INFORME FOLHA
Semelhanças
Na operação Lava Jato, deflagrada pelas forças federais (Polícia Federal e Ministério Público Federal) há mais de um ano, o primeiro preso foi o doleiro Alberto Youssef. Na operação Publicano, coordenada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) no começo deste ano, o primeiro preso foi o auditor fiscal Luiz Antonio de Souza. Youssef e Souza, ainda privados da liberdade, decidiram falar. Ambos os delatores confirmam a existência de "organização criminosa" enraizada em estruturas públicas, Petrobras e Receita Estadual do Paraná, para desvio de dinheiro que irrigaria campanhas eleitorais. Em tempo: os dois são de Londrina.
Aprovação
As particularidades em torno das operações Lava Jato e Publicano também acontecem por parte dos implicados. Ao defenderem as arrecadações para as campanhas o PT nacional e agora o PSDB estadual afirmam que as contas foram devidamente aprovadas pela Justiça Eleitoral.
Confidência
O auditor da Receita Estadual de Londrina Luiz Antonio de Souza, que "estragou" o fim de semana de muitos colegas, empresários e políticos com a delação premiada cuja parte do conteúdo foi revelada ontem pela imprensa, também teria revelado ao Gaeco uma confidência do colega auditor Márcio de Albuquerque Lima, apontado como o chefe da quadrilha que operava em Londrina, durante o período em que permaneceram presos na unidade dois da PEL.
Coincidência
Segundo o delator, Lima teria dito que somente se entregou 40 dias após o mandado de prisão ser expedido pela 3ª Vara Criminal porque uma alta figura do governo estadual teria lhe garantido que conseguiria um habeas corpus no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Coincidentemente, Lima ficou preso apenas pouco mais de 10 dias. Em liminar, concedida pelo ministro Sebastião Reis Júnior, ele conseguiu a extensão dos benefícios da liberdade dada ao colega José Luiz Favoreto.
Livres
Praticamente todos os réus no caso apurado pela operação Publicano uma superorganização criminosa que agia na Receita Estadual de Londrina achacando empresários que sonegavam impostos estaduais foram postos em liberdade pela mesma decisão. A liberdade concedida aos réus estaria intrigando até a Procuradoria Geral da República.
Silêncio
Mesmo depois da repressão da Polícia Militar (PM) contra os servidores no Centro Cívico, que deixou a administração estadual desgastada, foi pequena a repercussão na base de apoio ao governo na Assembleia Legislativa (AL) do Paraná. Líderes do PSC, a maior bancada, confirmaram o vigor do acordo firmado nas últimas eleições. Resta saber como as recentes revelações do delator publicano vão agir sobre o Parlamento. O secretário estadual e presidente do PSC, Ratinho Junior, por enquanto silencia.
PF vítima de arapongagem
Um delegado da Polícia Federal encontrou um equipamento de escuta na sede da corporação em Curitiba, em um andar abaixo daquele em que trabalha a equipe da Operação Lava Jato. O equipamento estava próximo de uma escada que liga o segundo ao terceiro andar. Policiais da Lava Jato ouvidos pela "Folha de S.Paulo" sob condição de anonimato acreditam que eles não eram o alvo da escuta. Na visão deles, a instalação do equipamento está ligado às disputas internas pelo poder. Um grupo de delegados que perdeu poder estaria tentando derrubar o superintendente regional da PF no Paraná, o delegado Rosalvo Franco. O aparelho encontrado foi enviado a Brasília para análise.
Segundo caso
Este é o segundo equipamento de escuta encontrado na sede da PF em Curitiba desde que a Operação Lava Jato teve início, em março do ano passado. Em abril de 2014, antes de fazer o acordo de delação, o doleiro Alberto Youssef apresentou um aparelho que estava na sua cela. Sindicância da PF concluiu que o aparelho estava inativo. Após a investigação, o juiz federal Sérgio Moro concluiu que não houve violação aos direitos do doleiro porque não havia nenhuma gravação para provar que o equipamento havia sido usado.
Roberto Jefferson beneficiado
O ministro do Supremo Tribunal Federal, Luís Roberto Barroso, concedeu pedido do ex-deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), condenado no mensalão, para passar do regime semiaberto para o aberto. A decisão foi divulgada ontem e ocorreu após aval do Ministério Público para o pedido. Ele havia sido preso em fevereiro do ano passado e cumpre pena no Rio. Jefferson foi condenado no processo do mensalão a sete anos de prisão por lavagem de dinheiro e corrupção passiva. Sua defesa sustentou que ele atingiu o cumprimento de 1/6 da pena, necessário em lei para a progressão do regime. Para esse cálculo, considerou que ele está trabalhando externamente desde outubro de 2014.





