Informe Folha
"Construí bases eleitorais que trabalharam com afinco para elegê-lo, e fui relegado a segundo plano assim que ele assumiu"
Descontente
O deputado federal Alfredo Kaefer deixa o PSDB. Depois de 12 anos ele alega descontentamento com os rumos do partido, em nota publicada no seu site. "Foi uma decisão difícil. Sempre fui companheiro de primeira ordem do governador Beto Richa, desde os tempos em que era prefeito de Curitiba. Trabalhei para que disputasse a eleição para o governo do estado em 2010. Construí bases eleitorais no Oeste, Sudoeste e Noroeste do Estado que trabalharam com afinco para elegê-lo, e fui relegado a segundo plano assim que ele assumiu", diz, se referindo-se especialmente ao fato de ser alijado do comando da sigla no Estado. Na nota, ele criticou até o ajuste de impostos aprovado pelo governo estadual.
Justa causa
Kaefer afirma que não deve ingressar em um novo partido, por enquanto. Segundo ele, a Executiva Nacional do PSDB concedeu uma carta liberatória por "justa causa", assinada pelo presidente Senador Aécio Neves, que o desligou do partido "para ingressar em outra sigla sem problemas e sem ameaças de prática de infidelidade". O presidente do PSDB no Paraná, Ademar Traiano, não foi localizado para comentar as declarações do ex-correligionário.
Mais mudanças
Na esteira das mudanças, a semana teve também a saída da vice-governadora Cida Borghetti do Pros, partido que ela presidia desde 2013. O cunhado dela e secretário estadual de Planejamento, Silvio Barros, já havia deixado o PHS, onde estava desde 2014. A movimentação nas siglas já evidencia que os olhares dos políticos miram as próximas eleições municipais. Com as mudanças dos prazos eleitorais para esse ano, é provável que muitas migrações aconteçam até o final do mês de março.
10 Medidas
A campanha "10 Medidas contra a Corrupção" superou, na última quarta-feira, a marca de 1,3 milhão de assinaturas de cidadãos que apoiam as propostas do Ministério Público Federal para reforçar o combate a desvios de recursos públicos e fraudes contra o Tesouro. As sugestões de alteração legislativa serão entregues ao Congresso Nacional em forma de projeto de lei de iniciativa popular, a exemplo do que ocorreu com a Lei da Ficha Limpa. O objetivo é atingir 1,5 milhão de assinaturas em todo o País.
Contra a corrupção
A campanha foi inicialmente desenvolvida pela força-tarefa da Operação Lava Jato e depois referendada por uma comissão instituída pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Os procuradores mobilizaram praticamente todos os estados e municípios em busca de adesões a um projeto que avaliam crucial para agilizar o cerco a corruptos e a fraudadores. A proposta contempla metas como a criminalização do enriquecimento ilícito; o aumento das penas e crime hediondo para corrupção de altos valores; a celeridade nas ações de improbidade administrativa; a reforma no sistema de prescrição penal; a responsabilização dos partidos políticos; e a criminalização do caixa 2, entre outros ajustes.
Conta comigo
Investigado na Lava Jato, o ex-deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP) quis rebater, em depoimento à Polícia Federal, declaração do dono da UTC, Ricardo Pessoa, afirmando que teria ouvido do petista a expressão: "Se precisar de algo, pode contar comigo". Para se defender, Vaccarezza afirmou que a expressão nada mais é do que "um jargão político". Ricardo Pessoa aponta que acionou Vaccarezza, ex-líder dos governos Lula e Dilma na Câmara, para interferir a favor da UTC junto ao Comitê de Obras Irregulares (COI), ligado a Comissão Mista de Orçamento do Congresso. O empreiteiro afirmou ainda à PF que fez doação eleitoral para Vaccarezza, mas que não sabe afirmar se efetivamente ele interferiu no COI em favor da UTC.
Não lia e-mail
O petista nega qualquer ação para favorecer a empreiteira. "Que nega ter realizado qualquer interferência no COI a pedido e ou a favor da UTC, que não possui conhecimento de qualquer relatório do TCU em desfavor da UTC por irregularidades na refinaria Getúlio Vargas." O ex-deputado afirmou ainda que não recebeu qualquer ligação de Ricardo pessoa, nem e-mail como pedido de interferência no COI, mas que seu e-mail público não era lido por ele, mas pela secretária. A PF investiga se empreiteiras teriam sido favorecidas na fase de elaboração da lista de obras do governo federal, que contém indícios de irregularidades graves, uma atribuição do COI, que pode ficar com recursos bloqueados.
Termômetro
A votação na noite da última quarta-feira na Câmara dos Deputados da Medida Provisória 692, que elevou as alíquotas da tributação incidente sobre ganhos de capital, serviu como um termômetro político para votação de propostas do governo que preveem aumento da carga tributária, como a da emenda constitucional que recria a CPMF. Líderes da oposição e da base aliada avaliam que a derrota sofrida pelo Executivo, com a aprovação de alíquotas mais brandas do que as desejadas pela equipe econômica, é um indicativo da dificuldade que o governo enfrentará para aprovar a volta do tributo.





