INFORME FOLHA
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 07 de outubro de 2015
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Caso Publicano em Brasília
A Procuradoria-Geral de Justiça do Paraná (PGJ) encaminhou, em 20 de julho, à Procuradoria-Geral da República (PGR) documentação especialmente depoimentos prestados ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Londrina relativa ao suposto envolvimento de "autoridades com foro por prerrogativa de função" no esquema de corrupção na Receita Estadual investigado na Operação Publiano. Os nomes citados foram o do governador Beto Richa (PSDB), do conselheiro do Tribunal de Contas (TC) Durval Amaral e de seu filho, o deputado estadual Tiago Amaral (PSB). Os dois primeiros têm foro privilegiado para investigações criminais no Superior Tribunal de Justiça (STJ). O parlamentar, no Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná. Segundo a assessoria de comunicação do Ministério Público do Paraná, como os fatos têm conexão, os processos relativos aos três foram remetidos à PGR (que atua nos processos no STJ), que deverá decidir sobre eventual desmembramento para investigação ou mesmo sobre arquivamento. A PGR ainda não se pronunciou.
O esquema
Beto foi citado pelo delator do esquema de cobrança de propina na Receita de Londrina, o auditor Luiz Antonio de Souza, como suposto beneficiário das propinas. Cerca de R$ 4 milhões teriam ido para sua campanha de reeleição, em 2014. O PSDB nega qualquer irregularidade na arrecadação. Tiago Amaral recebeu doação de uma empresa fantasma (de Souza), a Masterinvest, para sua campanha. Ele também nega irregularidades. Já os fatos supostamente atribuídos ao conselheiro do TC ainda não são conhecidos.
Kireeff e os secretários
O prefeito de Londrina, Alexandre Kireeff (PSD), via assessoria de imprensa do Executivo, enviou nota à FOLHA sobre a reportagem publicada ontem ("Com Gilberto Martin, PMDB volta ao comando da Saúde") para esclarecer "que as nomeações do atual secretário municipal de Saúde, Gilberto Martin, e de seus antecessores, Mohamad El Kadri e Francisco Eugênio Alves de Souza, foram baseadas em qualificações específicas para o exercício da função. Não houve, portanto, qualquer tratativa com nenhum partido político para a definição dos referidos profissionais."
Traiano assume governo do Paraná
O deputado Ademar Traiano (PSDB), presidente da Assembleia Legislativa (AL) assume o governo do Estado a partir de amanhã. Ele fica no comando do Executivo durante o período em que Beto Richa (PSDB) estará em viagem ao exterior. O roteiro, que deve durar 14 dias, prevê passagens pela França, China e Rússia. A vice-governadora Cida Borghetti (PROS) também viaja, só que mais uma vez para a Itália. Ela retorna quatro dias antes e reassume o governo até a volta de Beto. Durante o período em que Traiano irá para o Palácio Iguaçu, quem assume a presidência do Legislativo é o vice-presidente da Casa, Jonas Guimarães (PMDB).
Oposição critica viagens do tucano
Os deputados da oposição na AL não perderam tempo e, nos discursos durante a sessão de ontem, questionaram qual será o objetivo da viagem do governador. Cobraram ainda a apresentação de um relatório com os resultados alcançados nas visitas aos países. Os oposicionistas cobram explicações porque as viagens serão custeadas com dinheiro público. Os deputados também voltaram a destacar a coincidência da viagem do tucano com o Grande Prêmio de Fórmula 1 da Rússia, que acontece no próximo domingo. A cobrança, conforme a oposição, se justificaria porque a viagem anterior do governador ao exterior coincidiu com a corrida realizada em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes. Prontamente, os deputados da base aliada na Casa se pronunciaram para defender Beto Richa e criticar as "suspeitas" levantadas pela oposição. "É um factoide. No dia 11 o governador vai estar na França, ele não vai estar na Rússia", reagiu o líder do governo, Luiz Cláudio Romanelli (PMDB).
Projeto é retirado por três sessões
O projeto que prevê a estruturação da Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados de Infraestrutura do Paraná (Agepar), e que estava na pauta de votação da sessão de ontem da Assembleia, foi retirado depois da liderança do governo apresentar um requerimento solicitando que a mensagem fique fora da ordem do dia por três sessões. O objetivo é debater as mudanças na proposta que ainda geram discussões, além da emenda apresentada pelo deputado Tercílio Turini (PPS), que cria uma espécie de "pedagiômetro", para fiscalizar a quantidade de veículos que passam pelas praças de pedágio e também o quanto é arrecadado pelas concessionárias.
Pérola de deputada na AL
A deputada Cristina Silvestre (PPS) chamou a atenção na sessão de ontem da AL, soltando uma "pérola" ao contestar o deputado Requião Filho (PMDB), durante seu discurso, que criticou o governador sobre a criação de 18 novos cargos na agência que é responsável por fiscalizar as concessionárias de pedágio. Requião questionou o governo sobre a intenção de aumentar cargos, alguns com salários acima de R$ 10 mil na Agepar, ao mesmo tempo em que anuncia que está cortando gastos. "Temos que cortar gastos e não criar novos cargos", afirmou. Logo depois, Cristina afirmou: "Esse dinheiro da Agepar não é dinheiro do governo, é o dinheiro do contribuinte", disse, para, em seguida, tentar corrigir a informação: "Do usuário (das rodovias), melhor dizendo", recebendo vaias e gargalhadas das galerias da Casa.


