Traídos iludidos
Para justificar a crise financeira do Paraná, o governador Beto Richa (PSDB) disse ontem que foi "traído" e "iludido" pelos números da economia divulgados pelo governo federal no ano passado, que ele considerou maquiados. O orçamento 2015, confessou ele, foi feito com base no que a União prometia. É difícil compreender essa análise agora, considerando que o tucano passou o ano passado, marcado pela disputa eleitoral com Gleisi Hoffmann (PT), comparando o desenvolvimento do Estado com a fragilidade econômica do país, governado pelo PT. Com tanto discurso, quem se ilude com a política é o eleitor.

Publicano
Para responder ao pedido de reconsideração de suas decisões que libertaram mais de dez réus da Operação Publicano, formulado pelo Ministério Público Federal (MPF), o ministro Sebastião Reis Júnior, da 6ª Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ), argumentou, em duas páginas, que o subprocurador-geral da República, Hugo Gueiros Bernardes Filho, em sua petição de 36 páginas, "não trouxe argumento capaz de modificar o entendimento manifestado na decisão hostilizada". Por isso, escreveu ele na decisão publicada ontem, a liminar que deferiu a liberdade "deve ser mantida por seus próprios fundamentos". O ministro também afirmou que decretou "medidas alternativas à prisão capazes de assegurar a garantia da ordem pública, a instrução criminal e aplicação da lei penal", como a entrega de passaportes e comparecimento periódico em juízo.

Descumprimento
No pedido de reconsideração, o principal argumento do subprocurador era o fato de o ministro ter levado em conta que o mérito dos habeas corpus dos réus ainda não haviam sido julgados pelo Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná. Tal procedimento deve ser observado pelos tribunais superiores, conforme prevê a súmula 691 do STF. O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Londrina, que deflagrou a Operação Publicano para investigar a suposta organização criminosa que agia na Receita Estadual de Londrina, também pediu reconsideração ao ministro. Até o início da noite de ontem o pedido não havia sido julgado.

Youssef do FBI
As prisões dos cartolas do futebol mundial pelas autoridades suíças e americanas têm relações íntimas com o Brasil, não apenas pela queda do ex-presidente e atual vice da CBF, José Maria Marin, mas também pela arquitetura da investigação conduzida pelo FBI, a agência de investigação dos EUA. Na nota divulgada ontem, os responsáveis pela investigação revelaram que o dono da Traffic, J. Hawilla, confessou subornos e corrupção nos contratos milionários do esporte e certamente foi decisivo para comprometer os demais envolvidos. Vale lembrar que a Operação Lava Jato, também de cifras milionárias, ganhou corpo com as revelações de outro réu confesso: o doleiro Alberto Youssef.

O império contra-ataca
Mostrando a sua vocação para imperador, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB/RJ), mandou para a fogueira o relatório final da comissão especial da reforma política sem medo de desagradar o grupo, inclusive o relator, correlegionário seu. Cunha colocou na pauta o que queria, apostou na vitória do "distritão", mas o império sofreu o contra-ataque. Perdeu.

Mudança no PSDB-PR
O deputado estadual Ademar Traiano ocupa "interinamente" o comando do PSDB estadual desde a última terça-feira. O anúncio foi feito pelo deputado federal Valdir Rossoni, que ficou por oito anos à frente do partido no Paraná, e dois anos na vice-presidência. Traiano, atual secretário-geral da legenda, já era apontado como o nome mais forte para assumir a presidência, o que deve ocorrer oficialmente no dia 14 de junho. Nessa data será realizada a convenção estadual e a eleição da nova diretoria do partido para a gestão 2015/2017.

Borrachas para deputados
Professores em greve há 31 dias promoveram um ato na tarde de terça-feira nas galerias que dão acesso ao plenário da Assembleia Legislativa do Paraná. Eles abordaram diversos deputados e entregaram para cada um uma borracha escolar embrulhada em papel de bala, com os dizeres: "Nossa bala de borracha não machuca, lhe dão a chave de acertar". A crítica relembrou o uso excessivo de balas de borracha pelos policiais militares durante o confronto do dia 29 de abril, e que deixou mais de 200 pessoas feridas.

Deputado ataca repórter
Em discurso realizado na tarde de ontem no plenário da Assembleia Legislativa (AL), para se defender das acusações da existência de funcionários fantasmas em seu gabinete entre 2001 e 2003, divulgadas em matéria veiculada pela RPC, na terça-feira, o deputado Edson Praczyk (PRB) se exaltou e atacou o repórter Marcelo Rocha, que vinha tentando entrevistá-lo desde o início da semana. Ao citar que uma funcionária de seu gabinete ganha um salário bruto de R$ 10,7 mil, Praczyk questionou a irregularidade das denúncias e emendou: "Talvez, o repórter, não lembro o nome dele, o repórter narigudo... isso, Marcelo Rocha, talvez ele não ganhe isso, o que eu respeito, mas a Micheli (funcionária) ganha".
Em outro trecho, o deputado chamou o repórter de energúmeno e, posteriormente, evitou as perguntas feitas por ele durante uma conversa com outros jornalistas.
Em nota, o Sindicato dos Jornalistas do Paraná repudia as declarações do deputado e informou que vai estudar as medidas a serem tomadas.

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