Penas e reputações
O auditor fiscal José Aparecido Camargo, preso na segunda fase da operação Publicano, foi o único entre os 34 que estiveram ontem no Gaeco a dar declarações ao delegado e a falar com a imprensa na saída, antes de voltar ao Corpo de Bombeiros, onde está recolhido com o filho, também advogado, Fabrício Camargo. Em depoimento, negou participação no esquema. Aos jornalistas, filosofou: "Só uma coisa que eu gostaria de dizer: reputação é mais ou menos como um travesseiro de penas. Depois que você abre esse travesseiro e joga essas penas ao vento, como você pode catar a reputação depois?".

Câmara de Curitiba condenada a ressarcir cofres públicos
A Câmara de Vereadores de Curitiba vai ser obrigada a ressarcir mais de R$ 870 mil aos cofres do município e arcar com cerca de R$ 200 mil em multas. A decisão é do Tribunal de Contas do Estado (TCE), e foi proferida no final da tarde de ontem. Por unanimidade, os conselheiros aprovaram o voto do relator Ivens Linhares, responsável pelo processo que apura uma série de problemas nos gastos com serviços de publicidade na Casa. As irregularidades teriam ocorrido entre 2006 e 2011, no período em que o ex-vereador João Cláudio Derosso, ex-PSDB, exercia a presidência. O resultado diz respeito apenas ao primeiro processo do caso, que foi desmembrado em outras 58 ações que apuram diferentes problemas na licitação da Câmara para a contratação de empresas de publicidade.

Problemas na licitação
Uma das agências vencedoras foi a Oficina da Notícia, que pertencia à então esposa de Derosso, Cláudia Queiroz Guedes, e conseguiu um contrato de R$ 5 milhões. Ela também era funcionária da Câmara na época. A outra empresa que dividiu os contratos, que somavam quase R$ 34 milhões, foi a Visão Publicidade. De acordo com a auditoria do TCE, as agências receberam 5% a mais que o devido em veiculações de anúncios. O edital previa pagamento de bônus de 10% do valor do anúncio para a empresa que fizesse o serviço. O Tribunal de Contas também aplicou multas aos integrantes da comissão de licitação da Casa.

Salários dos professores universitários
Depois do governo estadual divulgar em seu Portal da Transparência, no final de maio, os salários dos professores estaduais durante a greve da categoria, a "estratégia" do Executivo voltou a ser adotada. Desta vez, o alvo da "transparência" do governo é o salário dos docentes e servidores das seis universidades estaduais que permanecem mobilizados. Segundo o site destaca, a média salarial dos servidores das instituições é de R$ 7,3 mil. É de se estranhar que tal divulgação ocorra um dia depois do líder do governo na Assembleia, deputado Luiz Claudio Romanelli (PMDB), ter anunciado que o governo formalizou uma proposta para categoria.

Dilma veta PL de aposentadoria
A presidente Dilma Rousseff vetou ontem o Projeto de Lei de Conversão 4/2015 aprovado pelo Congresso a respeito do fator previdenciário. Em nota, o Planalto informa, entretanto, que será editada Medida Provisória que assegura a regra de 85 pontos (idade+tempo de contribuição para mulheres) 95 pontos (idade+tempo de contribuição para homens), que fora aprovada pelo Congresso Nacional. "Ao mesmo tempo, introduz a regra da progressividade, baseada na mudança de expectativa de vida e ao fazê-lo visa garantir a sustentabilidade da Previdência Social", cita a nota.

Moro homologa delação de executivo
Após fazer uma série de ressalvas ao acordo de delação premiada do ex-presidente da empreiteira Camargo Corrêa Dalton Avancini e a realização de novos interrogatórios, o juiz federal Sergio Moro, que atua nas ações da Operação Lava jato, acabou homologando a peça. Isso só ocorreu depois de o réu ter prestado novos esclarecimentos. Avancini foi preso em 14 de novembro e solto em 30 de março após fechar um acordo de delação com os procuradores e delegados da Polícia Federal que atuam na Lava Jato. Avancini cumpre prisão domiciliar em São Paulo e é obrigado a usar tornozeleira eletrônica. Ele também se comprometeu a pagar uma multa de R$ 2,5 milhões, dos quais R$ 959 mil já foram quitados (eram os bens apreendidos pela PF). Um outro executivo da empreiteira, Eduardo Leite, revelou em acordo de delação que a empresa havia pago R$ 110 milhões em propinas.

PF investiga José Dirceu
A Polícia Federal (PF) investiga o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu e seu irmão e sócio Luiz Eduardo de Oliveira e Silva em supostos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro na compra de dois imóveis em São Paulo, em 2012. Um deles é o da sede da JD Assessoria e Consultoria - empresa em que passou a atuar comercialmente, após sua saída do governo, suspeita de receber propina de empresas do cartel da Petrobras, por meio de contratos fictícios. O outro é o apartamento em que Dirceu ficava quando estava na capital paulista. Investigadores da Lava Jato não encontraram lastro financeiro para a aquisição e investigam suposta relação entre as compras e os recebimentos da JD por consultorias prestadas para empresas do cartel, acusado de corrupção e desvios na Petrobras entre 2004 e 2014.

Negócio milionário
A JD recebeu entre 2006 e 2013 um total de R$ 29 milhões de empreiteiras acusadas na Lava Jato por pagarem propinas de 1% a 3% dos contratos com a Petrobras para políticos e partidos, por meio de diretores da estatal indicados pelo PT, PMDB e PP. Entre elas a Engevix, UTC e Camargo Corrêa. O inquérito 0212/2015, da Polícia Federal de Curitiba, foi instaurado em 30 de janeiro, a pedido dos procuradores da República Diogo Castor de Mattos e Deltan Dallagnol, membros da força-tarefa da Lava Jato.

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