de lei que estabelece novas regras de administração das empresas estatais com o objetivo, segundo seus defensores, de aperfeiçoar a gestão e a transparência de empresas públicas e sociedades de economia mista. A chamada lei de responsabilidade das estatais, porém, é classificada pelos partidos de oposição como o ponto de partida para a privatização dessas empresas. A votação foi simbólica, sem registro nominal de votos. Como foi modificado, o texto volta para nova análise no Senado.

Alterações
Assim como no Senado, a Câmara aprovou alterações que afrouxam as regras inicialmente previstas para limitar as indicações políticas para cargos de comando nas estatais. O governo de Michel Temer trabalhava para alterar a determinação de que, no mínimo, 25% dos membros do conselho de administração das estatais sejam independentes e não tenham vínculo com a empresa ou com a sociedade de economia mista. Esse índice caiu para 20%. O projeto determina que os presidentes dos conselhos de administração e diretores das empresas devem comprovar experiência profissional mínima de dez anos no setor de atuação da empresa ou experiência mínima de quatro anos em cargos de direção ou chefia superior.

Direção partidária
O texto da Câmara abre a possibilidade de profissionais liberais também ocuparem esses cargos, mediante tempo mínimo de atuação. Os deputados também derrubaram a proibição do texto do Senado de que pessoas com atuação em direção partidária ou em eleições nos 36 meses anteriores pudessem ser indicados para o conselho de administração e diretorias das estatais. O texto da Câmara, por fim, amplia a possibilidade de publicidade e patrocínio da empresa pública e da sociedade de economia mista - de 0,5% da receita operacional bruta do exercício anterior para 1%. As normas definidas pelo projeto deverão ser aplicadas a toda e qualquer empresa pública e sociedade de economia mista da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos municípios com receita operacional superior a R$ 90 milhões.

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