INFORME FOLHA
Agora saiu
Com vetos a quatro artigos propostos por emendas e a dois incisos por ordem redacional, o prefeito Alexandre Kireeff (PSD) sancionou ontem pela manhã as duas últimas leis complementares do Plano Diretor: Uso e Ocupação do Solo (zoneamento) e Sistema Viário. Segundo Kireeff, os dispositivos vetados permitiriam a construção de residências em áreas industriais. "Isso ia contra o que ficou decidido nas conferências", justificou. Os outros vetos ocorreram por questões técnicas de redação e serão corrigidas por meio de projeto de lei a ser enviado ao Legislativo. As leis passam a vigorar 60 dias após a sanção.
Pompa e circunstância
Ao contrário da maioria dos textos aprovados pela Câmara e encaminhados para sanção, o rito das leis complementares do Plano Diretor teve cerimônia no gabinete de Kireeff, com a presença representantes da sociedade civil e dez vereadores, que posaram para foto assinando o documento. Tido como prioridade por Kireeff, a aprovação das leis demorou dois anos devido à recuperação dos áudios das conferências em que os textos foram debatidos, a revisões e análises do Legislativo, do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul) e, principalmente pelo Conselho Municipal da Cidade (CMC). Depois, foi aprovado no dia 29 de dezembro do ano passado, em sessão extraordinária cuja duração passou da meia-noite.
Só falta a eleição
Candidato único à Presidência da Assembleia Legislativa (AL) do Paraná, o deputado estadual Ademar Traiano (PSDB) já está se familiarizando com o cargo. Ou, pelo menos, com os aposentos destinados a ele. Nesta semana, a equipe do parlamentar começou a se acomodar nas salas da chefia da AL, "desalojando", ainda que de forma amigável, alguns assessores do atual presidente, Valdir Rossoni (PSDB), cujo mandato só se encerra oficialmente amanhã. Ontem, aliás, Traiano chegou a fazer o que, para muitos, se configura azar: sentou na cadeira da presidência antes da eleição, marcada para o próximo domingo.
História
Em 1985, em um dos capítulos mais emblemáticos das eleições pós-Ditadura, Fernando Henrique Cardoso, então candidato à Prefeitura de São Paulo pelo PMDB, tomou atitude parecida, e até mais arriscada. Favorito na disputa contra Jânio Quadros, ele posou para os fotógrafos sentado na poltrona do prefeito um dia antes do pleito. O tiro, no entanto, acabou saindo pela culatra.
Vingança
Ao tomar posse, no início do ano seguinte, Jânio não deixou barato. Foi até o seu novo gabinete com uma lata de inseticida e "desinfetou" o local, afirmando que "nádegas indevidas" o teriam utilizado. "O senhor Henrique Cardoso nunca teria o direito de sentar-se cá e o fez, de forma abusiva. Por isso, desinfeto a poltrona", declarou à época. A sorte de Traiano é que, ao que tudo indica, não haverá nenhuma candidatura "surpresa" a ser lançada para um bate-chapa na AL.
Investigação
O Núcleo de Combate aos Cibercrimes (Nuciber) da Polícia Civil do Paraná informou ontem que irá instaurar um inquérito para apurar uma notícia falsa sobre o atraso no pagamento de servidores públicos, por parte do governador Beto Richa (PSDB). A suposta matéria, datada de 28 de janeiro, circula por grupos do aplicativo WhatsApp e em redes sociais num layout forjado do portal G1. Em nota, o delegado-titular do Nuciber, Demétrius Gonzaga, disse que, numa procura no site de buscas Google, é fácil notar a falsificação. Ele esclareceu que está buscando identificar o autor ou os autores da nota, para aplicar as devidas medidas legais.
Dois pesos...
O curioso é que, logo após as eleições de outubro, outra notícia falsa, sobre a morte do doleiro Alberto Youssef, também confundiu a população paranaense, com o agravante de ter sido reforçada por políticos do Estado, todos apoiadores da candidatura de Aécio Neves (PSDB) à Presidência da República. No entanto, nenhuma autoridade chegou a adotar postura semelhante à época. Entre os envolvidos na boataria estavam o presidente da Assembleia Legislativa (AL), Valdir Rossoni, o primeiro secretário da Casa, Plauto Miró (DEM), e até mesmo o atual secretário de Estado da segurança, o deputado federal Fernando Francischini (SD). Todos postaram e/ou compartilharam notícias inverídicas sobre o estado de saúde do londrinense, acusado de operar um esquema de desvio de dinheiro na Petrobras.
Posts
Rossoni escreveu, em sua conta no microblog Twitter, que Youssef foi internado após o almoço na carceragem da Polícia Federal (PF), em Curitiba, e que a principal suspeita era envenenamento. Francischini, por sua vez, publicou imagens que supostamente seriam do prontuário de atendimento de Youssef. "Algum médico especialista para nos ajudar com diagnóstico? Envenenamento, hipertensão ou infarte? O país tem direito de saber!", escreveu. Plauto foi além, dando como certo o falecimento de Youssef. Também por meio do Facebook, ele lembrou do fato de o doleiro ser o delator do caso da estatal. "Há suspeitas de que a causa da morte seja envenenamento. Não podemos nos calar, é agora ou nunca. Vote 45!".





