"Adotei essa medida por entender que a mencionada identidade não mais se ajusta à postura atual do PT"



Impeachment na AL
A possível abertura de um processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff não passou desapercebida ontem da Assembleia Legislativa (AL). Em discursos acalorados, os deputados Pedro Lupion (DEM) e Tadeu Veneri (PT) trocaram farpas durante a sessão plenária. O primeiro criticou as pessoas que chamam de tentativa de golpe a abertura do impeachment. "O impeachment não é golpe, é um instrumento constitucional e democrático para acabar com as práticas nefastas", disse Lupion. Em seguida, ele fez menção à manifestação marcada nas redes sociais para o próximo domingo, dia 13, contra o atual governo federal. "Conclamo aqueles que não aguentam este partido, no dia 13, às 13h, para enterrarmos o 13 na Praça Santos Andrade (centro de Curitiba)", esbravejou.

'Retórica inflamada'
Em seguida, o petista Tadeu Veneri subiu à tribuna e, com ironia, falou sobre o que ele chamou de "retórica inflamada" utilizada por seu colega. "Nós não vamos enterrar o 13 como, aliás, enterraram, eu não sei o número, mas era o PFL anteriormente, para depois maquiar o nome PFL e passar a ser o Democratas. Esse mal nós não sofremos. Nós assumimos que somos petistas, do PT e não vamos precisar criar um nome fantasia Democrata", disse em seu discurso.

Assis do Couto também deixa o PT
Depois de Toninho Wandscheer, outro parlamentar paranaense anunciou sua saída do Partido dos Trabalhadores (PT). O deputado federal Assis do Couto, anunciou no final da última semana seu desligamento da legenda e sua filiação ao Partido da Mulher Brasileira (PMB). O anúncio foi feito em publicação em sua página oficial do Facebook. No comunicado divulgado na internet, o político lembra sua trajetória por 28 anos no PT e critica a postura atual adotada pela legenda. Couto, no entanto, não deixa claro se pesou na sua decisão ou não a abertura do processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff. "O Partido dos Trabalhadores é protagonista do louvável processo de superação da pobreza realizado no Brasil, alcançando a vitória de retirar o país do mapa mundial da fome (FAO/ONU). Hoje, contudo, anuncio a minha saída da agremiação. Adotei essa medida por entender que a mencionada identidade não mais se ajusta à postura atual do PT. E mais, venho suportando há algum tempo movimentos internos e desrespeitosos", ressaltou ele.

Perda do 'protagonismo'
Assis do Couto também destacou, na nota oficial, que o PT deixou de lado o "protagonismo" que fez diferença nos últimos anos. "Em junho deste ano já havia subscrito, em conjunto com outros integrantes do partido, documento que apontava a necessidade de o PT promover ações destinadas a retomar o protagonismo que produziu inúmeras conquistas em favor do povo brasileiro. Faço isso sem abandonar as convicções e propostas que pautam meu mandato", completou.

Dois nomes
Com a saída de mais um parlamentar, a bancada paranaense do PT fica restrita a apenas dois nomes: Ênio Verri (PT) e Zeca Dirceu (PT). Toninho Wandscheer já tinha anunciado sua filiação ao PMB no mês passado.

Partido fascista
Um grupo intitulado Frente Nacionalista, que é inspirado nos ideais integralistas de Plínio Salgado e nas políticas do fascista do italiano Benito Mussolini, realizará um congresso de fundação no dia 12 de dezembro, a partir das 16 horas, em Colombo (Região Metropolitana de Curitiba). Segundo o presidente do movimento, Cristiano Machado, são esperadas mais de mil pessoas, de diferentes locais do País. Ao todo, a entidade possui cerca de dois mil filiados. A expectativa é juntar a documentação necessária para pedir a regulamentação junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), podendo assim disputar eleições.

Missão
Os membros da frente selaram recentemente uma aliança com os "Carecas do ABC". Entre as bandeiras defendidas pelo grupos estão o fim da imigração, a redução da maioridade penal para 16 anos, a privatização dos presídios e a pisão perpétua para crimes hediondos. Machado garante que o movimento não é neonazista, e sim uma "terceira via política", baseada na doutrina fenaista. No site, contudo, há referências diretas a Mussolini e Salgado. "Combater o consumismo/hedonismo, o ateísmo e o pós-humanismo, as ideologias de gênero, a segregação indígena em reservas, o ambientalismo radical e o pacifismo, bem como todos os vícios da modernidade, é a missão principal da Frente Nacionalista", diz trecho do programa.

Padilha nega 'conspiração'
Após entregar o cargo, o ex-ministro da Secretaria de Aviação Civil (SAC), Eliseu Padilha (PMDB-RS) negou ontem fazer parte de uma conspiração ao lado do vice-presidente da República e presidente do PMDB, Michel Temer. Ele rebateu boatos que o colocam como um dos líderes de um "golpe" na presidente Dilma Rousseff pelas vias do processo de impeachment. "Quem me conhece e conhece o presidente Michel Temer sabe que conspiração não cabe no nosso vocabulário. Ninguém espere golpe de Michel e de mim. Não seremos parceiros de golpe nenhum", enfatizou.

mockup