INFORME FOLHA
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quinta-feira, 21 de janeiro de 2016
Equipe da Folha com agências<br>[email protected] 
Xisto em questão
O suposto fechamento da Unidade de Industrialização do Xisto, da Petrobras, localizada em São Mateus do Sul (Sudeste), mobilizou empresários e lideranças políticas do município que foram ontem ao Palácio Iguaçu em busca de apoio para manter a empresa funcionando. O governador Beto Richa (PSDB) se comprometeu a convocar a bancada federal do Paraná e pedir uma audiência com o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, para conversar sobre o assunto. Segundo o prefeito interino de São Mateus do Sul, Clóvis Distéfano, a unidade da Petrobras possui mil empregos diretos e três mil indiretos e, caso seja fechada, traria impacto a 16 mil pessoas. Outro golpe seria na arrecadação municipal e estadual. A unidade recolhe aproximadamente R$ 98 milhões em impostos e royalties. Desse total, R$ 20 milhões ficam em São Mateus do Sul, e R$ 60 milhões são repassados ao governo do Estado. Segundo Distéfano, o valor representa 48% da renda do município de 45 mil habitantes.
Dilma testemunha na Zelotes
O juiz da 10ª Vara Federal de Brasília, Vallisney de Souza Oliveira, autorizou ontem que a presidente Dilma Rousseff seja ouvida como testemunha de defesa em um processo que apura suposta compra de medida provisória que beneficiou o setor automotivo, conforme apontado em inquérito da Operação Zelotes. Também serão intimados outros oito políticos, como o ex-senador e atual ministro da Educação, Aloizio Mercadante (PT-SP), os senadores José Agripino Maia (DEM-RN), Tasso Jereissati (PSDB-CE) e Walter Pinheiro (PT-BA) e os deputados José Guimarães (PT-CE) e José Carlos Aleluia (DEM-BA).
Por escrito
O juiz fez a ressalva de que Dilma e os outros políticos possam ser ouvidos por escrito, como previsto no artigo 221 do Código de Processo Penal. Segundo a 10ª Vara, os políticos também poderão declarar por escrito que nada sabem sobre os fatos citados na denúncia do Ministério Público Federal e, assim, poderão ser dispensados de responder a perguntas. Caso queiram dar um depoimento presencial, poderão indicar, em prévio ajuste com o juiz, hora e local. Os políticos, incluindo a presidente, foram arrolados como testemunha pela defesa do empresário Eduardo Valadão, ex-sócio do lobista Alexandre Paes dos Santos. Valadão foi preso em outubro passado e solto dois meses depois, por decisão, em habeas corpus, do ministro do Superior Tribunal de Justiça) Nefi Cordeiro.
Pizzolato pede mais frutas
Procuradores do Ministério Público Federal realizaram ontem inspeção no Centro de Detenção Provisória (CDP), na Papuda, em Brasília, para verificar as condições em que cumpre pena o ex-diretor de marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato, condenado no mensalão. Eles verificaram o pátio onde os presos tomam banho de sol, as celas e até uma nova biblioteca que tem funcionado para Pizzolato oferecer aulas de alfabetização a outros presos. "Pela quantidade de idosos e considerando que muitos apresentam problemas de saúde, Pizzolato pediu maior variedade de frutas e alimentação mais saudável", destacou o site da Procuradoria.
Bom relacionamento
Condenado na Ação Penal 470 (Mensalão) a 12 anos e sete meses de prisão por peculato, lavagem de dinheiro e corrupção passiva, o ex-diretor de marketing do Banco do Brasil foi extraditado da Itália em 23 de outubro de 2015. Pizzolato divide cela com o publicitário Ramon Hollerbach, também condenado no mensalão, e segundo a Procuradoria-Geral da República "tem mantido um bom relacionamento com os outros presos". Os membros do Ministério Público Federal fizeram fotos dos locais visitados com objetivo de instruir um relatório que será encaminhado à Justiça italiana, evidenciando as condições a que ele está submetido.
Acordo de leniência
O Tribunal de Contas da União (TCU) cobrou explicações à Controladoria Geral da União (CGU) sobre o acordo de leniência firmado com a Engevix, empresa acusada de fazer parte do esquema de corrupção da Petrobras. Em despacho assinado na terça-feira, o ministro Bruno Dantas concedeu um prazo de cinco dias para a Secretaria Executiva da CGU prestar esclarecimentos. Há um ano, a Engevix negocia um acordo de leniência com o governo. Basicamente, a empresa propõe colaborar nas investigações sobre os atos de corrupção na Petrobras para, em troca, continuar prestando serviços ao governo e disputando licitações públicas.
Barusco confirma reunião com Dirceu
O ex-gerente da Petrobras Pedro Barusco, delator na Operação Lava Jato, confirmou em depoimento ontem, em Curitiba, que participou de reuniões com o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, também detido, para falar sobre negócios da estatal. Mas afirmou que não tratou de propina com o petista. Questionado sobre o ex-tesoureiro do partido José Vaccari Neto, o ex-gerente disse que negociou com ele valores das propinas. Barusco voltou a afirmar que estava envolvido com o esquema de propina na Petrobras desde 1997, no governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002). O advogado de Barusco, Antonio Figueiredo Basto, disse que não há argumento que possa vincular Dirceu ao processo.


