INFORME FOLHA
"Eles estavam aqui para tumultuar, porque são contra a reforma política"
Beto e o IPVA
O governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), disse ontem à FOLHA que não tem "a menor preocupação" quanto à Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) que contesta o aumento de 40% no Imposto sobre Veículos Automotores (IPVA), impetrada nesta semana. Propositor da ação, o deputado estadual Nereu Moura (PMDB) alega que o reajuste na alíquota, de 2,5% para 3,5%, é ilegal. Os boletos do IPVA começaram a ser enviados aos usuários no início de março. "Isso é um aspecto legal e todas as questões legais foram observadas e aprovadas aqui na Assembleia Legislativa (AL)", disse Beto.
Investigações
Beto também assinou ontem, no Palácio Iguaçu, ofício que determina que a Controladoria-Geral do Estado apure, imediatamente, a eventual existência de antecedentes criminais, de procedimentos investigatórios ou administrativos em curso na esfera da administração de todos os servidores lotados da coordenação da Receita Estadual. O documento estipula o prazo de 48 horas para apresentação das informações. O governador determinou ainda que a Controladoria escolha um representante para acompanhar com a Secretaria da Fazenda a apuração integral dos fatos.
CPIs contra a CPI
Parlamentares da oposição ao governo na AL têm acusado os membros da base aliada de se articular para "inflar" a Casa com várias propostas de Comissões Parlamentares de Inquérito (CPI). Como o regimento interno da AL permite o máximo de cinco CPIs, essa seria uma forma de evitar as investigações no Legislativo sobre o suposto esquema de corrupção envolvendo auditores da Delegacia da Receita Estadual em Londrina. Pelo menos mais cinco CPIs, de temas diversos, já estariam engatilhadas. Até agora, o propositor da comissão da Receita, Requião Filho (PMDB), conseguiu recolher somente sete das oito assinaturas necessárias para a instalação do grupo.
Meia dúzia de petistas
O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), visitou a Assembleia Legislativa (AL) do Paraná para participar da inauguração do programa "Câmara Itinerante", cujo objetivo é levar as discussões promovidas no âmbito do Legislativo federal às diferentes regiões do País. Durante o lançamento, alguns manifestantes chegaram a interromper a audiência acusando Cunha de ser "antidemocrático". O presidente da Câmara rebatou os protestos, dizendo que se tratavam de "meia dúzia de petistas". "Eles estavam aqui para tumultuar, porque são contra a reforma política. Só querem discutir financiamento público e voto em lista", minimizou. De qualquer forma, o deputado garantiu que as divergências serão resolvidas no voto. "O parlamento não tem que chegar a consenso."
Stephanes
O atual diretor presidente da Copel Participações, Reinhold Stephanes, entrou em contato com a FOLHA para dizer que "estranhou" a notícia do pedido de Delegação de Competência da duplicação do trecho da PR-445 entre Londrina e Mauá da Serra feito pelo prefeito Alexandre Kireeff na última quarta-feira. Dois anos atrás, quando era chefe da Casa Civil, o governo do Estado propôs o estudo e projeto desta obra por meio de uma Parceria Público-Privada com participação do Estado, afirmou Stephanes. Segundo ele, a proposta foi "absolutamente recusada" pelo prefeito, que não admitia a cobrança de pedágio. "Caso contrário, estudo e projeto básico estariam prontos", disse Stephanes. A proposta atual do prefeito Alexandre Kireeff é que a prefeitura assuma a gestão e duplicação do trecho da PR-445 e tenha retorno do investimento, que seria feito com financiamento e a cobrança de um pedágio municipal. Stephanes acha difícil que a prefeitura de Londrina consiga um empréstimo para bancar a obra, e que se se conseguir, os juros seriam altos.
Militância
O principal líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), João Pedro Stédile, fez ontem um discurso em que defendeu a presidente Dilma Rousseff (PT), atacou ministros e convocou a militância para voltar às ruas em 7 de abril. "Nenhum ministro aqui no Brasil deve se sentir superior ao povo", afirmou. Apesar de destacar que Dilma foi legitimamente eleita, Stédile fez críticas ao ajuste fiscal e disse que o ministro Joaquim Levy, da Fazenda, deveria debater suas medidas para recuperar a economia com os trabalhadores. "Os ministros da senhora têm que ser mais humildes. Humilde para ouvir o povo, para saber quais são as propostas (que o povo quer)", afirmou. "Se o orçamento tem problema, por que o "seu Levy" não vem discutir conosco."
Quase uma santa
João Pedro Stédile elevou bastante o tom ao criticar a mídia e convocar novos atos em defesa da presidente. Segundo ele, por trás do movimento dos que foram às ruas no dia 15 de março contra Dilma está "uma classe média reacionária". Para ele, "quem quer tirar a Dilma, que é quase uma santa", é a classe média que não aceita o avanço dos mais pobres, "que não quer assinar a carteira da empregada", que "não aceita que o povo tem um pouquinho mais de direitos".





