Mantendo distância
Uma semana depois da violenta repressão policial contra os professores no Centro Cívico, em Curitiba, o Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná divulgou nota para se isentar do ocorrido. "O cerco realizado no Centro Cívico ocorreu sob responsabilidade da Polícia Militar (PM)", diz a nota. Segundo o TJ, a Assembleia Legislativa (AL) não precisava buscar o interdito proibitório – que foi concedido – para evitar a entrada dos manifestantes na Casa, embora a liminar tenha sido concedida. "A presença do efetivo policial, destinado a garantir o funcionamento do Poder Legislativo, independia de determinação judicial e poderia ocorrer, nos termos do art. 108 do Regimento Interno da AL, mediante requisição direta da Comissão Executiva."

Proteção do patrimônio
O TJ finaliza a nota afirmando que a utilização pela PM das dependências do Palácio da Justiça,que também fica no Centro Cívico, teve o objetivo de conter invasão e possibilitar atividades de "observação e vigilância", para proteger a sede do TJ. O órgão lamenta as "cenas de violência ocorridas" e defende a apuração de "eventuais excessos de ambos os lados".

Vendo na TV
Embora o Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná queira se distanciar do massacre dos professores no Centro Cívico, ressaltando, inclusive, que a Assembleia Legislativa poderia recorrer por si mesma ao reforço policial, vale lembrar que no dia da votação do projeto da Paranaprevidência o desembargador Xisto Pereira proibiu o acesso dos servidores às galerias da AL, por entender que "as sessões estão sendo transmitidas ao vivo em rede de televisão aberta e os próprios manifestantes fazem uso de um telão, localizado em frente à sede da Assembleia Legislativa, para acompanhar as respectivas sessões e os votos dos parlamentares". O magistrado permitiu apenas a entrada dos presidentes dos sindicatos, mas eles também não passaram pelo cerco policial.

Partindo
Após 23 anos atuando como promotor de Justiça, o atual coordenador do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Londrina, Cláudio Esteves, foi promovido a procurador de Justiça do Paraná. O ato da promoção deve ser publicado até o final do mês, quando ele passará a exercer suas atribuições em Curitiba. Formado em Direito pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) em 1991, Esteves atuava em Londrina há 18 anos, tendo sido o titular da Promotoria de Investigações Criminais, a antiga PIC, depois transformada em Gaeco. Neste período, o promotor esteve à frente de investigações polêmicas, como o esquema de corrupção na administração do ex-prefeito Antonio Belinati, e a atual investigação de cobrança de propina na Receita Estadual de Londrina.

Elogio
"É um dos 20 melhores promotores do Brasil. Vai fazer muita falta", elogiou o procurador Leonir Batisti, coordenador estatual do Gaeco. "Mas, por outro lado, temos uma equipe muito competente e confiamos que permaneça essa atuação forte do Gaeco de Londrina". A vaga de Esteves deve ser preenchida após um processo burocrático, em que os promotores interessados podem se inscrever. No entanto, Bastisti acredita que o promotor Jorge Fernando Barreto da Costa – que também está no Gaeco desde o início – passaria a ser o novo coordenador do órgão. "A princípio, seria o dr. Jorge." Segundo Batista, a promotora Leila Shimiti, hoje ocupando vaga na Promotoria de Defesa do Patrimônio Público, é cotada para assumir a outra vaga no Gaeco.

Rota Paraná-Brasília
A vice-governadora Cida Borghetti (Pros) vai chefiar o Escritório de Representação do Paraná em Brasília, acumulando as funções, "sem acúmulo de salário", avisa a assessoria dela. Ex-deputada federal e mulher do deputado federal Ricardo Barros (PP), Cida teria recebido o convite de Beto Richa (PSDB) há cerca de 20 dias. A ida da vice agrada também a interesses de um grupo de tucanos que não tem afinidade com a família Barros.

Substituto
O secretário de Segurança Pública do Paraná, Fernando Francischini (SD), conseguiu driblar o convite da Câmara de Londrina para vir nesta quinta-feira explicar a situação precária do Instituto Médico Legal (IML) do município. Ao invés de acatar o convite, designou o diretor-geral da Polícia Científica, Hemerson Bertassoni Alves, para atender ao pedido. O convite, em caráter de urgência, foi proposto por Lenir de Assis (PT) e aprovado no dia 28 de abril, véspera da truculenta repressão da Polícia Militar à manifestação dos professores contra a aprovação de alterações na Paranaprevidência. Dificilmente Francischini aceitaria o convite antes mesmo do fatídico 29 de abril, mas, depois da repercussão internacional dos acontecimentos, quanto menos baixar a guarda, melhor.

Em alto e bom tom
Os londrinenses aderiram ontem à noite ao panelaço, convocado pelas lideranças do PSDB, durante o programa político do PT na tevê. Das janelas dos apartamentos de várias regiões da cidade, moradores bateram panelas e engrossaram o coro de "fora, Dilma". A manifestação se repetiu em outras cidades de pelo menos cinco estados, segundo o portal UOL.

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