CNBB teme confronto
Temendo confrontos físicos entre partidários da presidente Dilma Rousseff e da oposição nas próximas manifestações, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) pede diálogo aos políticos para encontrar uma saída à crise. Segundo a cúpula do órgão, os políticos têm o dever de fortalecer a governabilidade e é inadmissível que alimentem a crise econômica com enfrentamento político. No entanto, a CNBB reitera que o discurso não é uma defesa à presidente Dilma, que sofre um processo de impeachment. "Não é tarefa da CNBB se posicionar sobre o impeachment. Somos a favor da democracia e da dignidade. Estamos preocupados, pois, hoje, há quase uma ‘desvontade’ em encontrar caminhos", afirma dom Leonardo Steiner, secretário-geral da conferência.

Ânimos acirrados
A presidência da entidade acredita que os ânimos no país estão acirrados e que os políticos temo dever de evitar um possível confronto, ideológico e físico, em prol do diálogo. "O Congresso e os partidos têm responsabilidades. Caso o país fique ingovernável, será difícil manter a paz social. Às vezes, as pessoas perdem o bom senso e o respeito ao outro. A sociedade deve buscar o melhor dialogando, não se ferindo", diz dom Murilo Krieger, vice-presidente da entidade. A CNBB tem tentado evitar comentários sobre as investigações de corrupção tocadas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público. Por outro lado, pede que as apurações continuem. "É uma posição da Igreja não ter uma posição político partidária. O que esperamos é que sempre se preserve a constituição e a legislação", afirma dom Sergio da Rocha, presidente da CNBB.

Impeachment nas redes sociais
Os grupos pró-impeachment seguem buscando adesão nas redes sociais pelo afastamento da presidente Dilma Rousseff. O Movimento Vem Pra Rua, por exemplo, criou o chamado "Mapa do Impeachment" onde é possível saber supostamente qual a posição dos parlamentares brasileiros sobre o tema. O mapa aponta quem é a favor, quem está indeciso e os contrários ao afastamento da petista em cada estado. Já o Movimento Parlamentar Pró-impeachment traz um abaixo-assinado on-line, cuja adesão teria alcançado mais de 1,6 milhão de pessoas.

PSD forte em Londrina
A troca do secretário de Estado do Desenvolvimento Urbano Ratinho Jr. do PSC para o PSD também deve aumentar as chances de reeleição do prefeito de Londrina, Alexandre Kireeff (PSD). A avaliação é do deputado estadual Cobra Repórter, um dos oito parlamentares da Assembleia Legislativa (AL) do Paraná que optaram por seguir o chefe da pasta. "(O Norte do Estado) é uma região onde o PSD é muito forte. Tem o prefeito e vários pré-candidatos. Vou acompanhá-lo por conta dessas questões. E o Kireeff está fazendo um bom trabalho; conseguiu resgatar a credibilidade da cidade. Vamos para somar", completou.

Ney, o ‘independente’
"Não sou da bancada de apoio do governador e não sou consultado sobre esse tipo de mudança". Do deputado estadual Ney Leprevost (PSD), sobre a possível troca de Eduardo Sciarra (PSD) por Valdir Rossoni (PSDB) na Casa Civil. Apesar de compor agora o chamado "blocão" de Ratinho Jr. na Assembleia Legislativa (AL), que deve contar com oito membros do PSD e quatro do PSC, o parlamentar fez questão de frisar que seguirá uma postura de independência na Casa.

PSB defende novas eleições
A cúpula do PSB reuniu-se ontem com a bancada do partido na Câmara dos Deputados para discutir a atual crise política. Ficou decidido que a sigla defenderá a realização de novas eleições para presidente da República e vice-presidente simultaneamente às eleições municipais deste ano. Em relação ao impeachment da presidente Dilma Rousseff, o partido tomará decisão mais adiante, apesar de deputados afirmarem que a maioria da bancada é favorável ao impedimento da petista. Os quatro indicados para integrar a comissão que julgará a admissibilidade do processo se comprometeram a seguir a posição a ser definida pela legenda. "Preferimos, ao invés de impeachment, a realização de novas eleições", disse o presidente do PSB, Carlos Siqueira.

STF perdoa João Paulo Cunha
O Supremo Tribunal Federal (STF) concedeu ontem ao ex-deputado João Paulo Cunha (PT-SP) perdão de sua pena pela condenação no esquema de corrupção do mensalão. A decisão abre brecha para que outros oito dos 24 condenados que também pediram ao STF a absolvição da pena no escândalo também sejam beneficiados. Os ministros entenderam que João Paulo se enquadra no indulto de natal, que foi assinado pela presidente Dilma Rousseff no final de 2015. Os ministros não fizeram considerações sobre o pedido e apoiaram a aplicação do indulto. Em 2012, em seu julgamento mais longo, o STF condenou 24 pessoas por participação no esquema que desviou dinheiro público para abastecer a compra de apoio político no Congresso no início do governo Lula. Na época do desvio, João Paulo era presidente da Câmara. Ele foi condenado a seis anos e quatro meses de prisão e pagou multa de R$ 909 mil.

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