Youssef popstar?
Era só o que faltava. Presos na Operação Lava Jato distribuíram autógrafos as duas vendedoras ambulantes que passaram uma noite na carceragem da Polícia Federal, em Curitiba. Segundo revelou o jornal "O Globo", as comerciantes Naiara Maria da Silva e Carlene Bezerra Braga, a Baixinha -, deixaram a carceragem na terça-feira à tarde. Emocionadas, carregavam uma camiseta com assinaturas e mensagens do doleiro Alberto Youssef, do ex-deputado federal Pedro Corrêa, da doleira Nelma Kodama e de sua funcionária Iara Galdino. "Naiara e Baixinha, Deus te abençoe, Lava a Jato. Feliz Natal", escreveu Kodama, presa há quase dois anos sob acusação de lavagem de dinheiro. "Baixinha, que Deus te abençoe", repetiu o doleiro Youssef. Também assinam a camiseta Pedro Corrêa (que deixou um singelo abraço) e Iara Galdino.

Chocolate de presente
As mulheres ainda disseram que foram presenteadas por Youssef e pelo ex-deputado com chocolate, biscoitos e um sabonete. Corrêa, aliás, teria sido responsável por dar a camiseta às duas, que se queixaram do frio na carceragem. "Nem acreditei que estava com pessoas tão poderosas. Eles são famosos", disse Baixinha.

'Deus é fiel', escreveu doleira
Kodama e Galdino ainda escreveram uma carta a ela, chamada no cabeçalho de "Querida Baixinha". "O nosso Deus é o Deus do impossível. Deus é fiel", escreve Kodama, que assina como "doleira da Lava Jato". "Vá para a sua casa... Dê um abraço do tamanho do mundo na minha cidade preferida. Logo eu também estarei em São Paulo." Segundo as mulheres, a carceragem é apertada. Elas disseram ter dividido a cela com Kodama e Iara, mas que tinham acesso a todos os presos. Youssef cuidou de uma delas "o tempo todo". "Desde as 5h30 ficou me dando comprimido, água. Passei a noite inteira chorando", disse Carlene. Procurada, a Polícia Federal não quis comentar o assunto.

Traiano justifica 'tratoraço'
O presidente da Assembleia Legislativa (AL) do Paraná, Ademar Traiano (PSDB), negou ontem que a votação no "afogadilho" de várias mensagens no final do ano tenha comprometido a análise por parte dos parlamentares. A Casa realizou oito sessões extraordinárias em dezembro, como forma de esgotar a pauta prevista para 2015. A maioria dos itens foi encaminhada pelo Poder Executivo. No entanto, matérias de autoria do Judiciário e do Ministério Público também tiveram de ser votadas às pressas.

'Prazo suficiente'
"Não é questão de ser o melhor modo. O que ocorre é que as comissões acabaram retardando o trâmite dos projetos. Eu só tenho condições de pôr na pauta a partir do momento em que elas estiverem todas analisadas e aprovadas pelas comissões permanentes", argumentou. "Não fica comprometida (a discussão) porque (o conteúdo) é de conhecimento de todos os deputados. Claro que mensagens governamentais vieram sim já com tempo bem menor do que as demais. Mas acredito que (o prazo) é suficiente. Todo governo age dessa forma. Medidas têm que acontecer muitas vezes em tempo real", prosseguiu.

Críticas
O vice-líder da oposição, Requião Filho (PMDB), porém, criticou a prática. "Infelizmente, o nosso presidente continua atendendo a todos os pedidos e demandas do governador, sem nenhum questionamento e, às vezes, fazendo interpretações duvidosas do nosso regimento. Tem um projeto de resolução alterando todo o regimento interno que é algo do estilo’ deixa como está para ver como que fica’, porque todas as alterações que poderiam ser feitas para melhorar o andamento da Casa não foram aprovadas pela comissão e não estão no relatório final", afirmou.

'Lapso'
De acordo com o peemedebista, Traiano teve um "lapso de memória" quando disse que houve tempo de se debater as proposições. "Toda essa bagunça que está tendo aqui hoje (ontem) são urgências de mensagens do governador que chegaram no último mês. E todas, se forem analisados de perto, vocês verão que têm alguma coisa que não condiz com a realidade, com a justificativa e muitas vezes nem com o texto principal."

CMO contraria Barros recompõe Bolsa Família
Depois de aprovar ontem a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para o ano que vem com uma meta de 0,48% do PIB, a Comissão Mista de Orçamento (CMO) aprovou a peça orçamentária para 2016 sem os cortes propostos pelo relator do Orçamento, deputado Ricardo Barros (PP-PR), no Bolsa Família. O texto aprovado pela comissão concede R$ 28,1 bilhões para o programa social no ano que vem. A recomposição dos R$ 10 bilhões ao programa foi aprovada por acordo na comissão.

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