Polêmica
A recusa da maior parte dos vereadores, na sessão da Câmara Municipal de Londrina de ontem, de enviar dois projetos de mudança de zoneamento para pareceres de órgãos técnicos, como o Conselho Municipal do Ambiente (Consemma) e Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano (Ippul), causou polêmica. Sandra Graça (SD) se declarou "assustada", uma vez que a nova lei de zoneamento (Uso e Ocupação do Solo) está em vias de ser aprovada pelo Legislativo. "Se tem interesse privado acima do interesse público, se não há interesse de aprovar o Plano Diretor, vamos parar agora, não vamos fazer os técnicos de palhaço", discursou.

Órgãos técnicos
Além de Sandra, Elza Correia (PMDB), Lenir de Assis (PT), Gerson Araújo (PSDB), Professor Fabinho (PPS) e Vilson Bittencout (PSL) também se manifestaram contra a decisão de não enviar as matérias aos órgãos técnicos. Para eles, é "um absurdo" que Consemma e Ippul não sejam ouvidos em matérias como essas.

Projetos
Um dos projetos, de Roberto Fú (PDT), permite a instalação de restaurantes na zona rural; o outro, de Gustavo Richa (PHS), transforma em zona residencial três áreas com 57,4 mil metros quadrados no distrito do Espírito Santo, que foi recentemente incluído no perímetro urbano. Os dois projetos serão analisados por comissões técnicas da Câmara antes de serem votados.

Orçamento
Nesta segunda-feira, a Câmara de Londrina realiza audiência pública para apresentar e discutir o projeto de lei do Orçamento para 2015. Como a nova planta de valores do IPTU não foi aprovada - e pode nem ser votada este ano – a proposta conta apenas com os valores inicialmente previstos. "Caso a nova planta seja aprovada, teríamos que fazer uma emenda à lei do orçamento", disse o presidente da Comissão de Finanças, Mário Takahashi (PV). A audiência será às 19 horas, na Câmara.

Novo governo e Lava Jato
O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, afirmou ontem que o governo poderá usar informações da Operação Lava Jato que não sejam sigilosas para municiar as escolhas da nova equipe do segundo mandato da presidente Dilma Rousseff. Cardozo foi questionado se a impossibilidade de ter acesso às informações da delação premiada do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, que teria citado dezenas de políticos, iria dificultar a montagem do novo governo. "Não estou autorizado a falar sobre montagem de governo, mas aquilo que estiver disponível e não submetido a sigilo, poderá ser informado", disse. O ministro ressaltou que não há possibilidade de que o governo busque informações sigilosas do processo.

Sem acesso
Questionado pela Agência Estado se o governo ficaria de mãos atadas para tomar medidas sobre o caso, Cardozo disse que não faz juízo de valor sobre decisões do Judiciário. Ele subscreveu um pedido de acesso às informações que acabou sendo negado pelo relator do caso, ministro Teori Zavascki. "Sua excelência, usando fundamentação jurídica, indeferiu o pedido. A mim cabia manifestar o desejo e o interesse de que o governo pudesse ter acesso para que pudesse promover as medidas de apuração e averiguação que são próprias do mundo administrativo", completou.

Bendine e Val Marchiori
O presidente do Banco do Brasil, Aldemir Bendine, entregou informalmente seu cargo ao ministro da Fazenda, Guido Mantega. Bendine já não tinha mais apoio no governo para permanecer no comando do BB, após reportagens da Folha de S.Paulo revelarem que a instituição ajudou a apresentadora de TV Val Marchiori a obter empréstimo no BNDES. Oficialmente, a saída de Bendine deve acontecer depois de a presidente Dilma Rousseff retornar da reunião do G20 (grupo que reúne grandes economias mundiais), que acontecerá nos dias 15 e 16 de novembro na Austrália. Dilma informou esta semana que anunciará o novo ministro da Fazenda, em substituição a Mantega, após o G20. Dessa forma, faria as duas trocas ao mesmo tempo.

Alvo
Bendine sofreu forte desgaste no banco e no governo nos últimos meses. Em agosto, a Folha de S.Paulo revelou que ele foi autuado pela Receita Federal por não comprovar a origem de aproximadamente R$ 280 mil em seu patrimônio. No mesmo mês, a Folha divulgou que um ex-motorista do BB, em depoimento ao Ministério Público Federal, afirmou que fez diversos pagamentos em dinheiro a pedido de Bendine e que também transportou recursos em espécie a mando do presidente do BB. No mês passado, a Folha mostrou que Val Marchiori obteve R$ 2,7 milhões num empréstimo subsidiado pelo governo, a partir de uma linha do BNDES, contrariando diversas normas internas do BB. A socialite é amiga de Bendine e esteve hospedada no mesmo hotel em que Bendine em duas missões oficiais do banco, uma em Buenos Aires e outra no Rio.

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