Velho discurso
Reportagem da FOLHA publicada nesta edição retrata bem o perfil do político brasileiro. Alheios ao que pensa o eleitor, boa parte dos prefeitos da Região Metropolitana de Londrina afirma que vai disputar a reeleição em outubro "para dar continuidade ao trabalho realizado". O mais curioso foi a comparação feita por um deles sobre não disputar o pleito e deixar o caminho livre para outros candidatos: "Não posso arrumar a cama para outro deitar!".

Erundina lança novo partido
Não bastasse as 35 siglas partidárias no País, a deputada federal Luiza Erundina (PSB-SP) aproveitou ontem o Fórum Social Mundial de Porto Alegre, que reúne movimentos sociais e organizações de esquerda, para lançar seu novo partido: o Raiz Movimento Cidadanista. Nas eleições municipais de outubro, a Raiz pode concorrer com integrantes filiados oficialmente a outras siglas, como PSOL, PCdoB e Rede. Erundina continuará filiada ao PSB enquanto a nova organização não receber o aval do Tribunal Superior Eleitoral, que exige quase 500 mil assinaturas de apoiadores, em ao menos nove estados, para ratificar a fundação.
Erundina disse que a motivação para liderar a criação da Raiz foi o "envelhecimento" do sistema político tradicional e o fato de não ter conseguido fazer avançar a reforma política em seus cinco mandatos como deputada.

Construtora cria programa de delação interna
A Construtora Camargo Corrêa, alvo da Operação Lava Jato por cartel na Petrobras, criou um sistema inédito entre as empreiteiras para aprimoramento de controles internos da companhia. O Programa Interno de Incentivo à Colaboração (PIIC) permite a todos os seus profissionais, inclusive àqueles que já deixaram a empresa, colaborar na identificação de atos ilícitos ligados aos fatos investigados na Lava Jato.A medida representa um avanço estratégico da Camargo Corrêa em seu compromisso com a Justiça de eliminar qualquer resquício do modelo desmontado pela força-tarefa da Polícia Federal e da Procuradoria da República.

Limpar o nome
A empreiteira, empenhada em desligar seu nome do maior escândalo de corrupção do País, já se havia antecipado em outra frente importante - foi a primeira citada no cartel da Petrobras a firmar acordo de leniência com o Ministério Público Federal e com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), órgão antitruste do governo. O PIIC oferece a possibilidade aos executivos da construtora de colaborar voluntariamente, "reportando e comprovando, diretamente a consultores especializados e independentes, sua participação em eventuais irregularidades". O prazo de adesão se encerra em 19 de fevereiro.

Apoio jurídico a colaborador
Em contrapartida à participação do colaborador, a Camargo Corrêa irá oferecer apoio jurídico e se compromete a não aplicar sanções de ordem legal, a que ela possa ter direitos, em decorrência dos atos praticados. Os participantes do programa poderão requerer as proteções previstas nos acordos de colaboração firmados com o Ministério Público Federal e com o Cade. Este benefício só poderá ser obtido mediante sua aceitação e homologação pelas autoridades competentes.

Quintão desiste
Aconselhado pelo vice-presidente Michel Temer, o deputado Leonardo Quintão (MG) desistiu ontem de se candidatar à liderança do PMDB na Câmara para apoiar o atual líder, Leonardo Picciani (RJ), que tentará a reeleição. Com a decisão, o deputado fluminense terá agora apenas um adversário na disputa: o deputado Hugo Motta (PB), cuja candidatura foi articulada pelo presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). De acordo com o parlamentar mineiro, sua "missão" agora será levar a unidade em prol da reeleição de Temer para a presidência nacional do PMDB, posto que ocupa desde 2001. A convenção nacional da legenda está prevista para março.

Audiência acaba em bate-boca
A audiência para ouvir testemunhas da Operação Zelotes sobre suposta "compra" de medidas provisórias no governo federal terminou em bate-boca entre a defesa e a acusação dos réus ontem. Após a sessão ser suspensa, houve discussão entre o procurador José Alfredo de Paula, da força-tarefa que conduz a investigação, e o advogado Roberto Podval, defensor do lobista Mauro Marcondes Machado e da mulher dele, Cristina Mautoni.

‘Não sou palhaço, não’
No fim da audiência, logo após trocar algumas palavras com Mauro Marcondes, o procurador disse ao advogado: "Fui falar com o seu cliente, mas não o estava ameaçando". A declaração fez referência a denúncia feita por Podval de que um dos investigadores da Polícia Federal na Zelotes visitou o lobista na cadeia e o chantageou para que fizesse delação premiada. Caso contrário, conforme o defensor, seria feito pedido de transferência de Cristina Mautoni da prisão domiciliar para o regime fechado. Dias depois da visita, houve o pedido de transferência e a Justiça o aceitou. A PF nega tenha ocorrido pressão sobre o réu. Na audiência, Podval reagiu ao procurador: "Achou que era brincadeira aquilo? Vai brincar? Eu não brinquei. Não sou palhaço, não".

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