Grana extra
O ex-vereador Célio Guergoletto procurou a FOLHA ontem para se manifestar sobre a decisão do Tribunal de Contas (TC) do Paraná, determinando a devolução de remuneração extra recebida pelos parlamentares em 1995, que repercutiu junto ao eleitorado, à época, como o décimo terceiro salário. Guergoletto, que era presidente da Casa, não havia sido localizado pela reportagem para comentar o acórdão do TC noticiado ontem.

Todos pegaram
Segundo o ex-presidente, todos os demais vereadores aprovaram o ato da Mesa Executiva que criou a gratificação de Natal. "Se houvesse um contra, eu não pagaria, mas não teve. Todos concordaram, mas depois veio a polêmica e alguns começaram a devolver. Não roubei nada, fiz algo transparente e por recomendação do procurador jurídico." Guergoletto disse não ter devolvido o dinheiro (cerca de R$ 4,5 mil brutos) por entender que havia legalidade no ato e para não prejudicar os vereadores que decidiram buscar a manutenção do direito na Justiça.

No banco
Guergoletto confirmou que depositou o dinheiro do décimo terceiro em uma conta bancária até o desfecho jurídico do caso. "Não estou preocupado com a grana, se a Justiça mandar, devolverei sem problemas, e mesmo que eu ganhe lá na frente eu vou dar esse dinheiro para uma instituição de caridade. Reconheço que cometi um erro, que hoje eu não faria." Conforme noticiado ontem pela FOLHA, o TC determinou a devolução dos valores recebidos pelos parlamentares e emitiu parecer pela reprovação das contas referentes a 1995. O advogado dos vereadores disse que deve recorrer.

‘Fora Rossoni!’
O deputado estadual e líder da oposição Requião Filho (PMDB) defendeu, durante sessão plenária realizada ontem de manhã na Assembleia Legislativa (AL), o afastamento de Valdir Rossoni da chefia da Casa Civil do governo Beto Richa (PSDB). "O chefe da Casa Civil hoje é indiciado por peculato, por se apoderar de salários de funcionários, porém o moralizador esqueceu de moralizar seu próprio quintal", criticou Requião Filho, sobre a denúncia de que Rossoni teria mantido funcionários fantasmas na AL, entre 2007 e 2010. Curiosamente, Rossoni ficou conhecido como o "caçador de fantasmas" no escândalo dos Diários Secretos. "O razoável seria que ele pedisse o afastamento do cargo, pedisse licença e devolvesse o dinheiro", sugeriu o peemedebista.

‘Assessor Bolsa-Família’
O deputado estadual Marcio Nunes (PSD) exonerou ontem João Luiz Dissenha do cargo de assessor parlamentar. Para trabalhar em Campo Mourão, reduto do deputado, ele recebia R$ 2.539, mas acumulava também R$ 79 de Bolsa-Família destinado mensalmente a famílias carentes. "Fiquei sabendo do caso há alguns dias e fui atrás. Ele me disse que requereu o benefício quando estava desempregado, mas que não abriu mão quando veio trabalhar. Eu lamento, mas tive que exonerar", contou Nunes.

Doador de campanha
Marcio Nunes frisou que contra ele não há nenhuma suspeita e que tomou a decisão com a seriedade que o caso merece. "Que sirva de exemplo para todos", disse o deputado. A denúncia foi encaminhada ao Ministério Público Federal e o ex- assessor, agora, responderá processo pela fraude. Segundo Nunes, Dissenha trabalha com ele desde o início do mandato, há um ano. Antes disso estava desempregado, mas mesmo assim doou dinheiro para eleger o deputado. Segundo a prestação de contas no Portal da Transparência do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) o ex-assessor doou R$ 2.340 para a campanha.

CPI não propõe indiciamentos
Após mais de um ano de funcionamento, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do HSBC, criada para investigar contas não declaradas de brasileiros na Suíça, encerrou ontem os trabalhos, aprovando, simbolicamente, o relatório do senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES). O texto não prevê indiciamentos, mas pede celeridade nas investigações conduzidas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público sobre suposta prática de evasão de divisas. Ferraço esclareceu que não houve indiciamentos por causa da dificuldade de órgãos, como a Secretaria de Tecnologia e Informação (Prodasen) e departamentos especializados em tecnologia da própria Polícia Federal, em examinar arquivos criptografados encaminhados à comissão pela Justiça francesa.

‘Luz’
Para o relator da CPI do HSBC, a falta de indiciamentos não indica fracasso da comissão. "A CPI colocou luz, agendou o tema e fez com que os órgãos de Estado acelerassem o processo de investigação", disse o senador, destacando que as investigações acerca do episódio conhecido como Swiss Leaks devem continuar aprofundadas pelos órgãos de fiscalização e controle que podem chegar aos indiciamentos. "Esses órgãos têm acordo de cooperação direto com a Suíça", acrescentou.

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