Caso Publicano em Brasília
A Procuradoria-Geral de Justiça do Paraná (PGJ) encaminhou, em 20 de julho, à Procuradoria-Geral da República (PGR) documentação – especialmente depoimentos prestados ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Londrina – relativa ao suposto envolvimento de "autoridades com foro por prerrogativa de função" no esquema de corrupção na Receita Estadual investigado na Operação Publiano. Os nomes citados foram o do governador Beto Richa (PSDB), do conselheiro do Tribunal de Contas (TC) Durval Amaral e de seu filho, o deputado estadual Tiago Amaral (PSB). Os dois primeiros têm foro privilegiado para investigações criminais no Superior Tribunal de Justiça (STJ). O parlamentar, no Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná. Segundo a assessoria de comunicação do Ministério Público do Paraná, como os fatos têm conexão, os processos relativos aos três foram remetidos à PGR (que atua nos processos no STJ), que deverá decidir sobre eventual desmembramento para investigação ou mesmo sobre arquivamento. A PGR ainda não se pronunciou.

O esquema
Beto foi citado pelo delator do esquema de cobrança de propina na Receita de Londrina, o auditor Luiz Antonio de Souza, como suposto beneficiário das propinas. Cerca de R$ 4 milhões teriam ido para sua campanha de reeleição, em 2014. O PSDB nega qualquer irregularidade na arrecadação. Tiago Amaral recebeu doação de uma empresa fantasma (de Souza), a Masterinvest, para sua campanha. Ele também nega irregularidades. Já os fatos supostamente atribuídos ao conselheiro do TC ainda não são conhecidos.

Kireeff e os secretários
O prefeito de Londrina, Alexandre Kireeff (PSD), via assessoria de imprensa do Executivo, enviou nota à FOLHA sobre a reportagem publicada ontem ("Com Gilberto Martin, PMDB volta ao comando da Saúde") para esclarecer "que as nomeações do atual secretário municipal de Saúde, Gilberto Martin, e de seus antecessores, Mohamad El Kadri e Francisco Eugênio Alves de Souza, foram baseadas em qualificações específicas para o exercício da função. Não houve, portanto, qualquer tratativa com nenhum partido político para a definição dos referidos profissionais."

Traiano assume governo do Paraná
O deputado Ademar Traiano (PSDB), presidente da Assembleia Legislativa (AL) assume o governo do Estado a partir de amanhã. Ele fica no comando do Executivo durante o período em que Beto Richa (PSDB) estará em viagem ao exterior. O roteiro, que deve durar 14 dias, prevê passagens pela França, China e Rússia. A vice-governadora Cida Borghetti (PROS) também viaja, só que mais uma vez para a Itália. Ela retorna quatro dias antes e reassume o governo até a volta de Beto. Durante o período em que Traiano irá para o Palácio Iguaçu, quem assume a presidência do Legislativo é o vice-presidente da Casa, Jonas Guimarães (PMDB).

Oposição critica viagens do tucano
Os deputados da oposição na AL não perderam tempo e, nos discursos durante a sessão de ontem, questionaram qual será o objetivo da viagem do governador. Cobraram ainda a apresentação de um relatório com os resultados alcançados nas visitas aos países. Os oposicionistas cobram explicações porque as viagens serão custeadas com dinheiro público. Os deputados também voltaram a destacar a coincidência da viagem do tucano com o Grande Prêmio de Fórmula 1 da Rússia, que acontece no próximo domingo. A cobrança, conforme a oposição, se justificaria porque a viagem anterior do governador ao exterior coincidiu com a corrida realizada em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes. Prontamente, os deputados da base aliada na Casa se pronunciaram para defender Beto Richa e criticar as "suspeitas" levantadas pela oposição. "É um factoide. No dia 11 o governador vai estar na França, ele não vai estar na Rússia", reagiu o líder do governo, Luiz Cláudio Romanelli (PMDB).

Projeto é retirado por três sessões
O projeto que prevê a estruturação da Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados de Infraestrutura do Paraná (Agepar), e que estava na pauta de votação da sessão de ontem da Assembleia, foi retirado depois da liderança do governo apresentar um requerimento solicitando que a mensagem fique fora da ordem do dia por três sessões. O objetivo é debater as mudanças na proposta que ainda geram discussões, além da emenda apresentada pelo deputado Tercílio Turini (PPS), que cria uma espécie de "pedagiômetro", para fiscalizar a quantidade de veículos que passam pelas praças de pedágio e também o quanto é arrecadado pelas concessionárias.

Pérola de deputada na AL
A deputada Cristina Silvestre (PPS) chamou a atenção na sessão de ontem da AL, soltando uma "pérola" ao contestar o deputado Requião Filho (PMDB), durante seu discurso, que criticou o governador sobre a criação de 18 novos cargos na agência que é responsável por fiscalizar as concessionárias de pedágio. Requião questionou o governo sobre a intenção de aumentar cargos, alguns com salários acima de R$ 10 mil na Agepar, ao mesmo tempo em que anuncia que está cortando gastos. "Temos que cortar gastos e não criar novos cargos", afirmou. Logo depois, Cristina afirmou: "Esse dinheiro da Agepar não é dinheiro do governo, é o dinheiro do contribuinte", disse, para, em seguida, tentar corrigir a informação: "Do usuário (das rodovias), melhor dizendo", recebendo vaias e gargalhadas das galerias da Casa.

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