Requião e Gleisi criticam proposta
Os senadores Gleisi Hoffmann (PT) e Roberto Requião (PMDB) se reuniram ontem, na Assembleia Legislativa (AL), com o presidente da Casa, Ademar Traiano (PSDB), e outros líderes da base, na tentativa de evitar a aprovação do projeto que prevê mudanças na ParanaPrevidência. Para os senadores, a aprovação do projeto tem o objetivo de resolver um problema de orçamento do Estado. "Retirando recursos da ParanaPrevidencia, a médio prazo o Estado vai ficar inviabilizado. O governo entrou numa entaladela por erros administrativos e quer resolver hoje, retirando recursos. Por que o governo não espera um parecer do Ministério da Previdência por ele mesmo requerido?", questionou Requião.

Estado pode perder certidão previdenciária
De acordo com Gleisi, caso o projeto seja analisado posteriormente pelo Ministério da Previdência e for constatada alguma ilegalidade, o Estado pode perder a certidão de regularidade previdenciária. "Isso significa que o Paraná vai ficar sem acesso a transferências voluntárias da União e sem operações de crédito", alertou. Conforme ela, um parecer da União daria mais segurança para a AL, governo do Estado e aos próprios servidores. Ela ainda criticou a forma como o esquema de segurança foi montado ao redor da Assembleia. "Claro que a Assembleia tem que resguardar sua integridade. O cerco de policiais no Centro Cívico, a repressão, o uso de armas, não justifica. A gente só via isso numa situação de regime de exceção", afirmou. Depois, Requião e Gleisi se reuniram com os professores e discursaram no caminhão de som dos manifestantes em apoio à categoria.

Romanelli ironiza opositores
O líder do governo na AL, Luiz Cláudio Romanelli (PMDB), considerou a vinda dos senadores até a Assembleia Legislativa uma tentativa de politizar a questão, e foi irônico. "Não consigo lembrar de quando um senador da República veio até a AL. Inclusive, vou entregar um exemplar do trabalho que fizemos da Comissão Especial da Agenda Paraná, ressaltando que existem 51 projetos pendentes entre o Estado e o governo federal. Acho que a vinda deles é uma tentativa de politizar uma discussão que é do Paraná. Na verdade, só demonstra no que se transformou este debate que é um tema importante, como o previdenciário. A presença deles só demonstra isso para todos."

Data memorável
Deputados estaduais repercutiram ontem o resultado do confronto entre Polícia Militar e manifestantes no Centro Cívico de Curitiba ontem, durante aprovação das modificações da ParanaPrevidência na Assembleia Legislativa (AL) do Paraná. Tercílio Turini (PPS)disse ser "inadmissível usar a força e a pressão como argumentos". "O dia de hoje será lembrado pela truculência e pela intransigência", disse em seu pronunciamento. O líder da oposição, Tadeu Veneri (PT), classificou a data como "um dia triste na história do nosso Estado e vergonhoso para o parlamento". Já Requião Filho (PMDB) promete integrar uma campanha chamada "Não esqueceremos o 29 de abril", para divulgar fotos e vídeos do confronto.

Repercussão internacional
O destaque nacional do confronto entre policiais e servidores estaduais já era esperado ontem, mas também chamou a atenção da mídia internacional. O site da "Fox News" noticiava ontem "professores em greve e policiais em confronto violento em frente a prédio de Congresso estadual", enquanto o espanhol "El País" dava destaque na internet para "mais de 150 feridos em protesto de professores no Brasil".

Polêmica à vista: luta contra homofobia
A Câmara de Londrina volta a discutir hoje, em segunda votação, o projeto de lei da vereadora Elza Correia (PMDB) que institui o agora chamado Dia da Luta Contra a Homofobia. A proposta inicial era criar um Dia de Luta Contra a Violência Motivada pela Homofobia, mas o projeto teve de ser "abrandado" para conseguir os votos da bancada cristã. Os vereadores rejeitavam o trecho que incentivava ações que proporcionem a discussão sobre o direito à livre orientação sexual por considerar uma apologia ao homossexualismo, o que acabou retirado da justificativa. Também foram excluídos os termos " gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais". Ainda assim, há a expectativa de mobilização de líderes religiosos contra a proposta nesta segunda apreciação.

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