INFORME FOLHA
PUBLICAÇÃO
sábado, 30 de janeiro de 2016
Equipe da Folha com agências<br>[email protected] 
Pancadaria no Legislativo
A Polícia Civil de Cornélio Procópio (Norte Pioneiro) registrou ontem boletim de ocorrência a pedido de Márcio Montanha Amaral, ex-assessor do prefeito Fred Alves (PSC), acusando o ex-aliado de tê-lo agredido na Câmara de Vereadores da cidade. O incidente ocorreu no fim da manhã de ontem, depois de o prefeito dar sua versão à Comissão Processante (CP) sobre o pagamento do aluguel de um palco pela administração municipal que não chegou efetivamente a ser instalado. Alves foi exonerado em 2015 da Diretoria de Turismo durante Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que apurava a aquisição de 50 caixas de isopor, a um custo de R$ 6,8 mil, que nunca foram entregues. As informações são do portal Bonde.
Versões
De acordo com o boletim de ocorrência, Amaral teria ido buscar um amigo de Telêmaco Borba que prestava serviços na Câmara de Cornélio na hora do almoço quando Alves saía do prédio. Ele afirma que o prefeito o ofendeu e desferiu socos no pescoço e braço esquerdo, além de chutar a perna esquerda. Amaral prometeu ao portal Bonde que enviaria fotos das marcas de agressões, mas não havia feito até o fechamento da edição. Uma fonte ligada a Alves, entretanto, disse que Amaral tem atacado a administração desde sua exoneração e que teria ido à Câmara atrapalhar a oitiva do prefeito. O boletim de ocorrência foi encaminhado para o Tribunal de Justiça, por se tratar de prefeito, que tem foto privilegiado.
Histórico semelhante
Esta não é a primeira vez que Fred Alves é acusado de agressão. Em janeiro de 2015, o diretor do jornal "Semanário do Paraná", Fábio Cardoso Ferreira, acusou o prefeito de tê-lo agredido em seu gabinete quando foi cobrar a publicação de uma matéria positiva para a administração local. Na ocasião, Ferreira disse que Alves virou a mesa contra ele e passou a agredi-lo. O prefeito, por outro lado, afirma que o dono do jornal foi achacá-lo e negou a agressão: "Eu me levantei, disse que não me submeto a extorsão ou achaque. Mas, ao me levantar, bati na mesa e ela tombou", justificou há um ano.
Sobrou para Joaquim Barbosa
Durante a visita do vice-presidente Michel Temer em Curitiba, sobrou até para o ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa. Durante a sua fala, o coordenador de comunicação da OAB/PR, Ernani Buchmann, cobrou a instalação do Tribunal Regional Federal da 6ª Região no Estado. "Graças a uma afirmação falaciosa do ex-presidente do STF, Joaquim Barbosa, que irresponsavelmente afirmou que as instalações custariam R$ 8 bilhões, quando sabemos que não vão gerar mais do que 6% do que ele afirmou, a instalação foi adiada e até hoje não temos uma solução para isso."
Resposta
Sem entrar na polêmica entre advogados e Joaquim Barbosa, o vice-presidente Michel Temer preferiu a diplomacia. "Sou advogado e vivi muito tempo da advocacia. Sei o quanto o Tribunal Federal é importante para a rapidez processual. Vou levar este assunto para frente", comprometeu-se Temer, que esteve na capital, fortalecendo a campanha pela liderança do PMDB nacional.
CPI do BNDES
O sub-relator da CPI do BNDES para contratos internos, Alexandre Baldy (PSDB-GO), propôs o indiciamento do presidente do banco, Luciano Coutinho, e de outros membros do comando do banco que aprovaram financiamento à empresa do pecuarista José Carlos Bumlai, amigo de Lula preso na Operação Lava Jato. Baldy argumenta, no relatório protocolado ontem, que eles autorizaram financiamento, aditamento dos contratos e repactuação dos contratos das empresas do Grupo São Fernando desrespeitando as normas internas do banco. A empresa de Bumlai recebeu crédito de R$ 101,5 milhões em julho de 2012, apesar de já ter sido alvo de um pedido de falência apresentado à Justiça em novembro de 2011 por um fornecedor que levou calote numa dívida de R$ 523,2 mil.
Tráfico de influência
O relatório também diz que há "suspeitas de tráfico de influência" no banco na escolha das empresas beneficiadas pelos financiamentos. Esse documento ainda terá que ser analisado pelo relator da CPI, deputado José Rocha (PR-BA), que decidirá se vai acatar ou não suas recomendações em seu relatório final.
A comissão deve se encerrar neste mês de fevereiro, com a votação do relatório final. O BNDES já negou irregularidades no empréstimo a Bumlai e na condução do banco. Coutinho, em depoimento à CPI, disse que nunca houve interferência de Lula no banco e que, durante sua gestão, o banco avalia em bases técnicas o risco e as garantias dos projetos. Sobre o empréstimo à empresa de Bumlai, o BNDES sustenta que seguiu todas suas regras e não houve excepcionalidade.


