INFORME FOLHA
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 30 de abril de 2015
Equipe da Folha com agências <br>[email protected] 
Bombas chegam ao Senado
O ataque aos servidores do Paraná reverberou no plenário Senado e provocou uma discussão entre o líder do PT, Humberto Costa, e o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB). O petista classificou a ação como um massacre e cobrou um posicionamento do PSDB sobre o caso. Em defesa do partido e do governador Beto Richa (PSDB), Ferreira elogiou a atuação da polícia e afirmou que os movimentos sociais alinhados ao PT protagonizam situações piores.
Alvaro alfineta
O senador Alvaro Dias (PSDB-PR) não escapou dos questionamentos em redes sociais sobre um posicionamento acerca do embate entre a Polícia Militar e servidores estaduais do Paraná, anteontem. A um jornalista de São Paulo ao se pronunciar após as cenas de guerra, o senador respondeu que não concorda com o modelo de mudança proposto no Paraná e classifica a retirada de recursos de Fundo Previdenciário como apropriação indébita. Também não poupa o governador, do mesmo partido, ao dizer que "modelo federal que desorganiza as finanças públicas do país chega a alguns Estados e lamentavelmente ao Paraná". Sobre o ataque da PM a professores, diz que lamenta profundamente "e sei que não há ninguém que possa concordar com ela".
Sem comparação
O senador Alvaro Dias é frequentemente lembrado pelo episódio em que, quando era governador do Paraná, lançou a cavalaria da PM contra professores que acampavam em Curitiba durante greve por melhores salários. A data, 30 de agosto de 1988, é lembrada pelos educadores até hoje. Ontem, entretanto, em entrevista ao jornal "Folha de S. Paulo", Alvaro diz que não há comparações entre o ocorrido naquele ano e o do dia 29 de abril de 2015. Segundo ele, o que houve anteontem foi muito mais grave. "A reação da polícia Militar foi desproporcional", afirmou.
Até Dilma
Ao abrir reunião com centrais sindicais no Palácio do Planalto, ontem, a presidente Dilma Rousseff (PT) fez uma referência indireta à violência da polícia contra os professores no Paraná. "Diálogo que é algo que nós devemos enfatizar nesse momento, inclusive no Brasil, em que vemos alguns acontecimentos bastante graves no que se refere à relação com os trabalhadores que reivindicam (seus direitos). Consideramos que as manifestações dos trabalhadores são legítimas e nós temos que estabelecer esse diálogo, sem violência. O princípio é respeito às manifestações democráticas, respeito às diferenças de opinião, diálogo, e ao mesmo tempo repúdio integral à violência."
Richa pede desculpa
Em Londrina, o vereador Gustavo Richa (PHS), primo do governador Beto Richa (PSDB), fez um mea culpa no início da sessão legislativa de ontem. O parlamentar disse que o dia anterior foi o pior de sua vida pessoal e política e que não imaginava que o desfecho das mudanças na Paranaprevidência seria aquele. Então, pediu desculpas em seu próprio nome, dos seus pais e de sua esposa.
Anistia cobra responsabilidade
A Anistia Internacional pediu ontem que o governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), e o comando da Polícia Militar do Paraná assumam total responsabilidade pela repressão contra professores em frente à Assembleia Legislativa do Paraná no dia anterior. "É fundamental que a violência de ontem seja investigada, de forma célere e independente, e que as autoridades do alto escalão também sejam responsabilizadas pelo que ocorreu. A polícia não age por conta própria e as falas das autoridades mostram que para o governo a ação policial foi adequada. Isso é um agressão à liberdade de expressão e ao direito à manifestação pacífica", disse o diretor executivo da Anistia Internacional Brasil, Atila Roque, em texto publicado no site oficial da organização.
Servidor contra servidor
O Ministério Público do Trabalho (MPT)
no Paraná, assim como outras importantes entidades fizeram, divulgou nota repudiando o uso de violência e a repressão às quais
foram submetidos os professores no Centro Cívico, em Curitiba. Contudo, com a sua experiência em atuar nos embates entre patrões e empregados, o MPT lamentou ver a mesma classe em lados opostos. "Nosso trabalho se pauta sobretudo no diálogo para a resolução de conflitos e no respeito ao trabalhador, por isso nos sensibiliza muito a forma como esses professores foram tratados hoje (quarta-feira), na luta por seus direitos. Também nos toca que outra classe de trabalhadores, a dos policiais militares, esteja sendo colocada contra os professores de seus filhos, quando a luta de todos é a mesma."


