INFORME FOLHA
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 30 de junho de 2015
Equipe da Folha com agências<br>[email protected] 
Celebração prolongada
E o deputado estadual Tiago Amaral (PSB) continua sendo alvo dos servidores públicos na web. A página criada na internet com detalhes sobre o casamento do deputado em maio continua recebendo comentários nada gentis. Ontem, o topo da página trazia os dizeres "Juliana e Tiago 22/05/2015 já se passaram 39 dias". No tópico "Deixe a mensagem aos noivos", muitos recados foram publicados após a tumultuada cerimônia na igreja da Paróquia São Vicente de Paulo, em Londrina. Na ocasião, professores e servidores vítimas da violenta repressão policial no Centro Cívico, dia 29 de abril, levaram faixas e cartazes criticando Amaral por ter votado a favor do projeto do Executivo que alterou a previdência dos servidores. No último domingo, por exemplo, um internauta deixou o recado: "Espero que alguém de bom senso te ilumine. Nunca te esqueceremos. Vamos destruir sua carreira".
Francischini muda o foco
Um dos réus da ação civil pública por atos de improbidade administrativa apresentada pelo Ministério Público (MP) do Paraná, por conta dos episódios verificados no dia 29 de abril, no Centro Cívico, em Curitiba, o deputado federal Fernando Francischini (SD) não tinha, até a noite de ontem, se posicionado sobre o caso. Durante a tarde de terça-feira, ele seguiu postando, em sua conta na rede social Facebook, críticas aos governos da presidente Dilma Rousseff (PT) e ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), como costuma fazer diariamente, sem mencionar uma linha sequer a respeito do processo no qual é citado. Em um dos posts, por exemplo, o parlamentar compartilha matéria em que propõe o impeachment da petista.
Protagonista da gestão
O ex-secretário de Segurança foi, segundo o MP, o "protagonista da gestão de todos os aspectos" relacionados à repressão aos manifestantes, que naquela data protestavam contra a reforma na Paranaprevidência. Mais de 200 pessoas, a maioria professores, ficaram feridas, atingidas por balas de borracha, gás de pimenta e até mordidas de cães da raça pit bull. A FOLHA chegou a procurar Francischini, logo que soube do procedimento, via assessoria de imprensa, no entanto, não recebeu retorno.
Foro privilegiado
Além do deputado federal, são acusados o governador Beto Richa (PSDB), o ex-comandante da Polícia Militar (PM) César Vinícius Kogut, o ex-subcomandante da PM Nerino Mariano de Brito, o coronel Arildo Luís Dias e o tenente-coronel Hudson Leôncio Teixeira, do Batalhão de Operações Especiais (Bope). No caso de Beto e do ex-chefe da Segurança, que têm foro privilegiado, o MP terá de recorrer à Procuradoria-Geral da República (PGR), órgão com competência para atuar na esfera criminal.
Fachin abre mão de relatoria de inquérito do mensalão
O ministro Luiz Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), se declarou suspeito de relatar um inquérito sigiloso derivado das investigações do mensalão que tramita na Corte. Com a decisão, o inquérito foi redistribuído para o ministro Dias Toffoli. O inquérito corre sob segredo de justiça e é um desmembramento das investigações que resultaram no processo do mensalão. O caso ficou parado desde que o ex-ministro Joaquim Barbosa deixou a relatoria dos processos do mensalão. O inquérito foi, em primeiro momento, encaminhado ao ministro Luís Roberto Barroso, que já se declarou impedido. Posteriormente, foi enviado para o presidente da Corte, ministro Ricardo Lewandowski, cujo acervo de aproximadamente 1,4 mil processos foi encaminhado a Fachin, que tomou posse no último dia 16.
Joaquim Barbosa critica Dilma
O ex-ministro do Supremo Tribunal Federal e relator no processo do mensalão, Joaquim Barbosa, usou sua conta no Twitter para criticar a fala da presidente Dilma Rousseff sobre o dono da UTC, Ricardo Pessoa, delator na Operação Lava Jato. Barbosa afirmou, na noite de segunda-feira, que há algo "profundamente errado" na vida pública do país e que nunca viu um chefe de Estado "tão mal assessorado" quanto a presidente. E disse que é crime de responsabilidade atentar contra o andamento do Judiciário. Na segunda, em Nova York, Dilma disse que "não respeita delator" e negou que tenha recebido dinheiro ilícito em sua campanha. Em delação premiada, Pessoa disse que doou R$ 7,5 milhões à campanha de Dilma por temer prejuízos em seus negócios com a Petrobras. O montante foi doado legalmente.
Estrago da promiscuidade
A presidente defendeu que a Justiça, o Ministério Público e a Polícia Federal investiguem a delação de Pessoa e afirmou que tomará providências se o empresário a citar nos depoimentos. "Assessoria da Presidente deveria ter lhe informado o significado da expressão law enforcement: cumprimento e aplicação rigorosa das leis. Zelar pelo respeito e cumprimento das leis do país: esta é uma das mais importantes missões constitucionais de um presidente da República!", escreveu Barbosa. Ele defendeu que a colaboração com a Justiça - a delação premiada - é um instituto penal-processual previsto em lei no Brasil.
O relator do processo do mensalão ainda perguntou a seus seguidores se eles estão vendo "o estrago que a promiscuidade entre dinheiro de empresas e a política" causa nas instituições.


