"O papel da escola é trabalhar o conhecimento acumulado. O papel
da família é trabalhar valores, a questão da religião"


'A escola sempre será política'
A secretária de Estado da Educação, Ana Seres, disse ontem, em entrevista coletiva, que até o momento não recebeu nenhuma solicitação de parecer quanto ao projeto de lei 748/2015, em tramitação na Assembleia Legislativa (AL) do Paraná, instituindo o "Programa Escola sem Partido". Entretanto, adiantou que, caso seja consultada pelos deputados estaduais, defenderá a manutenção da laicidade do ensino. O texto, semelhante a outro em discussão no Congresso Nacional, tem como objetivo vedar, em sala de aula, a prática da "doutrinação política e ideológica", bem como a realização de atividades que entrem "em conflito com as convicções dos pais" ou o "natural desenvolvimento" da personalidade dos estudantes, "em harmonia com a identidade biológica de sexo".

Direcionamento
"Faço sempre uma comparação: cinquenta anos atrás as escolas eram confessionais; hoje, elas são laicas. O que se discute nas escolas? Até é possível discutir religião, mas não de forma tendenciosa ou direcionada. Nós discutimos religiosidade e espiritualidade, e conseguimos avançar ao longo do tempo. A mesma questão com gênero. Muitas vezes a comunidade ainda não está preparada para essa discussão", afirmou. "Quanto à discussão partidária, a escola é política e sempre será política", completou. De acordo com Ana, o debate é saudável, desde que não seja tendencioso, isto é, direcionado "para o partido a, b ou c". "O papel da escola é trabalhar o conhecimento acumulado. O papel da família é trabalhar valores, a questão da religião", acrescentou.

Martins descarta se afastar
Em nota oficial divulgada ontem, o deputado Luiz Carlos Martins (PSD) negou que vai pedir licença e descartou a possibilidade de se ausentar do cargo para que o primeiro suplente do partido, o delegado Rubens Recalcatti (PSD), assumisse a função. Boatos davam conta de que Martins poderia se licenciar por mais de 120 dias, para tratamento de saúde, o que permitiria ao delegado assumir o mandato. Recalcatti ficou preso por sete dias após o Grupo de Atuação Especial de Combate a Crimes Organizados (Gaeco) deflagrar uma investigação sobre sua participação e de outros policiais na morte de um suspeito de ter assassinado o ex-prefeito de Rio Branco do Sul João da Brascal. Em sua manifestação, Martins eximiu o delegado da pressão que vem sofrendo que, segundo ele, parte de "pessoas ligadas" a Recalcatti. "Nos últimos dias, pessoas ligadas ao delegado Rubens Recalcatti, suplente de deputado estadual no meu partido, o PSD, têm me procurado para pedir que cedesse meu cargo na Assembleia Legislativa por três meses para que ele ocupasse a cadeira de deputado", afirmou.

AL discute fechamento de escolas
O presidente da Comissão de Educação da Assembleia Legislativa (AL), deputado Hussein Bakri (PSC) confirmou que na próxima quarta-feira a secretária de Educação, Ana Seres, e a superintendente da Seed, Fabiana Campos, vão até a Casa debater com os parlamentares que integram a Comissão a situação das escolas no Estado e repassar um panorama do estudo que está sendo feito pelo órgão sobre a possibilidade de fechamento de alguns estabelecimentos. O assunto, inclusive, voltou a dominar os discursos dos deputados na sessão de ontem na AL. Tanto parlamentares da base aliada quanto da oposição subiram nas tribunas para, cada um com seu ponto de vista, defender ou atacar o governo sobre as medidas anunciadas pela Secretaria Estadual de Educação (Seed).

'Nós somos pautados pela mídia'
Num quase "desabafo" durante seu discurso desta terça-feira na Assembleia Legislativa, o líder do governo, Luiz Claudio Romanelli (PMDB), que já tinha criticado a veiculação do que ele chamou de "desinformação" por parte da mídia sobre as medidas anunciadas pela Secretaria de Educação, voltou a bater nesta tecla. "Se a gente for ficar baseado no que diz a mídia, da forma como se conduz, desculpem-me, mas assim não se constrói política pública", destacou. Segundo ele, ainda durante o governo Requião, em que também era líder da base aliada na Casa, "já falava aqui que a mídia queria desconstruir as políticas públicas do governo. E agora tem feito isso mesmo, da mesma forma", disse. "Não é possível que neste País não consigamos democraticamente conviver entre os diferentes. A oposição tem que questionar, cobrar, está no papel de oposição. O eu não podemos é ser pautados pela mídia. A mídia tem outros interesses, pelo menos um setor dela. Mas, indiscutivelmente a Assembleia não pode ser pautada por notícias mentirosas que acabam inflamando a opinião pública e que acaba levando ao descrédito os políticos, os deputados deste País", finalizou sem citar qual ou quais veículos foram o alvo do discurso.

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