Repercussão dos protestos
Os protestos contrários à administração da presidente Dilma Rousseff (PT), que aconteceram em todo o País no último domingo, repercutiram também na Assembleia Legislativa (AL) do Paraná. Para o líder do governo Beto Richa (PSDB) na Casa, Luiz Cláudio Romanelli, a democracia pressupõe justamente a manifestação, "e ainda mais como a feita ontem (anteontem), de forma pacífica e com palavras de ordem claras e objetivas". "Eu entendo, e me incluo nisso, que todos que exercem uma função pública têm de entender essas manifestações como um claro recado de que as pessoas querem mudanças em relação a atitudes e posturas", avaliou.

Discursos
O deputado estadual Ney Levrepost (PSD) disse que um ponto em comum entre todos os participantes era de que eles estavam insatisfeitos com os escândalos de corrupção. "Ninguém aguenta mais a corrupção nesse País. Ela tornou-se há muito tempo endêmica e instala-se lamentavelmente em todas as esferas de poder", discursou. Requião Filho (PMDB) também subiu a tribuna para comentar o ocorrido. Segundo ele, as pessoas estão insatisfeitas com as promessas de campanha não cumpridas, "que acabaram induzindo o eleitor a votar na presidente Dilma Rousseff (PT) e no governador Beto Richa (PSDB)". "Tudo o que está errado lá (em Brasília), também acontece aqui (no Paraná)", opinou.

Vidraça
Também defensor do direito à manifestação, o líder do PT na AL, Professor Lemos, afirmou que não acha justo muitos dos ataques serem voltados exclusivamente à legenda. "O Brasil possui mais de 30 partidos e há gente boa e ruim em todos eles. Sou católico e não é porque alguém da igreja cometeu algum erro que vou deixar de ser. O PT está tomando o cuidado de procurar, nos processos normais, punir os desvios de conduta. Espero que os outros façam a mesma coisa."

Problemas econômicos
Em visita ontem à Assembleia Legislativa (AL) do Paraná, o vice-líder do governo Dilma Rousseff (PT) na Câmara, Ricardo Barros (PP), também comentou as manifestações de anteontem. Segundo ele, o Palácio do Planalto precisa ouvir as vozes das ruas. O político defendeu que Dilma tire do "núcleo duro" do Executivo aqueles que não entenderam as reivindicações populares, para que possa assim implementar as medidas. Hoje, na reunião semanal de líderes, em Brasília, os parlamentares devem começar a discutir as iniciativas propostas pela presidente para "acalmar" as animosidades. A solução da crise política, para Barros, implica em se encontrar uma solução também para os problemas econômicos.
Buzinaço Moradores da região central de Londrina, principalmente nas proximidades da avenida Higienópolis, realizaram panelaço e buzinaço ontem, durante discurso da presidente Dilma Rousseff na TV, pela sanção do novo Código de Processo Civil.

Prefeitos e reeleição
Pesquisa feita pela Confederação Nacional de Municípios (CNM) sobre itens da reforma política, feita com 674 prefeitos e prefeitas, mostra que a maioria (60,5%) é contra a reeleição. Para eles, o mandato deve ser de seis anos e o voto deve continuar obrigatório. A maior parte pede a coincidência de mandatos e a alteração da data de posse dos eleitos. Em relação ao sistema de votos, o preferido é o distrital. O financiamento de campanha eleito é o público. Para a maioria, os parlamentares precisam ter um limite de reeleições e o suplente de senador deve ser votado e nominado. Na opinião dos pesquisados, deve ser convocado um plebiscito junto à população sobre esses temas. Os dados foram divulgados pela CNM.

Fundo partidário
O aumento no repasse público para o fundo partidário, proposta do senador Romero Jucá (PMDB), relator do Orçamento da União, deve ser aprovado hoje pelo Congresso. A avaliação é do senador paranaense Alvaro Dias (PSDB). "É uma lástima, não é momento para esta discussão, mas imagino que pode passar", disse à FOLHA. "Geralmente a votação do orçamento é feita por acordo de lideranças, e não por votação aberta." Jucá vai alocar em 2015 cerca de R$ 570 milhões para o fundo, destinado a financiar as estruturas partidárias. Trata-se de um aumento de 45,2% sobre o que foi destinado no Orçamento de 2014.
A reportagem também entrou em contato com os gabinetes dos senadores Roberto Requião (PMDB) e Gleisi Hoffmann (PT) para repercutir o tema, mas não houve retorno.

Equipe da Folha com agê[email protected]
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