'Fernandos' no foco
Está em andamento um movimento entre os aliados do governador Beto Richa (PSDB), como os deputados federais Valdir Rossoni (PSDB) e Alex Canziani (PTB), de jogar na conta dos secretários estaduais Fernando Francischini (Segurança) e Fernando Xavier (Educação) a responsabilidade pela ação truculenta da Polícia Militar contra os professores que manifestavam no Centro Cívico, no dia 29 de abril. Eventual demissão poderia ser usada como um sinal de que o governo não concorda com o massacre e foi atrás de punir quem errou.

Arrependido
Valdir Rossoni, presidente estadual do PSDB, chegou a cobrar pelas redes sociais, no domingo, que os responsáveis pela agressão aos manifestantes "sejam demitidos ou peçam para sair". Talvez, tenha se arrependido e apagou o comentário ontem. Rossoni havia citado que o secretário de Educação, Fernando Xavier, não estaria "preparado" para o diálogo com a categoria. Sobre a área da segurança, sem citar Francischini, Rossoni escreveu que "houve excessos". Ele foi procurado mas não atendeu o celular.

Poder fragilizado
O presidente da Assembleia Legislativa (AL) do Paraná, Ademar Traiano (PSDB), afirmou que o parlamento "sairia fragilizado" caso atendesse a pressão dos servidores e não votasse o projeto de lei que alterou o custeio da Paranaprevidência. Ele disse que houve diálogo por parte da AL, mas teria faltado interesse dos sindicatos para tratar do assunto no período em que o texto ficou fora da pauta. Os deputados aprovaram a proposta do Executivo na última quarta-feira, dia 29, enquanto a polícia jogava bombas nos manifestantes no Centro Cívico. Em entrevista para a rádio oficial da AL, o tucano alegou que "existe um movimento político" com pessoas que "insuflam e não têm interesse de falar a verdade" para os servidores.

Propagação
Vai se propagando a onda de indignação com o governador Beto Richa (PSDB), desde que a Polícia Militar (PM) do Paraná reprimiu com violência os manifestantes contrários às mudanças na Paranaprevidência. Das redes sociais até os campos de futebol, são inúmeras as cobranças. Antes da decisão do campeonato estadual entre Operário e Coritiba, os torcedores das duas torcidas vaiaram o governador. O mesmo ocorreu pela torcida do Atlético antes da partida contra o Nacional. No Teatro Guaíra, durante um show no domingo, surgiu um coro de "fora Beto Richa".

Faltou ouvir o TC
Nota divulgada ontem pelo Tribunal de Contas (TC) do Paraná, anunciando a abertura de procedimento investigatório sobre a polêmica da Paranaprevidência, coloca dúvida as declarações do governo e dos deputados estaduais da base, que alegam ampla discussão sobre o projeto. O TC afirmou que "quanto à alteração na composição dos fundos" o Ministério Público junto ao TC (MPjTC) "também está tomando medidas atinentes ao exame da sua constitucionalidade e do impacto na saúde financeira do Estado". Seria uma demonstração de que o órgão ainda não teve tempo de se manifestar sobre as mudanças defendidas pelo Executivo.

Mais investigação
O MPjTC afirmou também que vai apurar as condutas durante os protestos em Curitiba, no último dia 29. Além do procurador-geral, Michael Reiner, compõem a equipe os procuradores titulares dos grupos operacionais do TC com atribuições sobre a Secretaria de Segurança Pública, Casa Militar, Paranaprevidência e Secretaria de Administração, Planejamento e Previdência. "Os fatos serão investigados sob os aspectos orçamentários e administrativos (legalidade e legitimidade das despesas e atos praticados)". Outro aspecto a ser analisado são as possíveis repercussões negativas das mudanças nos fundos de aposentadorias e a estruturação das carreiras de Estado.

Racha na Fiep
O presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Valter Orsi, colocou seu nome à disposição como pré-candidato à presidência da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep). Orsi, que atualmente é vice-presidente da entidade, mandou carta aos colegas criticando a intenção do presidente Edson Campagnolo de tentar novo mandato. O presidente da Acil alega que a chapa pela qual ele e Campagnolo foram eleitos em 2011 sempre se posicionou contrária à reeleição.

Casa sem leis (na pauta)
Há semanas as pautas das sessões da Câmara de Londrina andam relativamente fracas, mas a desta terça-feira precisava de um Biotônico Fontoura. Os vereadores votam hoje duas dispensas de tramitação especial para projetos de resolução do Legislativo – se aprovados, os prazos para apresentação de pareceres pelas comissões temáticas da Casa cai pela metade – e mais seis pedidos de informações ao Executivo. Nenhum projeto de lei em vista. Enquanto isso, essas propostas se amontoam nas comissões permanentes e só ontem foram cinco analisadas pela Comissão de Política Urbana e Meio Ambiente e outras sete pela Comissão de Justiça e Redação. Porém, os textos acabam demorando a entrar em votação, segundo alguns vereadores, porque vêm com pequenos erros que precisam ser consertados e acabam demandando tempo.

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